POR GERSON NOGUEIRA
A ausência de torcidas mais participativas pode ter sido fundamental para o clima morno nas semifinais do primeiro turno, realizadas no fim de semana. Tanto em Parauapebas quanto em Santarém faltou a chama de vibração que diferencia jogos decisivos de simples amistosos. É claro que contribuiu para essa percepção as atuações apenas burocráticas dos times, com alguns bons lampejos por conta de lances individuais.
No embate realizado ontem em Santarém, o Independente adotou postura cautelosa no começo como estratégia para conter a velocidade e o entusiasmo do Tapajós. No tempo final, prevaleceu a organização tática do Galo, resultando no triunfo que garante sua presença na decisão do turno.
A rigor, pouco de interessante foi visto no primeiro tempo. Foi um jogo embaralhado e excessivamente preso à marcação. Para piorar, as equipes abusavam dos erros de passe e dos chutões. O Tapajós saiu na frente logo cedo, com Welton, e teve outras oportunidades, mas desperdiçou.
O Independente esperava para explorar o contra-ataque, mas saía com lentidão, exagerando na cautela. O empate (gol de Wegno, aos 23 minutos) tornou o time ainda mais preso ao seu próprio campo, raramente saindo para arriscar.
Depois do intervalo, a partida ficou mais destravada e mostrou equilíbrio desde os primeiros instantes. Logo aos 5 minutos, Moisés perdeu grande oportunidade para o Tapajós. Em seguida, Welton também chutou nas mãos de Alencar Baú. Pela necessidade de decidir, o Tapajós ousava nas ações de ataque, mas o Independente passou a sair de seu campo, com mais consciência que os donos da casa.
Apesar do ímpeto característico de seus jogadores, o Tapajós deixava a impressão de um time desorganizado, meio peladeiro, correndo a esmo e pouco preocupado com cobertura, antecipação e aproximação entre os setores. Disso ia se aproveitando o Independente para ganhar espaço.
Quando o jogo se encaminhava para a disputa em penalidades, aconteceu o que Lecheva e seus comandados tanto esperavam. Um cochilo de marcação do Tapajós permitiu a Jaquinha marcar o gol da vitória, aos 42 minutos, apenas um minuto depois de Adriano Miranda desperdiçar excelente oportunidade para o Tapajós.
Foi a segunda derrota seguida do Tapajós dentro de seus domínios em menos de uma semana. Sinal de que, apesar da boa participação no campeonato, o representante santareno precisa de ajustes.
O Independente recobrou a tempo o equilíbrio depois de resultados ruins no Parazão e na Copa Verde. Com tranquilidade, Lecheva fez o time se distribuir bem em campo, sabendo esperar as oportunidades. Passou alguns aperreios, mas liquidou a fatura quando surgiu a brecha.
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Um penal decide tudo em Pebas
Sem grandes jogadas de área durante o primeiro tempo, a semifinal de Parauapebas arrastava-se, monótona, até que veio o lance capital, aos 10 minutos do segundo tempo. A falta, em lance rápido, aconteceu fora da área. Apesar dos protestos cametaenses, a arbitragem assinalou a penalidade máxima, que garantiu a vitória ao time da casa.
Apesar de o Parauapebas ter jogado melhor principalmente no primeiro tempo, caso não houvesse a marcação equivocada do árbitro é provável que a decisão tivesse ido para os penais, pelas poucas chances agudas de gol para os dois lados. Aliás, na maior parte do tempo ficou a impressão de que os dois lados preferiam esse desfecho, tal era o comodismo e o pouco caso com as jogadas ofensivas.
O panorama foi um pouco melhor no segundo tempo, quando o Cametá parece ter lembrado que contava com dois atacantes rápidos, Branco e Cassiano. O problema é que a bola só chegava aos dois na malsinada ligação direta, que acaba por facilitar as coisas para os zagueiros.
Depois do lance do pênalti, o Parauapebas se fechou ainda mais e teve sua vida bastante facilitada no final pela expulsão de Leandrinho. Bem postado, com atuações seguras de Gustavo e Régis, o time de Léo Goiano controlou as ações e assegurou a passagem à final do turno.
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Rendas abaixo da expectativa
Quando se fala que o futebol do interior evoluiu dentro de campo, mas ainda precisa crescer no entorno, muitos dirigentes costumam reclamar. As duas arrecadações das semifinais demonstram que muito ainda a fazer junto ao torcedor para que apoie seus times.
Em Parauapebas, a renda anunciada foi aquém do público presente, mas, ainda assim, a torcida presente não era compatível com a importância da partida. Já em Santarém, cidade que normalmente incentiva suas equipes, o Tapajós se ressentiu da ausência de mais gente nas arquibancadas.
Algo precisa ser feito para que o avanço técnico seja acompanhado pelo crescimento popular, base e sustentáculo maior do futebol.
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Arbitragem vacilante nos dois jogos
Um ponto comum nos dois confrontos interioranos: arbitragens fracas, que acabaram interferindo nos resultados. No jogo de sábado, em Parauapebas, o pênalti para os donos da casa foi marcado erradamente. A falta ocorreu fora da área, mas o árbitro entendeu como se tivesse acontecido dentro.
Em seu favor, o fato de que foi um lance rápido, que dá margem à interpretação equivocada. De todo modo, a jogada foi determinante para a classificação do Parauapebas para a final do turno.
Em Santarém, ontem, outro erro grave. Welton marcou o que seria o segundo gol do Tapajós, mas o lance foi invalidado como se houvesse impedimento. Não havia.
A Federação Paraense de Futebol deve se preocupar mais com a escala de árbitros para a grande decisão do turno, no próximo domingo. Já houve um campeonato marcado por falha de arbitragem – 2012 – e é bom que a situação seja evitada.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 02)
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