Raça, mérito e polêmica

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POR GERSON NOGUEIRA 

O clássico foi tudo o que dele se esperava. Vibrante, eletrizante, polêmico. O Remo foi melhor em grande parte do jogo, podia ter feito mais gols, mas o Papão se manteve sempre perigoso e com chances, mesmo depois de perder Pikachu, expulso nos instantes finais. Como projetei na coluna de ontem, foi o mais tático de todos os jogos entre os rivais na temporada.

Valia muito, principalmente para os azulinos, que lutavam para manter as chances de chegar ao título estadual e à Série D. Pela importância do jogo, era plenamente normal a preocupação em não sofrer gols. Daí o mérito do Remo pelo esforço incansável pela vitória desde os primeiros momentos.

Cacaio entrou com Sílvio avançado, ao lado de Rafael Paty, com Bismarck aparecendo como terceiro atacante e Eduardo Ramos sempre por perto. A opção, anunciada nos vestiários do Mangueirão, foi o lance surpreendente do começo do Re-Pa.

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A presença de um velocista surpreendeu a zaga do Papão nos primeiros minutos. Ramos, Paty, Sílvio e Bismarck criaram duas situações agudas sobre Willian e Marquinhos antes do gol de abertura. O Papão, ao contrário, se segurava mais, esperando o melhor momento para investir sobre a defensiva inimiga.

Veio, então, o primeiro gol, aos 21 minutos. Quando Ramos pegou a bola na intermediária e lançou na diagonal para Sílvio, Paty correu em direção ao segundo pau. Sílvio avançou para o interior da área e cruzou. A bola chegou rasteira, pronta para ser desviada rumo às redes.

O Remo festejou muito, mas deu perigosa trégua nas ações ofensivas. Foi o suficiente para o Papão inverter o panorama. Passou a fustigar, com Pikachu pela direita e Romário pela esquerda, tendo Souza como pivô e Aylon correndo pelos lados. Apenas quatro minutos depois do gol remista, Romário cruzou e Aylon, sem marcação, acertou um cabeceio preciso.

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Restituído o equilíbrio, as equipes levaram o jogo até o fim do primeiro tempo arriscando bem menos. O Remo não repetiu mais o ímpeto inicial e o Papão concentrava esforços em tentativas centradas em Souza, que era bem vigiado por Max e Ilaílson. Ainda assim, não faltou emoção. Bismarck, pelo Remo, e Pikachu, pelo Papão, levaram muito perigo em dois lances de área.

Para a etapa final, Cacaio voltou com Levy no lugar de Bismarck. Antes que fosse possível avaliar a mexida, Eduardo Ramos recebeu livre e meteu bola para Paty entre os zagueiros. Marquinhos rebateu mal e o centroavante invadiu para chutar e desempatar, aos 40 segundos.

Paty ainda teria duas boas oportunidades. Na primeira, tocou à direita do gol de Emerson. Na segunda, foi travado quando ia bater para o gol. Na metade do segundo tempo, foi substituído por Val Barreto, que também desperdiçou dois bons ataques. No meio, Dadá e Ameixa mantinham a regularidade dos últimos jogos, lutando muito e levando vantagem sobre os meio-campistas do Papão.

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O Papão sofria com a lentidão excessiva na saída. Dado reforçou o ataque com Leandro Carvalho, mas tirou Carlinhos e sobrecarregou Jonathan e Augusto Recife. Em desvantagem, Dado liberou Jonathan para ir à frente, deixando Recife sozinho ao lado de Capanema à frente da zaga. Para corrigir o erro da substituição de Carlinhos, botou Leandro Canhoto no lugar de Capanema.

Essas alterações não mudaram, porém, a postura do time, que carecia de criatividade e rapidez. Aceitava passivamente o jogo de força do Remo na briga pela bola e não encontrava um jeito de furar o bloqueio defensivo do adversário. Recorria aos cruzamentos altos, todos anulados pela zaga.

No melhor momento do Papão no segundo tempo, Pikachu recebeu livre de marcação e invadiu a área. Fabiano saiu para fechar passagem e tocou no lateral. Pênalti. Fabiano tocou na bola, mas atingiu Pikachu. Pelo excesso de encenação no lance, o árbitro entendeu como simulação e expulsou o lateral bicolor, gerando um princípio de confusão.

Com um a mais, o Remo reteve ainda mais a posse de bola e desfrutou de vários contra-ataques. Antes do apito afinal, Levy mandou para fora duas bolas junto à área. Alex Ruan e Dadá perderam outras duas.

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Vitória conquistada na raça e na transpiração, como parece ser o novo perfil do Remo na temporada. Título do returno inteiramente merecido pela campanha de recuperação empreendida a partir da chegada de Cacaio. O desafio agora é manter o mesmo nível de competitividade.

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O peso (e a hora) das palavras

Sobre as declarações do presidente Alberto Maia ao final da partida, a prudência recomenda aguardar mais algumas horas por uma manifestação mais tranquila e comedida. No calor dos acontecimentos, irritado com o resultado, ele falou até em tirar o Papão do Campeonato Paraense de 2016.

Falou como torcedor, pois como presidente jamais poderia sustentar tal despautério. Até porque a eliminação no Parazão deixa o Papão fora da Copa Verde e da Copa do Brasil – da qual ainda poderá participar, a depender de posição no ranking.

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As novas frentes de batalha

A semana será de novas decisões para o Remo. Vai testar os nervos da torcida e os pulmões do time. Na quinta-feira, às 19h40, começa a decisão da Copa Verde contra o Cuiabá, no estádio Jornalista Edgar Proença. E no domingo, às 16h, tem a decisão do Parazão contra o Independente. Haja fôlego.

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Vitória vascaína e público maior na final carioca

Para os que vivem botando banca quanto a torcida, eis que a primeira partida da final carioca entre Vasco e Botafogo levou 45.488 torcedores à Arena Maracanã. Foi um público 73% maior que o do primeiro jogo entre Vasco e Flamengo pela decisão do ano passado, segundo informa o nosso ídolo Wellington Campos. Ah, quanto ao placar, o Vasco venceu aproveitando lance fortuito no apagar das luzes. Botafogo abusou de perder gols, o que permite crer que é possível reverter no próximo domingo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 27)

10 comentários em “Raça, mérito e polêmica

  1. Bela vitória azulina, estamos no caminho certo. Graças a Deus!

    Mérito para os jogadores e para o Cacaio que ontem deu um “nó tático” no Dadó colocando o Silvio nas costas do Picachu.

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  2. Time do Mais Querido ainda apresenta algumas fragilidades, sendo as principais a falta de precisão na troca de passes e a clara ansiedade nos momentos capitais de ataque, o que leva ao jogador pela conclusão da jogada, com o arremate em gol, quando poderia muito bem fazer o passe, dar a assistência ao companheiro melhor colocado. A estas fragilidades, para a final, parece que vem se agregar as dificuldades físicas, eis que as decisões ocorrem sucessivamente, consumindo tanto técnica, quanto psicologicamente o elenco. E isso fica evidente a cada partida, nas quais vai ficando cada vez mais claro que o time vem diminuido cada vez mais aquela pressao que dava no adversario já na saída de bola. Mas, isso é o lado frágil que não podemos esquecer se quisermos ser campeões. O lado que tem levado ao êxito, o qual, aliás, vem bem descrito e analisado na Coluna, vou falar noutro comentário.

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  3. Ia falar do mérito, agora. Mas, lendo um comentário do Especialista do Blog em arbitragem, escrito noutro post, opto por falar da polêmica, solicitando ao amigo Gerson que envide esforços para tentar conseguir as imagens de que fala o Edmundo, as quais mostrariam aquilo que as imagens até aqui disponíveis não nos permitem ver: a inexistência do penal. Afinal, as imagens da Cultura são um tanto deficitárias todos sabemos. Aliás, as imagens de tal emissora no Re/Pa do ano passado, já ajudaram a crucificar injustamente o Dewson quando não permitiram à galera ver que o árbitro paraense já parara o jogo antes da conclusão do lance e da bola cruzar a linha fatal. Aliás, peço ao nosso especialista que mande tais imagens ao Blog.

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  4. Se eu pudesse colocar um balão com frases na foto do Cacaio eu colocaria o seguinte: “Ô pessoal, eu tava aqui o tempo todo!! Por que não me contrataram antes!?” rsrs.

    Parabéns Cacaio. Sua humildade, capacidade e poder de aglutinação tem sido determinantes para o levante azulino.

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  5. Caro Antônio, já vejo significativa evolução tática, mesmo com as fragilidades remistas expostas pelas virtudes do Paysandu. Tenho visto Igor João mais bem postado para as sobras, mas ainda devendo nas bolas aéreas na área, ele tem que melhorar isso aí. Tenho visto Max como fundamental na defesa, o que mostra que o banco de reservas tem que melhorar muito para não deixar o time na mão quando precisar. Os laterais até têm avançado, mas acho que ainda falta mais entrosamento e condicionamento físico tanto a Levy quanto a Alex Juan porque têm mostrado dificuldade para apoiar no ataque e retornar à defesa. Mas, o ponto forte do time, sem dúvida, são os cabeças-de-área. Dadá e Ilaílson são fundamentais para a mudança do time em campo, e têm reserva à altura, com Ameixa. Macena e Alberto distoam desses, pouco, mas devem evoluir, com ligeira vantagem a Macena. E o ataque… Bem, Eduardo Ramos é tão fundamental quanto Dadá e Ilaílson no meio, e mesmo que o Remo tenha feito boas exibições sem ele, há diferença significativa na forma de jogar, e é bem mais fácil com ele em campo que sem ele. Ratinho e Bismarck praticamente se equivalem na velocidade, diferenciando um poco nas suas características, com Ratinho mais aberto e Bismarck mais agudo, finalizando mais que Ratinho. Eles devem ser a continuidade das jogadas de E. Ramos e o elo com os atacantes nas aproximações da área, o que está faltando um pouco mais a Ratinho que a Bismarck. Mas o mais legal disso tudo é o Paty ter desencantado, ou desencabulado, e o Sílvio jogado bem e ter feito até passe para o gol. Sei não, mas já começo a ver a saída do Rony mais como reforço que como desfalque porque a bola tem chegado com mais qualidade na frente. Seja lá como for que fique o Rony pelo Cruzeiro, um jogador completo ou não, sei que a condição atlética e tática que atingir por lá é tal que não seria jamais a que chegaria por aqui, mais ou menos como o que houve com Giovani, que era considerado mediano por aqui, e virou gênio no Santos, no Barcelona e na Grécia. Como com Cicinho, titular pelo Santos… Enfim, taticamente o Remo ainda só não evoluiu na medida da vontade apresentada em campo, mas deve evoluir mais porque conjunto tem muito a ver com vontade de acertar e de ganhar. É nisso que aposto para continuar torcendo pelo título do Parazão, que não virá facilmente contra o Independente. Cacaio sabe que com a vontade de vencer que o time tem mostrado, acertar passes, finalizações e desarmes, entre outros fundamentos, fica um pouco, mas só um pouco, mais fácil. Não sou de cantar vitória antes do tempo, respeito o adversário, brioso, mas que acho que dá pro Leão levar pra casa os dois canecos. Bora Leão!!!!!!

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  6. Acho que Cacaio tem tudo para ser o 1o técnico regional que o nosso amigo Cláudio Santos irá endossar ! rs O Cachorro de Peruca é favorito, contra o Independente. E, se vencer, acho que, com Cacaio, subirá a Série-C.

    Do lado do meu Papão, tudo indica que será uma Série-B de muitra frustração e o PSC entrará apenas brigando para não ser rebaixo. Maia, sentindo-se todo poderoso e envaidecido pelo seu cargo-passageiro, e não eterno, nem percebe que está numa rota suicida…Maia não aprendeu a lição vista no 1o mandato de Wandick.

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  7. Calma, Heleno Castro, aprendi que nada é definitivo no futebol.
    Até mesmo o Dado, que era considerado o “Cara” por muitos, agora já foi superado (em duas vezes) por Cacaio, um técnico “bombeiro”, como disse o amigo Claudio Santos.

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  8. CARO Antonio Oliveira,
    acabei de ver (rever) o lance em vídeo que dá a jogada em câmara lenta. O árbitro estava bem colocado no lance. Dá pra ver claramente que o Fabiano primeiro toca na bola deslocando-a, o jogador do PSC ao sentir isso cai, daí o árbitro dar cartão amarelo para o Yago.

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  9. Lopes, aproveito seu comentário para falar do que eu considerei meritório na vitória do Leão ontem.

    Antes, porém, gostaria de concordar com você quanto às dificuldades da zaga central azulina. De fato, ainda há aquela claudicância na zaga, responsável dentre outras crises defensivas, pela jogada que resultou no primeiro gol (o avante bicolor subiu sozinho entre os dois zagueiros azulinos) e pela jogada no final da partida que resultou na polêmica queda na área e expulsão do Pikachu.

    Dito isso, gostaria de acrescentar que, o grande mérito do Mais Querido esteve no poder de contra ataque e na articulação das jogadas de ataque. Neste particular, os volantes, o Alex Juan e depois o Levy tiveram excelente trabalho, mas pra mim o grande artífice foi o Eduardo Ramos. Tanto que foi dele a jogada dos dois gols. Ele combateu e procurou articular com seus companheiros, sempre com muita disposição. No primeiro gol deu uma arrancada entre tres adversarios e fez um passe milimetricamente correto para o Sílvio que serviu o Paty. No segundo, voltou para combater na intermediária defensiva, roubou a bola do Recife e arriscou um lançamento longo, o qual acabou sendo exitoso com o luxuoso auxílio do zagueiro, resultando num gol importantíssimo, decisivo, marcado pelo Paty.

    É com muita satisfação que escrevo estas linhas elogiosas ao trabalho do Eduardo Ramos. Quisera eu, no ano passado, ter podido fazer o mesmo. Mas, enfim, o que vale é o presente, e neste, o meia tem sido realmente uma arma importantíma para o time. Oxalá continui assim. Mas, repito, quando não forem possíveis os lançamentos milimétricos, nem as arrancadas, nem os gols, existindo o esforço, o empenho, a vontade, ainda que infrutíferos ou insuficientes, ele sempre contará com o respeito e até mesmo a compreensão da torcida. Ele e todos os demais.

    Mais sorte e muitas Graças ao Leão Azul nas partidas vindouras, eis que empenho, profissionalismo e já alguma arrumação tática e clarividência técnico-indidual já começam a aflorar.

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