Por Nirlando Beirão

O jornalismo da Globo pretende salvar o mundo. No mínimo, isso. Lembra aquele hirsuto matutino paulistano que, em seus editoriais trovejantes, bombardeia as lideranças mundiais com torpedos pedagógicos de como administrar o gênero humano.O Jornal Nacional e seus subprodutos enveredaram por aí, em esgares de caricatura, dirigido por um Ali Kamel que prenuncia, já no nome, sua vocação messiânica de fanático fundamentalista.

b3620487-9714-4c17-8110-23be889d1466Quando a gente vê o subchefe William Bonner se investir da fachada carrancuda de apóstolo da ética e da decência, na simulação risível de um joaquim barbosismo de subúrbio, não cabe levar a sério, nem estranhar, nem rebater – apenas gargalhar. É uma piada a atitude de Bonner e de sua parceira de bancada, coitadinha. Aquela Globo fundada à sombra dos lucrativos negócios do doutor Roberto Marinho falando em ética e decência… me esperem aí que vou lá fora gargalhar.

O mais divertido é que, além de redimir a humanidade dos pecados alheios (por exemplo, do PT e dos “mensaleiros”), a Globo, viaJornal Nacional, estufa o peito na pretensão desmedida de, em “sabatinas” de 15 minutos, iluminar corações e mentes de milhões e milhões de eleitores. É como se aquele interrogatório, em geral chatíssimo, trouxesse o toque de uma revelação sobrenatural, quem sabe do Espírito Santo em pessoa, ali reencarnado pelo âncora escanhoadinho.

A título de preservar uma isenção que nunca teve, uma imparcialidade para lá de farisaica, o Jornal Nacional distribuiu caneladas grosseiras e insultos generalizados. Ao tentar contaminar o horário, hum, nobre com a ambiência de ódio que por aí germina, em prol da pauta eleitoral que tentou ocultar, o jornalismo da Globo deixa cair a máscara da grande pantomima que encena.

2 responses to “O Joaquim Barbosa do subúrbio”

  1. Avatar de Jorge Santos
    Jorge Santos

    Quase perfeito. Só faltou tirar as aspas de mensaleiros. Aí seria irretocável.

  2. Avatar de Jorge Paz Amorim
    Jorge Paz Amorim

    A coisa mais cristalina que se vislumbrou na malsinada AP 470, urdida pelos velhacos Antonio Fernando e Roberto Gurgel, depois chancelada pelo botocudo Joaquim “Miami” Barbosa(as aspas são propositais) em um cenário de novela global, foi que as votações citadas como provas que parlamentares votavam com o governo mediante o recebimento de uma quantia mensal, não se comprovaram, antes, ao contrário. Em algumas, a reforma da previdência, por exemplo, o governo contou com os votos decisivos do PSDB, para vê-la aprovada.
    Não, por acaso, o chamado Mensalão Mineiro, do qual foi beneficiado até o paulista/carioca FHC, é devidamente tratado como crime de Caixa2. Com as mesmas características, a ação contra petistas adquiriu outra fisionomia sendo julgada à luz de abstrações altamente suspeitas, como a tal ‘Teoria do Domínio do Fato’, uso criticado até pelo autor da dita cuja; e pelo célebre, ‘Não há provas contra Zé Dirceu, mas a literatura jurídica me permite condená-lo’, da ministra Rosa Weber. Diante disso, quem tem isenção e cautela escusa-se de fazer coro a esse autêntico ‘Caso dos Irmãos Naves’ do século XXI.

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