Chance de refazer planos

POR GERSON NOGUEIRA

A derrota para o Cametá anteontem à noite na Curuzu, apesar de desastrosa para as pretensões do Papão no primeiro turno, deve ser encarada com o devido pragmatismo. As vaias irritadas do torcedor não desviar a atenção de quem comanda a gestão do futebol. Perder no começo do Parazão funciona como um poderoso alerta para os dirigentes quanto ao planejamento para as competições mais lucrativas e importantes da temporada.

unnamed (10)É notório que o certamente estadual está longe de ser prioridade máxima para os bicolores. Se alguém perguntar, todos no clube irão dizer que querem o título, claro, mas o fato é que ninguém vai quebrar estacas por isso. Por ordem de importância, o Parazão vem depois do Campeonato Brasileiro da Série B e da Copa Verde, que garantem visibilidade e acesso a competições de alto nível.

Por tudo isso, agiu bem o presidente Alberto Maia ao avalizar publicamente o trabalho do técnico Sidney Moraes, que saiu da Curuzu ouvindo os gritos da torcida por Mazola Jr., seu antecessor. O futebol costuma ter pressa, principalmente quando há uma torcida grande e exigente por trás.

Aos gestores cabe transmitir serenidade e profissionalismo nas escolhas, sem se deixar impressionar pela gritaria que vem das arquibancadas. No final de dezembro, quando se interromperam as negociações para a permanência de Mazola, o Papão foi atrás de Sidney Moraes, profissional jovem e bem referendado no mercado. Encaixa-se bem no perfil que o clube idealiza para a temporada.

Seria inadequado julgar o trabalho de Moraes depois de cinco partidas, apesar do aproveitamento negativo. Com 19 novos contratados, o elenco é forte e suficiente para as competições iniciais da temporada, mas o treinador ainda necessita de tempo para formatar um time competitivo.

O que se viu diante do Cametá foi uma equipe pressionada pelos tropeços em Santarém e Macapá. Preocupados em conquistar um bom resultado, os jogadores se mostraram afoitos demais nas finalizações. Até Pikachu, um bom finalizar, não conseguiu acertar o pé. Rogerinho perdeu duas oportunidades claras e Bruno Veiga também se precipitou na melhor chance que teve.

As carências criativas voltaram a aparecer, principalmente depois que o Cametá estabeleceu a vantagem. A falta de solidez tática trouxe intranquilidade que as habilidades individuais não conseguiram anular.

Como o meio-campo tem dificuldades para se arrumar, defesa e ataque sofrem as consequências. Lá atrás, o lance do gol evidenciou isso. Os zagueiros foram traídos pela bola jogada no segundo pau e desviada para o meio da área. A desarrumação foi completa. Muito mal marcado por Marlon, Vânderson teve espaço para girar e bateu colocado no canto esquerdo.

Já os homens de frente sofrem de solidão, que é o mal do século e um dos mais letais para o sucesso de atacantes. Bruno Veiga voltava muito para buscar jogo e Pikachu só conseguiu aparecer quando caía pela direita, tendo Djalma como escolta. Insuficiente para um time que precisará de um ataque forte e produtivo.

Diante de tudo isso, o mau resultado oferece ao Papão e seus gestores a chance de refazer planos, ainda a tempo de encontrar o rumo certo. Sem precipitações.

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CBF abre o cofre na Copa do Brasil

A Copa do Brasil, torneio que há muito tempo deixou de ser menina dos olhos para os clubes emergentes, vai garantir ao campeão deste ano cerca de R$ 8 milhões em prêmios. Sem dúvida, uma das maiores recompensas financeiras do futebol sul-americano, que reflete a alta lucratividade da CBF com o torneio, tanto quanto a cotas de patrocínio quanto a direitos de exibição.

Curiosamente, caso o campeão venha dos rincões do Norte e Nordeste ganhará menos do que se o time vencedor seja do eixo Sul-Sudeste. É que a CBF prepara três grupos de competidores, destinando aos nortistas cotas menores nas primeiras fases da Copa. Com isso, a façanha de superar times muito mais fortes, renderia um prêmio de R$ 7,5 milhões.

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Três forasteiros em maus lençóis

Quando o campeonato começou, os técnicos forasteiros despertavam mais curiosidade e expectativa. Zé Teodoro, Sidney Moraes e Carlos Alberto Dias chegaram com o cartaz da vivência em outros centros, mesmo que Dias fosse mais conhecido pelo passado como jogador de grandes clubes.

Os elencos mais reforçados foram entregues ao trio mais bem pago do campeonato, mas os primeiros resultados demonstraram que terão muitíssimo trabalho pela frente para fazer jus ao prestígio de que desfrutam.

Até o momento, os três conseguiram somar apenas quatro pontos em sete partidas disputadas na competição. O Papão de Sidney ganhou três pontos, o Castanhal de Dias tem um e o Remo de Zé Teodoro continua zerado.

É verdade que o campeonato está apenas no começo, mas é fato também que o formato enxuto permite poucas chances de recuperação a quem deixa de pontuar nos jogos caseiros. Coincidência ou não, os três vacilaram principalmente nas atuações como mandantes.

Sidney reúne possibilidades de levar o Papão à semifinal em seu grupo, embora não dependa mais exclusivamente de suas próprias forças. Para Dias e Zé as chances são mais remotas, beirando o milagre.

A dificuldade de adaptação à região pode ser a explicação para o fracasso inicial dos treinadores citados e o consolo é que, caso consigam sobreviver a este mau início, ainda terão o segundo turno para mostrar serviço.

 (Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 13)

21 comentários em “Chance de refazer planos

  1. Nem ao céu, nem ao inferno. Sidney está longe de ser o técnico ideal, ja que ao longo da carreira acumula mais fracassos do que vitórias. Ano passado, por exemplo, foi sofrível para o técnico bicolor que teve derrota atrás de derrota. Mesmo assim, penso que seja prudente manter Sidney, ja que foram poucos jogos para se avaliar de fato o treinador, todavia, se a balada de derrotas continuar; creio que será inevitável troca-lo.

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  2. Sobre a parte da coluna que toma o parazinho como campeonato não prioritário para o PSC, lembro apenas o seguinte; o parazinho dá vagas para Copa Verde e do Brasil do ano de 2016. Logo, o PSC não pode se dar o luxo de não se classificar para as finais nos turnos, muito menos pode se dar ao luxo de correr risco ou ser rebaixado.

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  3. Sobre tempo de formatação, lembro que este ano tivemos a maior pré-temporada do Brasil. Logo, em que pese o fator adaptação, não deixa de ser uma desculpa esfarrapada… Ainda mais que Remo e PSC estão competindo com equipes que iniciaram a preparação depois dos dois gigantes… Em resumo: é uma vergonha.

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  4. Discordo um pouco sobre a cotação de Sidney ser boa no mercado, ano passado não teve resultados bons, como eu disse é uma aposta de risco, é como quando alguém vai investir nas ações de uma empresa de risco, já se deve levar em consideração as primeiras “quedas” e não se pode tirar o investimento logo no começo, entretanto, dependendo da dimensão do fracasso, se ele ocorrer, no Parazão pode ser que a permanência de Sidney Moraes seja insustentável, entretanto fica a advertência de que uma segunda contratação de técnico não deixa espaço para apostas, ai sim eu digo que é bom Paysandu abrir os cofres se não quiser voltar para a série C, lembro que ano passado tínhamos um bom elenco, o que temos hoje é um elenco ainda em formação, presidente fez o certo em dar voto de confiança, mas deve lembrar que confiança tem limite.

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  5. Voto de confiança? Em campeonato de tiro curto?, eu concordo com as palavras do Carlos Lira.
    Para mim, o orgulhoso presidente e imprudente, do Paysandú está a passos largos de deixar o time fora da Copa Verde de 2016, esse papo furado de que o parazinho não significa nada, foi-se o tempo, como lembrado pelo amigo, sem o título, vice-campeonato ou o terceiro lugar tchau, Copa Verde e vaga na Copa do Brasil.
    Mais ainda, o prejuízo financeiro de ficar fora das finais do primeiro turno até agora o petulante presidente ainda não apareceu na mídia para dar uma satisfação aos torcedores de qual será a fórmula mágica para deixar em dia a folha do plantel e comissão técnica, ou ele acha que com estes resultados, dignos de um Liberato de Castro dos anos em que o futebol paraense era composto por times montados em botequins de esquina, irá manter em alta a estima do torcedor bicolor para pagar o ST?
    Eu já disse e repito, eu quero estar completamente enganado e ver o Papão ganhando tudo com o atual elenco e comissão técnica, mas, por enquanto, para minha infelicidade, eu estou certo!

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  6. Sidney está cometendo o erro de manter Pikachú no meio e Djalma na lateral, pelo jeito, não era invenção do Mazola, mas imposição de algum “intelijente e çabiu” que está fritando o treinador que não tem o menor pulso diante do elenco.

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  7. Gerson e amigos, penso que, pra um projeto a que se propôs a diretoria do Paysandu, tá muito cedo pra se pensar em demitir técnico.. Aliás, projeto esse que levou muitos torcedores a apoiar… PSC, jogou contra o Cametá, apenas com 4 jogadores do time titular do ano passado: Djalma, Yago, A.Recife e Bruno Veiga…. (Capanema, não era titular)… Logo, mudou meio time… Não se encontra conjunto, mexendo a todo jogo, porque o torcedor quer ou o dirigente quer…. Se mexer todo jogo, vai demorando mais esse conjunto…

    Nem Mazola e nem Dado Cavalcante foram contatados… Falei com os 2, ontem a noite… Vamos com calma..

    Paysandu, precisa de sequência do time titular, pra ganhar conjunto… E o torcedor vai precisar ter paciência… Pelo menos, por enquanto

    É a minha opinião

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  8. Incrívelll. Mas ontem postei aqui que as únicas pessoas qie não cismaram com a cara do Mazola em Belém foram os componentes da torcida nação bicolor, a torcida milionária do norte, que sempre o apoiou. No mais, muita gente em Belém e até no Pará repudiou o treinador, principalmente pessoas da imprensa local, muitas vezes sem motivo aparente. E sobre isso que o grande escriba baionense postou sobre Sidney Morais apoiando-o , cujo treinador não disse o que veio fazer e já deixa o Papão eliminado do primeiro turno há duas rodadas de antecedência com campanha desastrosa. Isto é muito grave patra um time eque está portas de uma serie B. E assim como Gerson Nogueira, muitos estão ainda o apoiando, fazendo essa ressalva que é ainda cedo para avaliar. Aí eu com muita coerência, faço a pergunta que não cala: SE FOSSE O MAZOLA NO LUGAR DO SIDNEI COM ESSA CAMPANHA, TERIA ESSA RESSALVA POR PARTE DA IMPRENSA???? Eu, honestamente, acho que NÃOOOOO. Alguns da imprensa cito como o Ruy, que não criticou ainda o Sidney, que se fosse o Mazola, já estaria dizendo que foi um erro a contração do Mazola, e preocupante o futuro do Papão nas mãos do treinador, mesmo se mazola estivesse aí e o papão classificado. Mas é o Sidney que é educado às pampas com a imprensa, está poiado e sem pressão, por isso que esse Maia vem com esse papo de dar apoio a ele. Na minha opinião, a imprensa não quer treinador competente aqui, ela quer é treinador educado que de entrevista toda hora e com brilho de alegria nos olhos tipo Sidnei Morais, porque NO pAPÃO mesmo se for um treinador TIPO RINUS MICHELYS, que foi o melhor do mundo, GARDIOLA, vão dizer que não presta se não for simpático com a imprensa. Infelizmente é isso.

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  9. Meu Paysandu deve jogar assim: Andrey, no gol. Zagueiros: Dão e Magno Alves. Laterais: Marlon e Pikachu. Meio Campo: Recife, Jonathan, Rogerinho(centralizado), Canhoto(pela esquerda) e Leleu(pela direita). No ataque: Cearense ou Héber.

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  10. Assino tudo em baixo o que colocou o amigo Celira, apenas adiciono o seguinte, o SC nem era pra ter vindo.

    Com todo respeito as demais equipes, é inadmissível que o bicolor perca duas seguidas no parazão.

    Inadmissível não está na fase final de cada turno
    Inadmissível não ser campeão do estado, sendo ele o único time que tem série e com isso receita suficiente pra formar um time que preste e com um técnico gabaritado.

    Se ficarmos calado achando que isso é normal, em pouco tempo estaremos na lama.

    Torcedor bicolor tem que reclamar nas redes sociais, na radio, no jornal etc, onde sua voz alcançar o Maia.

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  11. Concordo com o Cláudio, ainda é cedo pra cobrar o projeto proposto pela diretoria, eu aderir ao sócio torcedor e vou continuar apoiando, falamos tanto em planejamento, mas quando começa o campeonato esquecemos e queremos resultador imediatos o time perde uma (nesse caso duas) e começa todo mundo xingando treinador, presidente etc.. vamos com calma!

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  12. Marcelo, da minha parte o Maia tem todo apoio do mundo, mas como já tou calejado de quantidades de erros cometidos em anos anteriores.

    Penso que reclamar agora é uma forma de ajudar a diretoria.

    O Parauapebas só não tem 9 pontos no campeonato porque perdeu pro SF que tem 6 e só jogou duas partidas.

    O Paysandu fez 3 partidas, só ganhou uma, perdeu duas e a meu ver e de muitos sendo escalado erradamente. Está quase fora da final e que querem o torcedor fique calado?

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  13. A situação de Remo e Paysandu está feia também fora de campo. Tudo indica que eles perderão o patrocínio de uma rede de farmácias este ano, ficando apenas com o banco do estado. A curuzu não tem placas de publicidade, o baenão sequer é utilizado. O que arrecadam em patrocínio (pífios 54 mil do banco) não será suficiente para honrar os acordos trabalhistas.

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