Por Gerson Nogueira
Arbitragens sempre foram e serão contestadas. Onde houver futebol, sempre haverá insatisfação com a interpretação de jogadas polêmicas. O que ocorre na Copa do Mundo e na Liga dos Campeões expressa bem essa verdade imutável. Dito isto, há o problema da arbitragem brasileira a ser analisado com mais atenção, pois se destaca negativamente em relação aos países do primeiro mundo da bola.
Nas quatro divisões nacionais, há um consenso hoje quanto ao baixo nível de qualidade das arbitragens. Situações até primárias se repetem a cada rodada, com erros mais ou menos graves. Clubes são reiteradamente beneficiados com marcações equivocadas, enquanto outros são frequentemente prejudicados.
Quando os resultados começam a ser afetados pela decisão dos árbitros é necessário que a preparação do quadro de apitadores seja reavaliada. Antes da rodada da Série A na quarta-feira, pressionada pelas críticas, a CBF distribuiu um vídeo buscando orientar os árbitros sobre o critério para marcar pênaltis em lances de bola na mão dos defensores.
Ficou mais ou menos claro, conforme a interpretação do filme produzido pela CBF, que está valendo tudo na grande área. Bola que bate no jogador de defesa, mesmo à queima-roupa, é pênalti e não se fala mais nisso. A intenção óbvia da entidade é preservar seus árbitros, contestados praticamente em todos os jogos pelas mais absurdas interpretações das regras oficiais.
Na rodada de anteontem, depois da confusa arbitragem do jogo Botafogo x Bahia, o atacante Emerson Sheik foi aos microfones para mandar um recado irado contra a CBF. Segundo ele, a entidade “é uma vergonha”. Não há muita discussão quanto a isso, mas o jogador escolheu o momento menos adequado, pois havia acabado de ser expulso de campo. Além dele, mais dois botafoguenses foram excluídos do jogo.
Depois, mais calmo, Sheik explicou seu protesto, queixando-se da repetição de erros contra e a favor de seu time, como no jogo contra o Ceará pela Copa do Brasil. Aproveitou para sugerir que o quadro de árbitros seja profissionalizado, a fim de evitar a distorção atual. De um lado, jogadores que vivem do futebol e se dedicam a ele em tempo integral. Do outro, árbitros que só entram em campo em dias de jogos, ganhando a vida em outras atividades profissionais.
É justamente o despreparo dos juízes que se evidencia a cada jogo. Em São Paulo, na mesma rodada de quarta-feira, Palmeiras e Flamengo empataram e o árbitro também se envolveu em polêmica, ao validar um gol que nasceu de um toque de mão do ataque rubro-negro. Apontado frequentemente como um dos maiores beneficiários dos erros de arbitragem, o clube carioca nada tem a ver com a falta de qualificação dos árbitros.
Clubes de massa são mais ajudados do que os demais em qualquer lugar do mundo, mas o que agrava a questão brasileira é a ausência de providências para melhorar a formação dos apitadores. Em entrevista à ESPN, o ex-árbitro Sálvio Spínola contou que a CBF mantém até hoje cursinhos e palestras como únicos recursos de formação dos apitadores brasileiros. Segundo ele, nem mesmo o básico livro de regras é distribuído aos árbitros.
Diante disso, não há como discordar das afirmações de Sheik, que certamente receberá um gancho fabuloso como punição pelas verdades que falou.
———————————————————–
Seleção Brasileira do Dunga
Saiu a nova lista de convocados para amistosos do Brasil e a reação foi o habitual festival de bocejos. As novidades são Mário Fernandes e Dodô, jogadores desconhecidos no país e que atuam no Leste Europeu. Dunga e seus auxiliares demonstram que estão atentíssimos àquela estratégica região do planeta. O diabo é que dali não saiu até o momento nenhum craque capaz de tirar o futebol brasileiro do beco sem saída em que se encontra.
Mais do que as tímidas caras novas dessa convocação, chama atenção a dificuldade de Dunga em romper com a Seleção que jogou a Copa do Mundo e proporcionou o pior vexame de um país-sede na história dos mundiais. O próprio massacre de 7 a 1 aplicado pela Alemanha no Brasil parece ter sido convenientemente esquecido. Não há menção à tragédia, como se o silêncio se encarregasse de apagá-la.
A insistência em chamar alguns nomes (Willian, Fernandinho, Ramires) chamuscados na Copa revela a única preocupação de Dunga a essa altura: sobreviver no cargo. Renovação continua a ser palavra apenas decorativa no vocabulário dos que comandam a Seleção.
————————————————————–
Aperreios remistas para arrumar a defesa
Sem zagueiros titulares para o jogo que encerra a primeira fase da Série D, domingo, contra o Moto Clube, o Remo vai recorrer aos suplentes Negretti e Rubran para compor a defesa ou apelar para a improvisação. Régis, polivalente do elenco, já treinou na posição ontem e pode aparecer na escalação. Igor João, zagueiro da base que o clube deixou ir embora, seria uma opção natural para arrumar o setor defensivo.
Mas, além dos desfalques de Max e Rafael, o técnico Roberto Fernandes terá dificuldades para compor o setor de marcação. Dadá está lesionado e Ilaílson é seu substituto imediato, devendo jogar ao lado de Michel na cobertura aos zagueiros. Régis também treinou na posição e também pode ser utilizado.
Jonathan, esquecido desde o Parazão, ainda treina no Baenão, mas nem é testado para suprir as ausências. Consegue ser descartado até mesmo nesses momentos de aperreio. Coisas do futebol.
————————————————————
Papão se safa e Leão toma atitude
A quinta-feira trouxe duas boas notícias na batalha dos clubes contra os bárbaros que conspiram contra o futebol. No julgamento sobre o incidente da garrafa PET no jogo contra o Salgueiro na Curuzu, o Papão foi absolvido pelo STJD.
Quase ao mesmo tempo, a diretoria do Remo endereçou ao Ministério Público o pedido de exclusão da “Torcida Remista”, gangue que substituiu apenas no nome a mais violenta facção ligada ao clube. Foi esse grupo que participou da arruaça nas arquibancadas do estádio Diogão domingo, em confronto com delinquentes rivais.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 19)
Deixe uma resposta para Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.Cancelar resposta