POR GERSON NOGUEIRA
Não há hoje nenhum torcedor mais empavonado e feliz do que o palmeirense. Parece com o rei na barriga. O incrível é que não há nada a comemorar. Nenhum título ou recorde, nenhum feito recente. Pelo contrário, o time escapou de ser rebaixado à Série B e terminou a temporada sem grandes expectativas.
Bastou, porém, inaugurar a moderníssima arena para tudo se transformar. Durante a Copa, tive a chance de ver as obras do estádio palmeirense já em fase final. A obra ficou pronta (com recursos próprios, em grande parte) e mostra-se imponente, como diz a letra do hino do clube.
A partir da abertura oficial da arena, o clube empenhou-se em contratar reforços, começando por um executivo afamado. No caso, Alexandre Martins, responsável pela montagem do elenco cruzeirense bicampeão nacional.
Com ousadia, Alexandre saiu à caça de jogadores disponíveis, de bom preço e perfil adequado às necessidades do Palmeiras. Entrou em leilão com São Paulo e Corinthians pelo semidesconhecido Dudu (ex-Grêmio) e venceu a parada. Gastou um pouco acima do recomendável por um atacante de talento questionável, mas conseguiu incendiar a ardorosa torcida alviverde.
O entusiasmo é tão grande que, em poucas semanas, o Palmeiras superou Corinthians e Grêmio no ranking do programa Sócio Torcedor. Já contabiliza 90 mil associados no Plano Avanti e se inclui entre os seis maiores nesse quesito em todo o mundo, encostando no Manchester United.
Sob todos os pontos de vista, é uma tremenda façanha para um clube que há dois anos estava destroçado financeiramente, disputando a Série B e em franco declínio, se comparado a seus rivais de São Paulo.
A inauguração do estádio funciona como grande impulso de marketing, mas não é a única explicação para a verdadeira transformação que se observa no Palmeiras. Ao que parece, a mudança de astral teve como ponto de origem o amor desbragado da massa palmeirense, há muitos anos carente de títulos e festejos. O sucesso do Sócio Torcedor comprova isso.
O fato de reunir o segundo maior contingente de torcedores associados, atrás apenas do Internacional, que tem cerca de 110 mil, garante ao clube renda mensal de aproximadamente R$ 4 milhões. E, no ritmo atual, tem tudo para ultrapassar o Colorado ainda neste primeiro semestre.
De tudo que tem sido revelado sobre esse novo Palmeiras o que mais chama atenção é a mobilização de seus torcedores. Quando o ST decola de forma tão vertiginosa com o futebol em baixo, significa que o torcedor comprou o conceito de contribuição sem vinculação direta com resultado.
Na Europa, os clubes já se beneficiam dessa mentalidade há anos. No Brasil, apenas os gaúchos pareciam conscientes disso. Os palmeirenses mostram que também evoluíram nessa direção. Que o exemplo frutifique.
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Leão não pode mais errar
À beira de uma crise inesperada, em função do tropeço na estreia, o Remo encara o Independente hoje à noite, em Tucuruí, com a obrigação de vencer. Caso perca, fica praticamente eliminado do turno já na segunda rodada. O novo formato do campeonato, de tiro curto e defendido pela diretoria remista, não dá muitas chances a quem começa mal.
O rendimento pífio do meio-de-campo, que praticamente se manteve sem agredir a defesa do Parauapebas, é o ponto mais preocupante para o técnico Zé Teodoro. As mudanças previstas incluem uma inversão de posicionamento: Ilaílson cai para a lateral-direita, quebrando um galho na ausência de Levy, e Dadá entra como volante. Na lateral-esquerda, Alex Ruan deve assumir a titularidade.
O volante Felipe Macena, que atuou muito mal no domingo, deve ser mantido e Eduardo Ramos segue na armação. O ataque, com Roni e Rafael Paty, não deve mudar. Flávio Caça-Rato, cotado para entrar jogando, deve ser lançado no segundo tempo.
Zé Teodoro, porém, não deve se restringir a isso. Pelo que foi apresentado no primeiro jogo, fica claro que o time ainda carece de entrosamento. Sem jogadas trabalhadas, a força de ataque está limitada a cruzamentos em direção à área.
É pouco provável que o repertório do time tenha se modificado em tão pouco tempo, mas a atitude dos jogadores deve ser outra. Pressionados pela torcida, que reclamou muito da apatia da equipe contra o Parauapebas, o Remo de hoje deve ser mais agressivo.
O grande drama azulino está na lentidão na saída de jogo entre defesa e meio-campo. Os jogadores encarregados de fazer essa conexão são lentos e pouco criativos. No Re-Pa, esse problema não se apresentou porque Macena e Fabrício atuaram muito bem. Na estreia do Parazão, ambos se arrastavam em campo.
Contra o aplicado Independente de Lecheva, o Remo terá que ser mais objetivo e rápido do que foi diante do Pebas. E sua defesa não pode mais cometer tantos deslizes, levando em conta que os zagueiros Max e Rafael jogam juntos desde o ano passado.
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Boteco azulino inaugura telão
Os organizadores do Boteco Azulino convidam sócios e torcedores para o evento festivo em torno da transmissão de Independente x Remo, na sede do clube, a partir das 17h30. Um novo telão será inaugurado em programação que terá também música e churrasco.
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Dirigentes modernos, mas nem tanto…
O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, de reconhecida competência na gestão do clube no ano passado, deu um tropeção ao analisar o episódio vergonhoso registrado no estádio de Macaé, sábado passado. Bandeira de Melo considerou “muito estranho” o que aconteceu, aparentemente duvidando que torcedores rubro-negros tenham mesmo participado da confusão. Ora, as imagens são claras e os invasores podem ser facilmente identificados.
Como gestor, Bandeira de Melo deveria ser o primeiro a exigir a rigorosa apuração do ocorrido e a punição dos delinquentes. Botar panos quentes não contribui para solucionar o problema, nem condiz com a postura de um dirigente que todos consideram moderno e responsável.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 04)
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