Por Gerson Nogueira
Encaminhei na sexta-feira minha seleção à tradicional escolha dos melhores do Campeonato Paraense, organizada pela Aclep. Num torneio dominado pelos grandes da capital, nada mais natural que a lista seja quase toda preenchida por bicolores e azulinos. Charles, zagueiro do Paissandu, é o destaque individual do Parazão. A revelação é Roni, arisco e driblador ponta-esquerda (joga também pela direita) do Remo.
O titular do gol é Fabiano (Remo), pela regularidade e segurança. O lateral-direito é Pikachu, cujas qualidades o credenciam a atuar em diversas posições da equipe e aparecer muito bem como definidor de jogadas.
A dupla central de zagueiros é formada por Charles (PSC) e Max Lélis (Remo), disparadamente os melhores zagueiros em atividade no Pará. O bicolor é rápido, eficiente nas antecipações e se destaca pela excelente colocação na área. O azulino joga mais fixo, mas é forte no combate direto e no jogo aéreo. O lateral-esquerdo é Alex Ruan (Remo) quase que por exclusão, visto que a posição não teve grandes expoentes na temporada.
No meio-de-campo, os volantes são Dadá (Remo) e Augusto Recife (PSC). Dadá foi o mais regular jogador azulino na competição, mantendo-se sempre em alto nível e aparecendo com eficiência até quando se aventura em arrancadas rumo à área adversária. Experiente, Recife tem outro estilo, mais contido, mas, no deserto de criatividade da meia cancha bicolor, se sobressaiu pelo passe caprichado e a capacidade de fazer lançamentos precisos.
O compartimento de criação tem dois interioranos em primeiro plano, superando com sobras nomes mais badalados da capital. Caçula foi o melhor do São Francisco, exibindo habilidade e excelente arremate de média distância. E Robinho foi o comandante do Cametá, com atuações destacadas contra a dupla Re-Pa e o resgate do futebol apresentado há duas temporadas.
No ataque, Lima é titular incontestável. Oportunista e dono de pontaria afiada, fez gols decisivos no campeonato, apesar de sacrificado pela ausência de um meia-armador de qualidades no Papão. Seu parceiro de ataque é Rafael Paty, que logrou a façanha de ser um dos artilheiros do campeonato mesmo no time de pior campanha – o Santa Cruz.
Mazola Junior é o técnico escolhido, independentemente do que venha a acontecer nas partidas finais. Tem o mérito de dar ao Paissandu um esquema de jogo bem definido e simples, que prioriza a marcação e faz do contra-ataque uma arma letal.
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Divisões de base sob fiscalização
Às vésperas da abertura da Copa do Mundo, inspeções realizadas pelo Ministério Público do Trabalho em 22 clubes profissionais de seis Estados revelam um quadro constrangedor quanto à formação de atletas. O mais surpreendente é que clubes tradicionais e da Série A, como Flamengo e Corinthians, apresentaram irregularidades na formalização de contratos com adolescentes e também nas precárias instalações.
O MPT constatou, ainda que, nem todos os clubes dispõem de estrutura de acompanhamento interno de médicos, psicólogos e fisioterapeutas para atender os atletas em casos de grave lesão. No lado positivo, os fiscais verificaram que a maioria dos clubes oferece alimentação de qualidade, seguindo padrão de higiene e nutrição balanceada.
A situação das divisões de base levou o procurador Rafael Dias Marques, coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) do MPT, a afirmar que “a formação profissional de atletas no Brasil, em grande parte, ocorre em desrespeito aos direitos fundamentais da infância, o que deve servir de alerta ao sistema de garantia”.
Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso foram os Estados inspecionados. Os clubes autuados serão chamados a ajustar suas práticas, podendo vir a sofrer ações judiciais para reparação dos danos causados. Nos próximos meses, a inspeção deve chegar a outros Estados, incluindo o Pará.
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Bola na Torre
O programa debate a reta final do Parazão e a jornada dos representantes estaduais na Série C. Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Cláudio Guimarães é o convidado. Começa logo depois do Pânico na Band, por volta de 00h15.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 01)

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