O segredo das escolhas

Por Gerson Nogueira

As escolhas que levam à formação de um grupo vencedor nem sempre são determinadas pela lógica ou pela racionalidade. Muitos times campeões foram montados ao sabor do acaso ou do improviso. Ocorre que a aposta em critérios pré-estabelecidos, que equacionem qualidade e custo dos jogadores contratados, ainda é o melhor caminho para o sucesso.

unnamedQuando terminou a partida decisiva contra o Macaé, no estádio Mangueirão, há uma semana, a diretoria do Papão começou a conjeturar sobre nomes para integrarem o elenco que vai disputar quatro competições em 2015. A saber: Campeonato Estadual, Copa Verde, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro da Série B.

Apesar da frustração pela perda do título, as cabeças pensantes do clube sabiam que o maior investimento para evitar novas decepções é evitar erros primários, normalmente cometidos no processo de garimpar reforços.

Ao longo deste ano, foram vários os acertos nas contratações. Cabe reconhecer que muito se deve nesse processo à experiência e rodagem do gerente de Futebol, Sérgio Papelin. Através dele, o clube chegou a atletas não tão caros e que se encaixaram bem na equipe.

Charles, Lombardi, Augusto Recife, Lenine, Bruno Veiga, Ruan e Rômulo são os exemplos positivos. Lima, que deixou o clube na metade da temporada, também pode ser incluído no rol dos acertos. Um índice extremamente satisfatório, bem superior à quantidade de deslizes.

Voltando ao pós-jogo no Mangueirão, vários planos começaram a ser traçados ali. A permanência do técnico Mazola Junior e a escolha de Roger Aguilera para dirigir o futebol profissional, decisão anunciada nesta sexta-feira, foram os pontos prioritários da agenda ali desenhada.

O acordo com o técnico está bem encaminhado, mas a diretoria já se movimenta para montar o quebra-cabeça das contratações. O primeiro passo foi definir os jogadores do atual elenco que não mais interessam, por destoarem do figurino da Série B.

Nomes óbvios, como o do zagueiro Reiniê e do volante Ricardo Capanema, se misturam ao de algumas surpresas, como o meio-campista Zé Antônio. De postura aguerrida e muito aplicado taticamente, estava nos planos de Mazola, mas a diretoria de futebol prefere buscar outras alternativas.

Para o gol, preocupação de dez entre dez bicolores, há a intenção de contratar dois novos arqueiros. Sem contar com a confiança da torcida, Douglas e Mateus devem ser liberados. Paulo Rafael, oriundo da base, também muito questionado, ainda pode ganhar nova oportunidade, desde que como terceiro goleiro.

Por ora, só estão confirmados os sete já citados, mais os nativos Pikachu, Pablo e Djalma. Há necessidade de pelo menos mais 15 jogadores, o que significa que o trabalho de garimpagem será árduo.

Como os jogadores que podem interessar ao Papão estarão disputando os campeonatos estaduais, a formação do elenco só se completará plenamente lá pelo final de março. Há, ainda, o obstáculo representado pela concorrência com os clubes da Série A, que também irão disputar os melhores jogadores regionais.

Diante de tudo isso, o torcedor precisará se cercar de boa dose de paciência e compreensão porque as contratações acontecerão em ritmo mais cadenciado do que o normal. Até porque nesse ramo, mais do que em qualquer outro, a pressa é inimiga da perfeição.

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Bola na Torre

O bragantino Cláudio Guimarães é o convidado deste domingo. Guilherme Guerreiro apresenta. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião completam a bancada. O programa começa logo depois do Pânico, por volta de 00h15.

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Rodada define eleitos e desqualificados

Como o título já estão nas mãos do Cruzeiro, o Brasileiro da Série A só prende a atenção do torcedor quanto à definição dos classificados para a Copa Libertadores e dos candidatos à degola.

Quanto ao torneio continental, o São Paulo já assegurou classificação, mas Corinthians, Internacional, Grêmio e Fluminense disputam as duas vagas restantes.

Na parte de baixo da tabela, o Criciúma já caiu. Botafogo e Bahia estão quase lá, podendo sacramentar a queda nesta rodada. O quarto rebaixado sairá do trio Vitória (38), Palmeiras (39) e Coritiba (41).

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O prazer de jogar ainda importa

Uma frase emblemática do atacante espanhol Cesc Fàbregas, proferida ao longo da semana, ajuda a explicar o motivo que leva alguns craques a optarem por novos desafios, mesmo que financeiramente não sejam tão compensadores. Segundo ele, jogar no Chelsea é mais divertido do que no Barcelona.

Independentemente das razões que fazem Fàbregas pensar assim, é sempre saudável e animador observar que o ofício de jogar futebol ainda pode ser ditado pelo prazer, mesmo envolvendo cifras tão grandiosas.

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Ato da diretoria amplia divisão no Remo

O afastamento sumário de Pedro Minowa da coordenação das divisões de base do Remo até pode ter a ver com falhas no acompanhamento da categoria sub-17. Ocorre que a temperatura política do clube faz crer que sua saída tem mais a ver com as escaramuças eleitorais. É esquisito que somente agora a direção do clube tenha percebido que Minowa não servia para o cargo.

O desligamento do dirigente indica um caminho sem volta nas já tormentosas relações entre as duas chapas que disputam o poder no Evandro Almeida. Mau sinal.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 30)

6 comentários em “O segredo das escolhas

  1. Na eleição do Remo o que fica evidente é o desespero do Pirão em se manter no poder. Tem muita coisa obscura por trás disso. Não vou me admirar se esta eleição terminar em pancadaria ou em nova anulação. Tem mais coisa envolvida na luta pelo poder no Mais Querido Clube do Norte do que a nossa vã filosofia pode imaginar.

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  2. Penso que o Paissandu deva, primeiramente, formar um time forte (com dois ou três bons reservas) para vencer as duas primeiras competições.

    Depois, com o final dos estaduais, o Paissandu tem que obrigatoriamente ter dois times fortes para fazer um campeonato regular. Digo isto pois, dos times da B é o Papão é o que tem maior desgaste físico com viagens.

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  3. Receita pra 2015:
    Paraense: jogar com reservas/sub-20 pra revelar jogadores.
    Copa Verde/Copa do Brasil: Time considerado titular em formação.
    Série B: Time titular formado( deve ser a competiçao priorizada).
    Dessa forma, vamos iniciar a série B na ponta dos cascos e pelo nivel dos times ainda é provável que consigamos o título paraense.

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  4. Amorim, nós não podemos ser pretensiosos. Este ano o paraense é um campeonato de tiro curto, logo, o Papão, se disputasse o campeonato com o sub-20, seria um rebaixado em potencial, humilhação que não desejo passar, mesmo sabendo que o rival passou e virou a mesa no famoso case Leandrinho.

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  5. Eu até defendia o sub20 antes de existir o rebaixamento. Agora não dá. Sobre Pirão, ele é político e clube seve pra isso. Concordo com Gerson que deve haver critério nas contratações, mas deve existir pressa também, porque os melhores jogadores da série B querem disputar o Paulistão e os times estão sendo formados.

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