POR GERSON NOGUEIRA
O campeonato estadual prossegue hoje com três jogos que podem definir os rumos do primeiro turno. Em Belém, bicolores e cametaenses se enfrentam na Curuzu, pelo grupo A2. Independente e São Francisco em Tucuruí e Castanhal e Parauapebas em Castanhal são os confrontos do grupo A1. No caso do Papão, o jogo vale a reabilitação pelo revés em Santarém na segunda rodada e também a chance de recuperar a liderança da chave.
Algumas novidades podem despontar no time alviceleste. Atacantes Leleu e Aylon talvez sejam aproveitados ao longo da partida, embora o ataque titular continue com Bruno Veiga e Leandro Cearense. Para o meio-campo, Romário foi relacionado pelo técnico Sidney Moraes.
Depois do começo alvissareiro diante do Gavião, quando fez quatro gols em apenas 45 minutos, o Papão caiu drasticamente de rendimento contra o desfalcado Tapajós em Santarém. As imensas dificuldades para neutralizar a correria e marcação dos santarenos expuseram as fragilidades da defesa e comprometeram principalmente as ações ofensivas.
O insucesso no Barbalhão deixou a sensação de que a goleada em cima do Gavião foi mesmo um resultado atípico, mais motivado pela fraqueza do adversário do que pelos méritos do Papão. Ao contrário do que possa parecer, porém, a derrota pode ser vista como um alerta e ajudar a redirecionar o planejamento de Sidney Moraes.
Equipes em começo de temporada tendem a oscilar muito, dependendo bastante do condicionamento dos atletas. É normal que os jogadores ainda não estejam no apogeu da forma física e técnica, o que influi diretamente na produção geral.
A situação pode levar a resultados negativos quando os adversários já têm mais tempo de preparação e jogam dentro de seus domínios. Foi o que ocorreu em Santarém, onde tradicionalmente os grandes da capital enfrentam provações. Com velocidade e aplicação, o Tapajós explorou pontos mais vulneráveis do Papão, como as laterais e a distância entre defesa e meio-campo.
Para a partida seguinte contra o Santos, em Macapá, valendo pela Copa Verde, Sidney Moraes não teve tempo para modificar a formação. A atuação foi melhor, o time evoluiu quanto ao entrosamento, mas voltou a hesitar nos instantes finais, permitindo o empate e correndo riscos de sofrer o segundo gol.
O confronto servirá como teste para a atual escalação. Nas três partidas oficiais, o Papão marcou seis gols, sendo apenas um marcado por atacante (Leandro Cearense). Caso o ataque permaneça tímido, o técnico certamente vai partir para mudanças imediatas. Heber, Leleu, Aylon e Leandro Carvalho são alternativas naturais. E os titulares atuais que se cuidem, pois os suplentes sabem que esta é a hora de conquistar um lugar no time.
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Leão terá que torcer e rezar
O Remo não joga hoje, mas as duas outras partidas de seu grupo são fundamentais para o desdobramento da fase classificatória. Como espectadores, caberá aos azulinos torcer por empates entre seus adversários diretos a fim de continuar sonhando com a semifinal.
Se o São Francisco ganhar, irá a sete pontos e não poderá mais ser ultrapassado pelo Leão, que tem dois jogos a cumprir. Se o vencedor for o Independente, atinge seis pontos. Já o Parauapebas chegará também aos seis pontos se derrotar o Castanhal, que tem um ponto apenas.
Mais do que nunca os remistas terão que fazer cálculos, além de rezar bastante.
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Direto do Facebook
“A chuva traz uma sensação diferente ao ser. Nem todos estão preparados. Há quem reclame e há quem agradavelmente a receba. Mas diante da seca ou do calor temos que saber entender a chuva e o seu valor. O Remo tal e qual a ideia acima agradou alguns e, claro, ainda deixou muitos com reclamações fundadas e infundadas. Saibamos nutrir as gotas ou o toró de domingo, pois até o meio da semana estávamos com a o calor e a seca de esperança de poder prosperar este ano. Vamos nos unir. Cobrar com consciência sempre. E fazer deste ano, o ano…”.
De Gil Mattos, professor, poeta e azulino juramentado.
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Ah, esse amor futebolístico, tão efêmero…
Os poetas e compositores já produziram milhares de obras falando das falsetas do amor, mas seguramente poucos deles se debruçaram sobre o lado efêmero das paixões que envolvem boleiros e clubes. Loco Abreu, ídolo da torcida botafoguense, deixou os pruridos de lado e acaba de notificar o clube cobrando dívida de R$ 2,2 milhões por não pagamento de direito de imagem entre 2010 e 2012.
Abreu está buscando garantir seus direitos e ninguém há de condená-lo por isso, mas a opção pela via judicial (quase certa nesse caso) marcará um litígio capaz de abalar a grande estima que o torcedor tinha por ele. Faz lembrar Sandro, capitão e líder do Papão durante anos, cuja história de lealdade ao clube foi duramente manchada pela insistência em ir às últimas consequências para cobrar dívidas passadas.
O amor, mais do que nunca, é posto à prova quando há dinheiro em jogo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 11)

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