David Carr, autor de A noite da arma, publicado em 2012 pela Record, morreu na quinta-feira, dia 12/2, aos 58 anos, após um mal-estar súbito na redação do jornal New York Times, onde trabalhava. Carr esteve Brasil ano passado como autor convidado da FLIP 2014 para participar de debate sobre a relação entre o jornalismo e o poder. O jornalista redefiniu, na autorreportagem A noite da arma, o conceito de memória por meio da exposição reveladora de seus anos como viciado, fazendo uma crônica da sua jornada sem rumo pelas drogas pesadas até se tornar colunista de mídia e cultura do New York Times.
Em A noite da arma, David Carr redefine o conceito de memória por meio da exposição reveladora de seus anos como viciado, fazendo uma crônica da sua jornada sem rumo pelas drogas pesadas até se tornar colunista doNew York Times. “Todos os esforços foram realizados para corroborar a memória com fatos; nos casos significativos em que isso não foi possível, esta ausência está indicada no texto. O que não quer dizer que cada palavra deste livro seja verdadeira — todas as histórias humanas estão sujeitas a erros de omissão, de fato ou de interpretação, independentemente da vontade —, mas apenas que é tão verdadeira quanto a pude tornar”, afirma o autor.
Baseado em sessenta entrevistas gravadas, registros médicos e legais e três anos de reportagem investigativa, este livro é um relato feroz de um repórter que usa as ferramentas do jornalismo para checar os fatos de seu próprio passado. A pesquisa de Carr sobre a história dele mesmo revela que a odisseia que percorreu do vício até a recuperação, passando pelo câncer e pelos desafios de ser um pai solteiro, foi muito mais pesada — e, no fim, mais miraculosa — do que ele se permitia lembrar.
Em um primeiro momento, e de certa maneira, a história de A noite da arma é comum — um garoto branco chega ao fundo do poço e recupera a sanidade graças ao amor de sua família, ao entendimento de que existe algum Deus e a um grupo de apoio que permanece não identificado. No entanto, quando toda a verdade é dita, a história não para por aí. Depois de 14 anos, Carr tentou beber socialmente, o que resultou em recaídas cruéis. Como repórter e colunista do maior jornal dos Estados Unidos, ele prosperou, mas continuou sem poder usar substâncias que alteram o humor, em uma busca diária por autocontrole e sobrevivência.
De maneira forte e eloquente, corajosa e sarcástica, A noite da arma desvenda como a memória nos ajuda não apenas a criar uma vida, mas a triunfar sobre ela.
David Carr era repórter do New York Times. Escreveu para o jornal The Atlantic Monthly e para a revista New York, além de ter editado o Washington City Paper e o Twin Cities Reader.

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