POR GERSON NOGUEIRA

Em meio aos festejos pela conquista do bicampeonato pelo Remo, na noite de domingo, um dos heróis azulinos, o atacante Rafael Paty, aproveitou uma entrevista ao programa Bola na Torre (RBATV) para propor à Federação Paraense de Futebol a criação de uma competição que permita aos clubes emergentes continuarem em atividade no segundo semestre.

A preocupação sempre existiu, mas é a primeira vez que alguém se manifesta publicamente propondo algo concreto para resolver a situação das equipes interioranas e, particularmente, com os atletas, técnicos e preparadores físicos desempregados depois do Campeonato Paraense.

A partir da ideia lançada pelo artilheiro do campeonato, a Federação tem boa oportunidade para agir e desmentir parte das críticas que lhe são dirigidas pela maneira, digamos, não muito republicana de administrar o futebol profissional no Estado.

O fato é que dezenas de jogadores profissionais ficam ao deus-dará sempre que o campeonato estadual termina. As fases de acesso ampliam o tempo de atividade anual em até três meses, mas depois da segunda fase (Taça Açaí) todos os contratados que pertencem a times eliminados entram em recesso.

É mão-de-obra que merece mais atenção, pois, em função do desemprego, muitos desistem do futebol ou partem para tentativas fora do Estado. Paty, que veio do futebol do Rio, sabe bem como é ingrata a vida de atleta de equipes médias e pequenas.

Ele sabe que os clubes mais modestos até tentam honrar os compromissos financeiros, mas em geral sucumbem às despesas e aos passos muito ambiciosos. A coisa só marcha para um final feliz quando conseguem, por mérito ou sorte, alcançar as fases decisivas do Parazão e arrecadar algum dinheiro em jogos contra a dupla Re-Pa em Belém.

unnamedFoi o que ocorreu neste fim de semana com o Independente, que saiu do Mangueirão sem o título estadual, mas com R$ 281 mil no bolso, parte que lhe coube da arrecadação líquida da partida contra o Remo. O mesmo Independente já havia tido experiência lucrativa, em 2012, na Copa do Brasil. Contou com a força do acaso para receber o São Paulo de Rogério Ceni em Belém logo na primeira rodada do torneio. Embolsou, na ocasião, perto de R$ 500 mil.

Com esse reforço de caixa, o Independente terá fôlego para a Copa do Brasil deste ano e as competições do ano que vem. Já o Águia se debate em longa crise financeira que quase o tirou do Brasileiro da Série C. O Parauapebas terá grandes dificuldades em viabilizar participação na Copa Verde do próximo ano.

Os demais clubes da primeira divisão paraense estão entregue à própria sorte. São Francisco, Cametá, Tapajós e Paragominas não têm calendário até o final da temporada. Castanhal, Gavião, Tuna, São Raimundo e outros vivem situação ainda mais desesperadora.

Por isso, a manifestação de Rafael Paty chega em boa hora. Há tempo, ainda, de idealizar um torneio de acesso mais abrangente, com turno e returno. Os recursos teriam que ser viabilizados junto aos órgãos competentes, prefeituras e anunciantes com interesses nos municípios do interior. Com esforço e boa vontade é possível avançar.

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Um socialite na chefia da Seleção

A nova-velha CBF soltou ontem à tarde um comunicado insólito. O escolhido para chefiar a delegação brasileira na Copa América, programada para o Chile, é ninguém menos que o empresário João Dória Junior, célebre pelos eventos patrocinados por grandes corporações ligadas ao PSDB, sempre com o intuito de conspirar contra o governo. É um dos primeiros atos de Marco Polo Del Nero no comando da entidade.

Sobre futebol, que se saiba, Dória não sabe exatamente do que se trata. Terá que ser apresentado à bola.

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A hora e a vez do artilheiro

Rafael Paty, já mencionado na abertura da coluna, transformou-se repentinamente em ídolo da torcida do Remo. Como quase todos os baluartes da conquista do bicampeonato era um jogador quase de saída do Baenão em meio às turbulências da era Zé Teodoro. Renasceu, como os demais, depois que Cacaio assumiu o barco.

Sua ascensão, porém, não é acidental. Já adaptado ao futebol paraense e seus campos castigados pelo inverno amazônico, Paty fez muitos gols em todos os times que defendeu no Pará.

Levantamento do amigo Adilson Brasil, produtor do Banco de Informações da Rádio Clube, foram 45 gols marcados nas últimas cinco temporadas. Ninguém balançou as redes mais do que ele.

Provou mais uma vez, nessa arrancada do Remo, que artilheiro não desaprende de fazer gols. Quando a maré ajuda e o time embala os especialistas se destacam.

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Troféu Camisa 13 premia o voto do torcedor

Festa magna do esporte paraense, a entrega do Troféu Camisa 13 é a grande atração da noite desta terça-feira. A partir das 20h, nos salões da sede social da Assembleia Paraense (na Presidente Vargas), Gandur Zaire Filho comanda a entrega do prêmio aos melhores do Campeonato Paraense.

Chicão, volante do Independente, é o intruso na seleção que junta cinco azulinos (Fabiano, Max, Alex Ruan, Eduardo Ramos e Paty) e cinco bicolores (Pikachu, Augusto Recife, Dão, Bruno Veiga e Jonathan). Lecheva é o técnico e o melhor árbitro, Dewson Freitas.

Em tempo, meus votos para técnico e metade do time são diferentes, mas respeito a vontade soberana do torcedor, que faz do Troféu Camisa 13 a mais democrática premiação do nosso futebol.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 05)

13 responses to “Em defesa dos emergentes”

  1. Avatar de Marcelo Gomes
    Marcelo Gomes

    Interessante que o Paty nas primeiras partidas tentava e a boa não entrava. Já se comentava que ele só jogava em time pequeno (Eu inclusive). Deu a volta por cima e mantem a tradição de artilheiros cariocas que o remo sempre teve.

    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Bem lembrado, amigo Marcelo. Nessa tradição se insere o próprio Cacaio, mas principalmente Amoroso, Rubilota e Alcino.

  2. Avatar de Marcelo Gomes
    Marcelo Gomes

    Eu quis dizer ” a bola não entrava”

  3. Avatar de Cássio de Andrade
    Cássio de Andrade

    Acho que o melhor treinador seria o Cacaio, pelo trabalho que fez junto ao bom time do Cametá e pela arrancada histórica frente ao Remo. Isso não pe para qualquer um. De qualquer forma, as finais do campeonato se constiuíram uma verdadeira homenagem técnica ao Cláudio “ColÚmbia”: Charles Guerreiro, Lecheva e Cacaio. Só faltou o Sinomar…

    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Kkkkkkk… sem dúvida, amigo Cássio.

  4. Avatar de Fernando Fernandes
    Fernando Fernandes

    Minha seleção do parazao.
    Paulo Rafael
    Yago Pikachu
    Henrique
    Max
    Edinaldo
    Chicao
    Dada
    Gustavo
    Eduardo Ramos
    Paty
    Monga
    Técnico Cacaio

  5. Avatar de Gerson Motta de Macedo
    Gerson Motta de Macedo

    O problema não é dar calendário para times menores.
    O problema é de onde tirar receitas para manter todas essas equipes funcionando durante o ano inteiro. Esses times do interior não possuem torcida, tem verdadeiras várzeas como estádio e seus jogos são pouco ou nada chamativos.
    Prefeitura sustentando? Há melhores destinos para o dinheiro público.

  6. Avatar de nelio
    nelio

    Alto lá Gerson.mota de macedo, também não se pode generalizar em nenhuma hipótese e estás endo injusto com vários clubes emergentes locais e pensas igual essa FPF . É verdade que alguns como gavião são inexpressíveis, mas não pode dizer o mesmo do Águia que já é a segunda força do pará no ranking e está há 10 anos na série C, o mundico de santarem terceira força do pará no ranking e último campeão nacional representando o pará, que colocou no barbalhão meio milhão de renda, o castanhal que ja deu muito trabalho, o galo eletrico vice campeão e segundo e unico representante do norte na copa brasil, cametá o peixe remoso que tem aprontado , além de todos os emergentes citados que deram muita dor de cabeça para os chamados grandes, ja esquecestes??? por favor respeite essas equipes porque elas merecem mais respeito que muita gente chamada de grande atualmente que em 8 anos so conseguiu 2 títulos. respeite. isso é bom e eu gosto. Vc fala em estadio, mas tem time grande em Belem que não tem estadio que preste para jogar e tem de jogar no estádio do governo. MINTO??????????

  7. Avatar de Jorge Paz Amorim
    Jorge Paz Amorim

    Ontem, no telejornal das 20hs da Rede Brasil, o tema calendário foi debatido e o Gilberto Silva, representando o Bom Senso F. C., exibiu dados mostrando que desde ontem 20 mil profissionais ficararam sem emprego, alguns até que domingo festejaram uma conquista.
    Se a CBF desconcentrasse suas receitas da Série A, certamente haveria recursos capazes de manter o emprego dessas dezenas de milhares de profissionais da bola, em vez de tomarem contato com seu instrumento de trabalho pela tevê.

  8. Avatar de miguelangelo1967

    O estado do Pará tem três vagas na Copa do Brasil, aqui na Paraíba,
    criou-se a Copa Paraíba cujo campeão ganha uma vaga para a Copa do Brasil. Ela ocorre sempre no segundo semestre quando finda o paraibano e desta forma os clubes sem divisão não ficam ociosos o ao todo.
    No Pará eu acredito que haveria a possibilidade de uma competição similar que por dar uma vaga na Copa do Brasil, seria um bom atrativo às equipes que dela participassem, seria uma questão de sentar e avaliar a possibilidade e os custos benefícios de tal competição! E concordo com o amigo Gerson Motta quando se refere ao dinheiro público, também acho que há outro caminho para se obter as receitas junto a iniciativa privada com o patrocínio nos jogos e nas demais atividades vinculadas ao campeonato.
    Fica a dica!

  9. Avatar de Heleno Castro
    Heleno Castro

    Ameixa não poderia ter ficado de fora da lista dos escolhidos.

  10. Avatar de Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.
    Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.

    A FPF precisa de gente nova em ideias. Embolsou quase 600 mil nestes ultimos jogos, pra quê?

    Pra dar uma taça escrota daquelas?

  11. Avatar de Antonio Valentim

    De um lado, o campeão: 5;
    De outro lado, o quarto colocado, 4 pontos a menos que o segundo: também 5;
    Segundo colocado: ?

    O que interessa mesmo é ser campeão.

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