POR GERSON NOGUEIRA
Sinal evidente da recuperação azulina no campeonato, depois da difícil vitória sobre o Cametá na quarta-feira, o bom humor está de volta aos arraiais azulinos. Um grande benemérito gracejava ontem, entre amigos, que deveria ser acrescentada aos estatutos do Remo a seguinte emenda: “Qualquer falta a nosso favor, será obrigatoriamente cobrada pelo Alberto”.
Brincadeiras à parte, é fato que há um bom tempo o Leão não contava com um cobrador de faltas tão exímio e certeiro quanto o volante trazido por Zé Teodoro. Não por acaso, Alberto, junto com Bismarck, é considerado o melhor reforço contratado para a temporada.
O chute forte, preciso e à meia altura é sua marca registrada, que chegou por aqui sem grande badalação. Desconhecido, foi visto a princípio como aqueles típicos reforços da cota pessoal do técnico. Aos poucos, foi encaixando no time e, superando as desconfianças, tornou-se peça indispensável, principalmente pela capacidade de marcar gols.
Foram quatro gols até agora, sendo dois no Parazão (Tapajós e Cametá) e dois na Copa Verde (Rio Branco e Princesa do Solimões), índice semelhante ao de Eduardo Ramos, que joga mais à frente e, em tese, tem mais oportunidades de marcar.
Enquanto Alberto desfruta de crescente prestígio, poucos jogadores remanescentes da temporada passada têm escapado às reclamações da torcida. As queixas, obviamente, têm a ver com os maus passos no primeiro turno do Campeonato Paraense.
Apesar disso, é justo destacar algumas exceções. Dadá, na proteção à zaga, tem sido muito firme e contribui com o setor de criação apoiando os avanços de Eduardo Ramos e Bismarck. Isso, é claro, não impede que na maior parte do tempo o Remo continue a lançar bolas na área como única opção de ataque.
O próprio Ramos tem se sobressaído. Mostra-se mais participativo, criando situações perigosas no ataque. Com os gols marcados, quase se aproxima do nível de sua primeira temporada no Pará, quando foi eleito o melhor jogador do campeonato, defendendo a camisa 10 do Papão.
Na partida contra o Cametá, outro jogador reapareceu brilhantemente. Fabiano, que fez um grande campeonato em 2014 e caiu de rendimento na Série D, voltou aos seus melhores momentos durante o confronto no Parque do Bacurau.
Fez três grandes defesas no segundo tempo, quando o placar ainda estava em branco, evitando gols certos do Cametá. Na mais difícil delas, defendeu em dois tempos o chute forte e cruzado do lateral Magno. A elogiada atuação de anteontem talvez devolva ao veterano goleiro a confiança da torcida.
Experiente e tranquilo, Fabiano é o mais seguro dos arqueiros disponíveis no Baenão e não merecia carregar a culpa pelo início cambaleante do time na competição estadual. Não falhou nas derrotas contra Parauapebas e Independente no turno e, na estreia do returno, foi o menos culpado pelos cinco gols que o time levou do Tapajós no Mangueirão.
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De olho nas lições do passado
O empate do Papão em Rio Brilhante na estreia na Copa do Brasil pode ser considerado um resultado positivo, pois dá à equipe paraense a chance de se classificar até com um empate em 1 a 1 na Curuzu na partida de volta. Ainda assim, parte da torcida ainda não assimilou o apagão do time no segundo tempo, deixando escapar a vitória fácil e permitindo a igualdade ao esforçado Águia Negra.
Em meio às discussões normais em torno do resultado já houve até quem levantasse a estapafúrdia tese de que o Papão poderia ter facilitado as coisas para fazer o jogo de volta e garantir renda em Belém. Absurda, a hipótese não encontra sustentação na lógica, visto que foi contra um representante daquela região, o Naviraiense, que o Papão sofreu uma de suas mais surpreendentes derrotas na Curuzu.
Na Copa do Brasil de 2013, jogando em Naviraí, o Papão venceu por 1 a 0, desperdiçando uma caçamba de gols e adiando a classificação. No retorno, em Belém, o bravo Naviraiense se encheu de brios e marcou 2 a 0, para espanto geral. Depois, no STJD, o Papão conseguiu reaver os pontos e se classificou, mas o mau resultado em campo ninguém esquece.
Como diz o inquieto alviceleste Nélio, comentarista do blog campeão, “é sempre bom lembrar que quem vive de passado no futebol não é museu, mas alguém que está alerta a tudo, para tirar lições e não se dar mal no presente”.
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Polêmicas do apito seguem a dupla Re-Pa
O lance do gol de Tony Love no primeiro tempo de Cametá x Remo ainda divide opiniões. O ângulo da câmera, na diagonal, não ajuda a dirimir as dúvidas. O auxiliar assinalou convictamente a posição de impedimento do atacante no momento em que partiu o cruzamento de Magno.
A arbitragem de Wasley do Couto foi, no geral, muito tranquila, mas o lance daria vantagem ao Cametá foi quase tão discutido quanto o golaço de Alberto na cobrança de falta. Com base nas explicações do bandeirinha ao amigo Edmundo Neves, informando que o atacante avançou e depois recuou para o cabeceio, fico com a marcação final.
Mais ou menos como o gol anulado de Giovani, do Castanhal, no jogo contra o Papão, no último sábado. No Maximino Porpino, a decisão final foi do árbitro Dewson Freitas, que explicou ter seguido os critérios definidos pela Fifa para lances de risco físico.
Os críticos da interpretação observam que na Libertadores lances como aquele são corriqueiros. Na hora, quando comentava o jogo na Rádio Clube, considerei a jogada limpa, mas depois de ver imagens da RBA mudei de opinião, concordando com a decisão de Dewson.
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Um nocaute na violência
O amigo e conterrâneo Zezé, incansável baluarte do nosso boxe, promove neste domingo (22) a caminhada “O Esporte pede paz. Dê um nocaute na violência”. A saída será às 8h30 da avenida Almirante Tamandaré (esquina com Carlos de Carvalho), percorrendo as ruas da Cidade Velha e centro da cidade. A iniciativa é das mais edificantes: visa estimular os jovens a verem no esporte um caminho para a cidadania.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 20)
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