Chacrinha e o Grupo Liberal

Por Carlos Mendes

O espírito do velho guerreiro Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”, parece ter baixado de vez no terreiro das eleições aqui no Pará. E veio para confundir, mesmo, jamais para explicar. E a confusão está extrapolando pelo Estado, inclusive aqui no Face. Quem trabalha com informação e é jornalista, como eu, tem o dever de esclarecer o que está acontecendo e repor a verdade dos fatos que alguns tentam esconder, no caso dessas duas pesquisas do Ibope encomendadas pela TV Liberal, para serem publicadas pelo jornal O Liberal.
Em primeiro lugar, é bom que se diga, a pesquisa que O Liberal publicou no sábado, dia 27, antecipando a edição de domingo – alegando que havia manutenção na gráfica que roda o jornal -, foi proibida pelo juiz Marco Antonio Castelo Branco (foto), que arbitrou multa de R$ 1 milhão por cada veiculação. Como a ordem judicial foi desrespeitada e a pesquisa publicada pelo O Liberal, o juiz manteve a multa, que somadas as violações de publicação pela TV Liberal, Rádio Liberal e jornal O Liberal alcançam R$ 5 milhões.
O que motivou a decisão de Castelo Branco foi o fato de o Ibope não ter apresentado no registro de sua pesquisa a complementação dos dados relativos aos municípios e bairros abrangidos pela tal pesquisa. Na ausência de delimitação do bairro seria identificada a área em que a pesquisa foi realizada. Como deixou de fazê-lo, a divulgação da pesquisa foi vetada pelo juiz. Ontem, sexta-feira, depois de quase uma semana, o Ibope, cumprindo o prazo estabelecido por lei, corrigiu os erros da pesquisa vetada. O juiz agiu corretamente e mandou liberar a pesquisa. Mas, como o próprio juiz afirma, houve a chamada “perda de objeto”, já que O Liberal, ainda na fase da proibição, descumpriu a ordem e publicou a pesquisa. O que O Liberal pode fazer agora, se quiser – não sei se o fará, porque a segunda pesquisa do Ibope também teve a publicação da pesquisa proibida por outro juiz, Antonio Carlos Almeida Campelo (foto), que fixou multa pesada de R$ 10 milhões em caso de desobediência -, é repetir a mesma pesquisa que já divulgou, vendendo gato por lebre para o distinto público eleitor, já confuso com tantas brigas de pesquisas entre grupos políticos rivais.
Entenderam? Vou repetir: O Liberal pode simplesmente repetir amanhã a pesquisa que já publicou. É óbvio que se isso ocorrer, a pesquisa reprisada terá gosto de café requentado, aquele que você põe na boca e cospe em seguida.
Vejam que na edição desse sábado, O Liberal diz na manchete de capa do jornal que a pesquisa do Ibope ( a proibida de divulgação no dia 28) foi liberada. Mas não diz, omitindo a informação, de que a nova pesquisa do Ibope, que seria publicada nesse domingo/tarde de sábado, foi proibida por conter os mesmos vícios e erros da primeira pesquisa.
E aí, alguém me perguntará: se o Ibope já corrigiu os erros da primeira pesquisa e o juiz Marco Antonio a liberou, embora mantendo a multa alta que deve alcançar R$ 5 milhões, por que a segunda pesquisa, vetada pelo juiz Antonio Campelo, também não pode ter os erros corrigidos rapidamente e liberadas pelo juiz ainda nesse sábado, para permitir a publicação?
A explicação, aqui, é do próprio juiz Antonio Campelo para essa impossibilidade de publicação da nova pesquisa: “a iminência do pleito eleitoral, que ocorrerá no próximo domingo, dia 5 de outubro de 2014. Neste sentido, no que pese a representada ainda poder complementar os dados da pesquisa, o prazo para tanto findará após a realização das eleições, o que impedirá a fiscalização. Assim, em última instância, caso haja alguma irregularidade, a pesquisa já teria sido divulgada, alcançando incalculável número de eleitores e com um potencial concreto de influenciar no resultado das eleições, o que esta Justiça Especializada não pode permitir”.
Ficou claro, limpo, explicado?

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