POR GERSON NOGUEIRA
Aconteceu o previsto. A dupla Re-Pa sai prematuramente da disputa do primeiro turno antes do encerramento da fase classificatória. É a primeira vez que os grandes da capital não disputam as semifinais de um turno do campeonato estadual. Pelos investimentos feitos pelas duas diretorias, a situação configura um tremendo vexame.
O Papão nem chegou a entrar em campo. Foi eliminado porque tem apenas três pontos ganhos e não pode mais alcançar Tapajós e Cametá, ambos com sete pontos conquistados em três jogos. O golpe de misericórdia foi a vitória do surpreendente time santareno dentro do Parque do Bacurau, por 2 a 1.
Já o Remo sai de cena após empatar com o São Francisco, por 1 a 1, em Santarém. Incrível: foi o primeiro ponto conquistado pelos azulinos em três rodadas. No grupo, Independente (9 pontos) e Parauapebas (6) já estão garantidos nas semifinais. Sob todos os pontos de vista, um vexame sem precedentes na história dos rivais centenários.
O infortúnio do Remo vinha se desenhando desde a estreia no Parazão, quando perdeu em casa para o Parauapebas, por 2 a 1. Perdeu também para o Independente na segunda rodada. Ontem, desesperado, foi a Santarém tentar permanecer vivo na competição. Não deu.
Precisava vencer, até encaminhou a vitória com o gol ainda no primeiro tempo, mas sucumbiu a erros primários de sempre e cedeu o empate. E olha que o São Francisco cansou visivelmente nos vinte minutos finais, sentindo a falta de quatro titulares.
Além da pressão natural sobre os ombros do time, o que espanta no Remo atual é a absoluta ausência de força para se impor, principalmente quando longe de casa. No Barbalhão, a partida parecia de início sob feição para o meio-campo remista, liderado por Bismarck e Eduardo Ramos. Livres de marcação, ambos avançavam sempre com a bola dominada e tinham espaço para manobrar.
O São Francisco custou a corrigir esse descuido, mas ainda assim o Remo continuou mais efetivo até que os donos da casa decidiram partir para os cruzamentos sobre a área. Todos partiam do lado esquerdo da zaga azulina e levavam muito perigo. Cadu chegou a desviar de cabeça e a bola bateu no travessão de Camilo.
Depois do susto, o Remo se reaprumou e partiu para definir. As jogadas em velocidade se repetiam, envolvendo sempre Roni e Bismarck. O São Francisco tinha dificuldades para marcar e foi assim que nasceu o gol, em finalização de Flávio Caça-Rato, até então pouco acionado no jogo.
O gol tranquilizou os azulinos e travou o São Francisco. Tudo indicava que no segundo tempo o Remo podia até ampliar o marcador, pois demonstrava empolgação com a vantagem e jogava melhor.
Acontece que no segundo tempo a equipe esqueceu alguns cuidados básicos. O principal deles: não desperdiçar tantas chances nascidas de contra-ataque. Eduardo Ramos, Roni e Caça-Rato abusaram do desperdício. O São Francisco tentava reagir e saía em bloco, mas deixava um imenso buraco em sua intermediária.
Mesmo fechando a marcação em seu campo e saindo com grande facilidade, o Remo não conseguiu executar um só contra-ataque. Pressa, afobação, excesso de firulas e erros de finalização. Tudo isso junto fez com que o jogo se arrastasse até quase ao final com a vantagem magra no placar e o São Francisco aparentemente controlado e exausto.
Ocorre que um cochilo da marcação na entrada da área permitiu ao combalido Leão santareno um chute forte em direção ao gol. O goleiro Camilo rebateu a bola nos pés do bom ala esquerdo Gerson, que, desmarcado, só fez tocar para as redes.
Castigo merecido para o time azulino, que teve a partida nas mãos durante a maior parte do tempo, mas não teve competência para matar o jogo quando teve oportunidade para isso. Nas circunstâncias, o que se esperava era um Remo mais decidido a fazer gols no tempo final. Ao contrário, Zé Teodoro manteve o time interessado apenas em contra-ataques, mas sem volume suficiente para encurralar os donos da casa.
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Peripécias do Boto tapajônico
Ninguém esperava nada do Tapajós, que é um dos estreantes na competição, ao lado do Parauapebas. Seu cartão de visitas foi a incontestável vitória sobre o Papão logo em seu primeiro jogo. Em seguida, saiu para enfrentar o Paragominas e quase obteve novo triunfo. Ontem, em Cametá, voltou a exibir arrojo e não tomou conhecimento dos donos da casa e marcou 2 a 1.
Repleto de jogadores rejeitados pelos grandes, como Moisés, Patrick e Adriano Miranda, o Tapajós não exibe nenhuma grande novidade tática. É apenas um time que usa bem a velocidade e conta com um camisa 10, Wendel, que sabe o que fazer com a bola.
O técnico Victor Hugo, ao contrário da maioria de seus colegas de Parazão, não tem medo de atacar. O Tapajós atua sempre buscando a vitória, mesmo quando não está no Barbalhão. Num campeonato equilibrado por baixo, com times ainda desajustados, a ousadia tem feito a diferença.
Ainda há muito jogo pela frente e o primeiro turno continua em aberto, mas ninguém deve se surpreender se o time que entrou como franco-atirador acabe virando a sensação do campeonato. Quando levantaram o título estadual, Independente e Cametá tinham esse mesmo desprendimento exibido agora pelo Tapajós. A conferir.
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Parazão pode ter apenas um Re-Pa
O campeonato de 2014 ficou famoso pela overdose de clássicos. Chegou a um ponto que nem as duas fanáticas torcidas aguentavam mais. Desta vez, pode ocorrer justamente o inverso.
Pelos rumos tortuosos da competição, é provável que Leão e Papão só se enfrentem uma vez, justamente na etapa classificatória do returno.
Com times cambaleantes até aqui, não é absurdo prever que ambos voltem a encontrar dificuldades para chegar às semifinais e à decisão do segundo turno.
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Copa Verde: verba minguada
Totaliza R$ 810 mil a verba destinada aos participantes da Copa Verde deste ano. O dinheiro será pago pelo canal Esporte Interativo. A equipe campeã, além de vaga garantida na Sul-Americana 2016, vai faturar R$ 175 mil por toda a campanha.
É pouco.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 20)
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