Por Gerson Nogueira
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A Seleção se prepara da maneira mais brasileira possível para a batalha de terça-feira contra a Alemanha. Ao contrário da métrica dos homens objetivos, o Brasil estabelece suas próprias regras. A indefinição sobre o substituto de Neymar, as conversas sem muito rumo de Felipão e o festival de palpites sobre a escalação ideal compõem o cenário perfeito para ninguém se sentir seguro a essa altura. Pensando bem, assim é bem melhor. Nada no país do futebol é resolvido com larga antecedência. Vale dizer que a comissão técnica só vai se decidir sobre esquema e time para encarar os alemães horas antes do jogo.
Até lá, assistiremos a milhares de entrevistas e comentários (inclusive deste escriba baionense) tentando adivinhar os planos de Felipão. Imagino que, mesmo em situação absolutamente normal, ele jamais revelaria o que pretende fazer. Mas, diante do ocorrido com Neymar e da suspensão de Thiago Silva, a situação exige todas as manhas que um veterano treinador pode manejar.
Já no terreno dos palpites inocentes, não me surpreenderia se na hora H a opção encontrada fosse a mais prosaica possível: povoar o meio-de-campo com volantes e deixar apenas Oscar, Fred e Hulk com responsabilidades positivas. Esclareço que esta não é a minha escalação preferida, mas pelas palavras do veterano Zagallo em entrevista no domingo começo a avaliar que Felipão vai seguir mais ou menos por aí.
Mesmo ciente das remotas chances de que isso venha a ser visto no Mineirão, ainda torço pela solução mais técnica, que exigiria a flutuação de Oscar entre o meio e o ataque, com a utilização de Willian ao lado de Fred na frente. Para abrir caminho entre uma zaga pesada e pouco ágil, nada melhor do que tabelinhas em velocidade e tentativas pelos lados da área. E, ao contrário de quase todos os palpiteiros, creio que Fred ainda pode nos surpreender positivamente.
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O risco das soluções milagrosas
A notícia de que Neymar poderia ser submetido a um tratamento à base de infiltrações de analgésicos chegou a acalentar a fantasia da torcida durante a tarde de domingo. Felizmente, a tresloucada ideia foi logo rechaçada pelos médicos da Seleção. Além de implicar em altíssimo risco de insucesso, tal receituário poderia comprometer ainda mais a recuperação do jogador, podendo ainda ser julgado como doping pela comissão disciplinar da Fifa.
O certo é que Neymar está fora da Copa. Foi excluído pela joelhada violenta e desleal do colombiano Zuniga. É o fato. A torcida tem que se acostumar rapidamente com a ideia porque amanhã já tem decisão.
Ao mesmo tempo, a busca desesperada por um milagre configura um certo menosprezo pelos outros jogadores que estão na Seleção. É como se ninguém levasse fé no substituto do craque. Exemplos como o de 1962, quando Pelé foi magistralmente substituído por Amarildo, estão aí para mostrar que a perda de um jogador, por melhor que seja, não representa o fim do caminho.
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Os melhores da Copa até aqui
Um jogador que já deixou o Brasil acompanhando sua seleção eliminada é o líder no ranking de atuações divulgado pela Fifa. Benzema, líder e goleador da França, assumiu o último boletim parcial, com 9,79 pontos de média, contra 9,74 do colombiano James Rodriguez, também fora do mundial. A ascensão de Benzema desbanca o brasileiro David Luiz, que liderava o ranking até as oitavas de final. David caiu para a sétima posição, atrás do zagueiro francês Varane, terceiro com 9,7 pontos e de Thiago Silva, com 9,66.
A avaliação da Fifa também surpreende porque o beque francês falhou seguidamente diante dos alemães. Curiosamente, o francês fracassou no jogo contra a Alemanha, desperdiçando boas oportunidades, inclusive o último lance de perigo, defendido pelo goleiro Neuer. David Luiz marcou (de falta) o gol da vitória brasileira sobre a Colômbia. Rodriguez, autor de um dos gols mais bonitos da competição, segue como artilheiro isolado, com seis gols marcados.
A seleção escolhida a partir do ranking é a seguinte: Bravo (Chile); Varane (França), Thiago Silva (Brasil), Hummels (Alemanha) e David Luiz (Brasil); James Rodriguez (Colômbia), Di María (Argentina), Shaqiri (Suíça) e Kroos (Alemanha); Benzema (França) e Robben (Holanda).
O meu escrete é um pouco diferente: Navas (Costa Rica); Lahm (Alemanha), David Luiz (Brasil), Martins (Holanda) e Jara (Chile); Luiz Gustavo (Brasil), Arenguiz (Chile), Di María (Argentina) e James Rodriguez (Colômbia); Robben (Holanda) e Messi (Argentina).
É importante observar que o ranking nada tem a ver com a eleição do craque do mundial, que será escolhido através dos votos dos jornalistas esportivos
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Copa é nirvana dos estatísticos
A Copa do Mundo é um prato cheio para os maníacos por números e estatísticas. Imagino que esses caras devem estar em transe. Tem número e informação para todos os gostos e encher coleções de almanaques. Descobri há pouco que a Argentina jamais perdeu em semifinais. Descontado o fato de que a seleção de Sabella esteve poucas vezes entre os quatro finalistas de uma Copa, a informação ganha certa relevância às vésperas da definição das semis no Brasil.
Alguém me avisa que os europeus estiveram presentes a todas as finais desde 1954. A última vez que eles comeram poeira foi justamente em 1950 no Brasil, quando a decisão teve cores (e dramas) sul-americanas. Outra: Messi quebrou nesta Copa um tabu entre os argentinos. Desde 1958, nenhum jogador argentino marcava gols em três partidas seguidas.
Em homenagem aos estatísticos informarei até o fim da Copa todos os números, tabus e curiosidades que chegarem ao meu conhecimento.
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Van Persie e os caprichos da primeira fase
Até eu fui traído pelo início avassalador de Van Persie na Copa. Despontou como provável artilheiro do mundial, com partidas sensacionais contra Espanha e Austrália, mas nas fases eliminatórias entrou em modo invisível. Robben mantém o nível, consolidando-se como grande nome da Holanda, mas Van Persie ainda não se encontrou nos jogos decisivos. Contra a Costa Rica, no sábado, perdeu um punhado de gols e um lance em particular deixou a impressão de um processo de queda de rendimento. Diante do goleiro Navas, o holandês simplesmente tropeçou na bola e desperdiçou a chance mais preciosa dos 90 minutos.
Copas do Mundo têm essa estranha mania de contrariar previsões. Projeções de primeira hora muitas vezes não se confirmam no decorrer do torneio. Como também é possível que um jogador apagado durante várias partidas de repente acorde e faça a diferença. Pode acontecer inclusive com o próprio Van Persie.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 07)

One response to “Brasil entregue ao festival de palpites”

  1. Avatar de Luís Antônio Mariano
    Luís Antônio Mariano

    Vendo a inoperância do Fred na seleção e do histórico descontrole emocional do Luís Fabiano, o que certamente, o tirou das convocações, acho que a CBF poderia ter apoiado o Walter em um trabalho de emagrecimento. O Gordinho poderia ser a solução no ataque brasileiro.

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