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Por Thiago Pinheiro

Em algumas horas, Maurício Assumpção não será mais presidente do Botafogo de Futebol e Regatas. Alguns comemoram, outros não se importam com a política. Mas, decerto, todos lamentam as consequências daquela que é a pior gestão da história centenária deste clube.

São seis anos de decisões equivocadas, privilégios aos amigos, atentados à moral e um endividamento monstruoso. Fora, claro, o provável rebaixamento para a segunda divisão.

Nesse período, em cada uma das etapas de seu governo, cada setor do clube falhou miseravelmente em cumprir o seu papel. E, com isso, nos relegaram à beira do precipício. Resta saber se alguém quer dar um passo à frente.

Os “torcedores investidores” erraram ao inventar um candidato completamente despreparado para o cargo: Maurício Assumpção.

Bebeto, Renha e Good erraram ao não se posicionarem publicamente em 2008 e permitirem o golpe eleitoral que elegeu Maurício Assumpção.

Montenegro errou ao apoiar Maurício Assumpção, dar suporte à sua candidatura e impedir que o processo de impeachment fosse iniciado no Conselho deliberativo após a crise da comissão dos 5% da Guaraviton.

O Mais Botafogo errou ao lançar Maurício Assumpção em 2008 e não fazer oposição na sua 1ª gestão.

O Conselho Deliberativo errou ao permitir seguidos adiantamentos, o desfavorável contrato com a Rede Globo e por ter se omitido no escândalo da Comissão de 5% no contrato com a Guaraviton.

A torcida errou por não pressionar por mudanças e incentivar o sentimento de “quer vaiar, fica em casa” (vaias são naturais e saudáveis em qualquer time).

Os sócios erraram por votarem e reelegerem Maurício Assumpção, bem como não pressionarem os conselheiros por mudanças.

O Movimento Carlito Rocha errou ao se aliar ao Maurício Assumpção em 2011 e não fazer oposição em nenhum momento após isso.

Enfim, não atribuo a mesma parcela de culpa a cada um dos atores listados acima. Entretanto, apenas no último ano e após o fracasso na Libertadores é que o clube se deu conta do caos que assolava o clube. Sendo assim, lanço a pergunta:

Se o Botafogo tivesse passado na Libertadores com este mesmo time e, por acaso, tivesse chegado às oitavas ou às quartas-de-final, haveria toda essa pressão?

Nunca poderemos responder. Entretanto, dois motivos, ocorridos ainda na 1ª gestão do Maurício Assumpção, deveriam tê-lo afastado da Presidência ou, ao menos, terem provocado uma discussão mais séria no Conselho:

  • A implosão do Clube dos 13 que levou ao novo acordo com a Rede Globo. É bom lembrar que, em 2010,Maurício Assumpção mudou o voto do Botafogo na eleição do Clube dos 13 em troca de um empréstimo, expondo-nos ao ridículo.
  • Com o Maracanã fechado, Maurício Assumpção assinou contratos de aluguel do Engenhão com a dupla Flamengo e Fluminense que incluía diversas benesses como participação nos bares, estacionamentos, camarotes e placas, além de um aluguel irrisório (R$40 mil por jogo) para um clube dono do único estádio de maior porte na cidade – perdemos uma oportunidade única. Além disso, os contratos publicitários foram pouco criticados por serem de curto período e de baixo valor, fixando um “teto” baixo. Quando voltarmos sozinhos ao Engenhão, teremos dificuldades nas negociações.

Que todos tenham aprendido a lição. Um clube forte não se constrói apenas no período eleitoral. Que tenhamos aprendido com os erros e, a partir de agora, nos mantenhamos em permanente vigilância.

Os “torcedores investidores” erraram ao inventar um candidato completamente despreparado para o cargo: Maurício Assumpção. Este apareceu com uma carta de algum dos investidores prometendo um fundo de 50 milhões para contratações. O valor foi diminuindo conforme o tempo e o tal fundo provou ser uma mentira eleitoral.

O Movimento Carlito Rocha decidiu apoiar Maurício Assumpção e compor a chapa como vice. Após falta de entendimento com Maurício, pois, segundo eles, o então futuro presidente recusava-se a aparecer nas reuniões.

Montenegro e a Junta Eleitoral articularam o golpe eleitoral que permitiu a eleição do Maurício Assumpção. O processo eleitoral deveria ser reiniciado, com uma nova data para as eleições estipulada. A Junta Eleitoral decidiu que o processo não iria recomeçar através do voto por telefone de um dos seus membros – o que é vedado pelo Estatuto.

Aqueles que viriam a formar o grupo Mais Botafogo (sem o Carlos Eduardo, é bom frisar) mantiveram o apoio ao Maurício Assumpção mesmo após o imbróglio eleitoral.

Por esses motivos, a eleição de 2008 foi muito esvaziada e Maurício Assumpção teve apenas 302 votos, com oito nulos e quatro em branco.

Só faltou dizer quando o sacripanta será preso…

3 responses to “Botafogo a um passo de despachar Assumpção”

  1. Avatar de Jota
    Jota

    Alguma notícia sobre o Engenhão?

  2. Avatar de Felipe
    Felipe

    Deram uma ducha no Fogão.

  3. Avatar de Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.
    Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.

    Fora seu burro!

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