A super quinta-feira

POR GERSON NOGUEIRA

Quando o campeonato começou, ninguém podia prever que os dois grandes favoritos ao título do Parazão pudessem ser eliminados já na terceira rodada do turno. E isso pode ocorrer hoje à noite, caso o Remo tropece em Santarém e o Tapajós vença em Cametá. Fazia tempo que a dupla Re-Pa não passava por tamanho constrangimento.

unnamedO assunto já virou até clichê. É inegável a evolução técnica dos emergentes, demonstrada nos últimos anos pelos títulos de Independente e Cametá, mas cabe observar também que o nível de estagnação dos grandes é assustador. Apesar do acesso à Série B obtido pelo Papão, os tradicionais times da capital há tempos não se mostram superiores aos adversários mais modestos, sejam equipes paraenses ou de Estados vizinhos.

A competição deste ano mostra-se muito equilibrada desde o início, fato agravado pela fórmula de disputa, bem mais enxuta do que nos anos anteriores. Enquanto Cametá, Independente, Parauapebas, São Francisco e Tapajós voam em campo, remistas e bicolores patinam.

Enquanto o Remo busca sua melhor formação, padecendo da má condição de alguns jogadores, como o lateral George Lucas, o São Francisco mostra-se forte e pronto a garantir classificação dentro de seus domínios.

Para tentar pontuar no campeonato, o técnico remista Zé Teodoro planeja um esquema mais agressivo, com Eduardo Ramos e Bismarck jogando próximo aos atacantes. O problema é que o ainda inseguro setor defensivo ficará ainda mais exposto, apesar da presença dos volantes Dadá e Alberto. Um jogo de altíssimo risco para os azulinos.

Já o Papão pode ser eliminado mesmo sem jogar. Para isso, basta que o surpreendente Tapajós mantenha a pegada audaciosa diante do classificado Cametá no Parque do Bacurau.

O Parazão tende a sofrer com a saída de cena dos dois tradicionais rivais. As duas maiores torcidas ficarão ausentes da reta final do turno. Mas, como tudo na vida, há um lado bom. O fracasso servirá de alerta aos dois gigantes quanto ao que pode vir a ser o restante da temporada.

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Quando a má campanha azeda o carnaval

O bochicho em torno do atraso na reapresentação de Flávio Caça-Rato dá bem a medida dos humores da torcida quando um time está em baixa. Se o Remo estivesse liderando seu grupo, ninguém tomaria conhecimento do ocorrido. Haveria certamente quem até defendesse uma folga mais prolongada para o atacante.

Como o mar não está para peixe, nem para rato, a casa caiu. Em programa da Rádio Clube, ontem, houve torcedor responsabilizando até os dirigentes pelo ocorrido, dando a entender que não podem reclamar do atleta se também estavam fora do clube, curtindo o feriadão momesco.

Nada mais deslocado e sem sentido. Dirigentes não precisam estar dentro do clube para vigiar jogadores. Precisam, sim, estabelecer normas que seus funcionários devem obedecer. Além disso, o clube conta hoje com um gerente remunerado, que responde justamente sobre esse tipo de ocorrência.

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A diferença entre vontade e letargia

O Corinthians teve nove chances de gols, fez dois. O São Paulo não criou nenhuma, ficou no zero. Libertadores é torneio de características muito particulares. Uma delas é a obrigação de correr e se entregar ao jogo. Os tricolores pareciam de ressaca carnavalesca, ontem, ao contrário dos lépidos e dinâmicos corintianos. Os tricolores se deixavam marcar e os corintianos fechavam os espaços. Não havia como dar outro resultado.

O primeiro gol do jogo foi uma apoteose de tabelinha em velocidade, entre Danilo, Jadson e Elias, com arremate precioso deste último. Ainda houve tempo para um toque de polêmica na jogada do segundo gol, como quase sempre, em jogos do Corinthians. Foi visível o empurrão de Emerson Sheik no volante são-paulino. A bola foi ao ataque e Rogério Ceni aceitou, com mãos de mamona, o chute de Jadson.

Chamou atenção a partida quase letárgica de Paulo Henrique Ganso, de quem se esperava muito na Libertadores, depois de um final de temporada entusiasmante. Como o São Paulo depende muito dele, a ausência de imaginação no meio foi determinante para o insucesso.

Ganso, por sinal, mostrou-se descontrolado nas reclamações contra a arbitragem, fugindo ao seu estilo normalmente contido. No final, deselegante, subiu o tom e falou que o São Paulo foi roubado, que o árbitro merecia sair de camburão e citou até Serginho Chulapa, insinuando que o apitador merecia levar uns cascudos.

Definitivamente, o nosso camisa 10 não foi em campo e pior ainda fora dele.

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Campeões de verdade não trapaceiam

Não aprecio lutas e evito acompanhar os torneios de MMA. Pelo simples fato de que não é um esporte e porque não vejo graça na violência pura e simples como forma de disputa – dentro e fora de ringues ou octógonos. Prefiro ver técnica e respeito às regras.

O próprio boxe, cujas regras sempre foram bem claras – não bater abaixo da linha de cintura e proibição de chutes, cotoveladas ou cabeçadas –, nunca foi modalidade capaz de me encantar.

Agora, quando o sujeito é pago (muito bem) para bater e tirar sangue de adversários, torna-se inadmissível que ainda recorra a substâncias proibidas. É o chamado fim da picada.

O comentário visa responder a alguns questionamentos que recebi recentemente.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 19)

15 comentários em “A super quinta-feira

  1. Na mosca, Gerson. E que se aprove o quanto antes o projeto de lei que proíbe gatos gordos da mídia faturarem fábulas de dinheiro às custas da transmissão dessa selvageria,

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    1. Seria extremamente salutar para o conceito de esporte verdadeiro, amigo Amorim. Nos EUA, a transmissão das lutas é restrita a alguns horários de TV a cabo e em vários países da Europa a proibição vale para qualquer horário.

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  2. É, logo na terceira rodada, é realmente demais. Mas, pelo menos no caso Remo, era de se esperar o malogro, mais cedo ou mais tarde.

    Quando alguém que joga o futebol que o Caça-rato joga se sente à vontade para ir curtir o carnaval durante o expediente, significa que muito mais que o desempenho do time vai de mal a pior.

    Quanto ao clássico paulista me reporto a um aspecto muito específico específico, o árbitro de fato se equivocou no segundo gol, mas se o Ganso tivesse tido a mesma desenvoltura e incisividade em campo que teve para criticar a arbitragem, o time sampaulino poderia ter logrado um melhor resultado.

    Esportes e esportistas de toda a especie e de maior ou menor prestigio junto a midia padecem com a praga do doping. Aliás, varias atividades humanas, além do esporte, sao exercidas mediante doping. O MMA, como esporte que é, não poderia ser diferente.

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  3. Sobre o clássico, a Libertadores da América tem mesmo essas características e na minha opinião, é o torneio interclubes mais difícil do mundo, porque existem dificuldades tanto dentro, quanto fora de campo. Você pode jogar na gelada noite argentina, na agradével noite paraguaia ou colombiana, na angustiante altitude da Bolívia e do Equador e no escaldante deserto mexicano.

    Não gosto do Curintia, mas dessa vez eu tirei o chapéu pro time que jogou direitinho como manda a cartilha da competição. Colocou o SPFC no bolso e haja aguentar o filósofo e futebolista Tite.

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  4. Gerson e amigos, uma coisa interessante que pude observar, é que, nas 2 chaves, nenhum time está desclassificado e nenhum time está classificado… Matematicamente.

    Na chave A1, se o Castanhal e São Francisco, vencerem hoje, seus jogos, por diferença de 2 gols, o São Francisco praticamente coloca a mão na vaga, só dependendo do Castanhal não vencer o Remo, na última rodada..

    Na chave A2, Se o Tapajós vencer o Cametá, hoje, por qualquer placar, assume a liderança, elimina o Paysandu e coloca o Paragominas na luta, pois se vencer o Gavião e o PSC, entra na vaga do Cametá…

    Ao Remo: Resta vencer e bem o SF, hoje… Torcer para que o Castanhal vença o Independente, se possível por 1 gol de diferença, a partir de 3×2, 4 x 3…Isso para que o Galo não perca a 1ª posição e force o Pebas a vencer ele na última rodada..

    Ao PSC, resta torcer para que o Tapajós não vença seus 2 jogos e ele vença o PFC, na última rodada, para se classificar

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    1. Cláudio, continuo achando a situação da dupla Re-Pa agonizante neste primeiro turno. Pode haver alguma surpresa, mas é improvável que os interioranos permitam a classificação de ambos.

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  5. li e ouvi, ontem, algumas pessoas com dúvidas sobre alguns itens do regulamento do Parazão 2015:

    1- Semi finais e finais, só serão no Mangueirão, se delas participarem Remo ou Paysandu… Caso contrário, será na casa do 1º colocado no grupo…
    Ex: Parauapebas(1º A1) x Tapajós(2º do A2).. Jogo será em Parauapebas

    2- Nas semi finais e Finais, as rendas serão divididas em 60% e 40%… Acontece que não haverá divisão, em partes iguais das rendas… Ou seja:

    Ex: Parauapebas(1º A1) x Tapajós(2º A2)… Termina empatado… Levará os 60%, o time que vencer nos penais… Ou seja, o classificado à próxima fase, é que levará os 60% da renda

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    1. Confesso que já acreditei mais no potencial do nosso camisa 10. Esperava que, depois do bom final de temporada em 2014, ele entrasse arrebentando este ano. Infelizmente, está começando mal. Pior que isso: exagerou nas reclamações e xingamentos ao árbitro no clássico de ontem.

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  6. O toque do Sheik no adversário deixa dúvidas, de fato. No entanto, a queda espalhafatosa do sampaulino pode ter dado ao juiz a sensação de simulação e a consequente decisão, em uma fração de segundos, de mandar o lance seguir. Tenho dúvidas se um árbitro de outro país que dispute a competição marcaria a falta naquela circunstância, até mesmo porque o jogador tricolor deu a impressão de ter caído porque quis.
    Quanto ao Ganso, continua em falta com o jogo mais pegado, sendo mais dado a jogos/exibição.

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  7. O curioso é que o Caça viajou e o Radamés mostrou mais profissionalismo ficando.
    A culpa é de quem liberou ele.

    O São Paulo foi assaltado, mas também não jogou mais bola que o Timão.

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