Um vexame continental

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Por Gerson Nogueira

Foi o maior fiasco de que se tem notícia nos últimos anos, mais até do que aquela vexatória eliminação do escrete de Mano na última Copa América. Com orçamentos polpudos, os principais clubes brasileiros tropeçaram feio na Taça Libertadores. E eram oponentes modestos, sem tradição maior, alguns mal disfarçam a condição de emergentes. Depois de 23 anos, o país do futebol não vai disputar as semifinais do torneio continental.
E olha que era a Libertadores dos sonhos, sem Boca, River, Independiente, Olímpia, Peñarol. Uma garapa. Ainda assim, os representantes brasileiros conseguiram se mostrar inferiores, em todas as fases disputadas. Três tombaram ainda na fase de grupos – Botafogo, Flamengo e Atlético-PR. Na quarta-feira, dentro de casa, tombou o campeão nacional.
Dono de elenco caro, instalações de primeiro mundo, o Cruzeiro sucumbiu ante um San Lorenzo mais organizado, com setores compactados e pouquíssimos erros de passe. Fiel ao tradicional estilo argentino, os boleiros do time do Papa não faziam maior esforço para marcar ou simplesmente fechar espaço para os cruzeirenses. Marcam com naturalidade e eficiência.
Com tranquilidade, o San Lorenzo dominou o jogo, fez o gol logo a 9 minutos e deixou que a afobação do adversário se encarregasse do resto. Como barata tonta, o melhor time brasileiro foi impotente para organizar uma reação, mesmo na base da pura valentia.
Atrapalhava-se na saída de bola e precipitava jogadas apelando para a nefasta ligação direta. Depositou todas as suas fichas em Júlio Batista como organizador, coisa que o grandalhão nunca foi na vida. Quando muito, foi um atacante mediano há uns dez anos, pelo menos. Hoje, conduz com invulgar sabedoria o final da carreira, faturando alto para o futebol que oferece.
Parceiro de Batista na atrapalhada meia-cancha, Éverton Ribeiro reproduzia apenas o que aprendeu com o inesquecível Zinho ao acompanhar pela TV os jogos da Copa do Mundo de 1994: passou o jogo encerando e girando sem rumo.
Falar mal do Cruzeiro é injusto e incompleto. A Libertadores 2014 expôs com clareza as chagas da atual fase do futebol brasileiro. A Seleção Brasileira vai entrar como favorita na Copa daqui a três semanas porque é a Seleção Brasileira, e é favorita sempre. E só é respeitada porque é muito diferente dos demais times nacionais; joga com aproximação e ocupação de espaços, aposta na ligação rápida e na intensidade do ataque.
Os clubes parecem estar em outro país – e estão. É fato que o Brasil há muito tempo abandonou a condição de berço do futebol-arte. Produz ainda alguns artistas da bola, mas os times marcham na direção contrária. Estão entregues a técnicos que puxam o jogo para trás. Temem se expor e, por isso, preferem empatar. Se fosse possível, morreriam abraçados num interminável zero a zero.
Lá fora, o futebol ganhou outra dinâmica. Os campeonatos europeus destacam times que se multiplicam em campo, que fazem do vigor físico um aliado da técnica, e não apenas uma barreira para evitar gols. O triste é que ninguém pode alegar ignorância, pois as emissoras de TV (a cabo, principalmente) exibem a abissal diferença quase todos os dias.
Nossos irmãos de continente demonstram estar bem mais atentos. Seus times, com todas as limitações, são bem montados, sabem o que fazer quando não têm a bola; são expeditos e práticos quando recuperam a pelota. Marcam com inteligência, desgastam-se menos.
Por isso, equilibram e endurecem qualquer parada contra os brasileiros. Têm como arma extra a valentia para buscar o jogo de choques, sem cair e ficar reclamando falta a todo instante. Não têm os melhores jogadores, mas conseguem ter times de verdades. Aqui, um elenco como o do Cruzeiro mantém reservas de luxo, com salários de R$ 140 mil, enquanto no San Lorenzo um atacante decisivo como Piatti se contenta com a metade.
Há uma fartura de gastos no Brasil e um quadro de arrocho financeiro nos países vizinhos. Em campo, onde as coisas acontecem, tamanha diferença é anulada. E uma pequena chave para entender isso é observar a postura de seus técnicos. Compenetrados, não mostram ao final dos jogos a pose professoral dos brasileiros, mestres da arte da enrolação e da arrogância.

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Direto do Facebook

“Coxinhas agora dizem ser contra o futebol. Disputem cricket, hóquei sobre patins ou cavalos; ou, caça à raposa!”

De Hélio Mairata, empedernido defensor da democracia e da transparência no país da Copa.

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Bola na Torre

O programa debate a Série C, a decisão do returno do Parazão e as expectativas para a Série D. Guilherme Guerreiro comanda, com participações de Giuseppe Tommaso, Valmir Rodrigues e deste escriba baionense. Começa à 00h15, depois do Pânico na Band.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 18)

41 comentários em “Um vexame continental

  1. Fiz um comentário sobre o Cruzeiro aqui no blog e volto a repetir, o mal do futebol brasileiro são os nossos técnicos que se encantaram com esse malfadado esquema catedral, com duas torres na frente, e consequentemente, desprezaram os pontas. Dagoberto e Tiago Ribeiro são bons jogadores e têm enormes dificuldades em serem titulares em seus times, o primeiro entrou bem e deu o passe para o gol de empate do Cruzeiro, o último já foi um reserva de luxo no próprio Cruzeiro. Tayson, uma grande revelação do Inter vive escondido na Ucrânia e parece não ter ambição de crescer. É preciso que os pontas sejam resgatados, pois sem eles os centroavantes penam de solidão dentro da área. Ao lado de pontas velozes, até mesmo centroavantes medianos viraram grandes artilheiros, quem não lembra do Guilherme e do Valdir Bigode, que formaram duas perigosíssimas duplas de ataque com o endiabrado Marques, no Atlético Mineiro? E a dupla Euller Romário, campeã brasileira com o Vasco em 2000?

  2. Lamento que nossos clubes tenham caído tão rápido, mas lamento mesmo é que o futebol se concentre ao sudeste e, as vezes ao sul. O que quero mesmo é que nossos times, principalmente o Mais Querido entre logo na série C. Na verdade dou pouca importância ao que ao acontece em relação aos times de lá. Quero mesmo é que meu Leão ressurja para mostrar que temos torcida e futebol no Norte.

  3. Rosivan, os clubes são culpados pelo mal momento que vivem, pois não exigem mudanças nas fórmulas.Eu acho que a Série B e a Série C deveriam ter 32 times divididos em dois grupos de 16, pois esse formato é muito melhor. Tenho notado que os jogos da Série C são melhores que os da Série B, pois são mais disputados. A maioria dos times da Série C são preguiçosos e os jogos dão sono.

  4. O que ocorreu na Copa Libertadores serve de parâmetro para à Copa deste ano, pois a seleção brasileira terá sérias dificuldades em vencer seus adversários, muito em virtude do nosso futebol viver quase que exclusivamente das habilidades individuais dos nossos jogadores. Ocorre que hoje em dia ao observamos outras seleções evidenciamos a supremacia coletiva, junto a um padrão de jogo com objetivos claros e definidos, como eu vi nesse time do San Lourenço da Argentina. Fiquei impressionado com a organização em campo desse time argentino, aliás o amigo Gerson mencionou muito bem na coluna essa virtude. Fica à lição aos clubes brasileiros que participam da libertadores que não é somente montando um time milionário que se ganha uma copa libertadores, e sim uma organização tática eficiente e nisso nossos treinadores estão devendo e muito. E a nossa seleção que se cuide pois enfrentaremos esses mesmos obstáculos na Copa 2014. Mesmo assim como brasileiro apaixonado por futebol, estarei apostos para torcer pela seleção canarinho.

  5. Amigos, os demais países sul americanos sempre jogaram mais na correria do que os brasileiros, com mais contato físico, mais ríspidamente, mas nunca foram carentes de técnica e apresentam mais consciência tática e aplicação do que nós. Sempre foi assim. O que acontece é que no Brasil passamos a valorizar em demasia a parte física, a “raça”, onde tudo vira afobação, gritaria, show de encenação de faltas, goleiro comemorando defesa, zagueiro batendo no peito, volante metido a dono do meio-campo, tudo apoiado por técnicos nervosos à beira do campo que não param de dar maus exemplos, como xingar a arbitragem e dar declarações infelizes nos microfones. Temos que voltar a valorizar o camisa 10, a fabricar bons 8 e clássicos camisas 5, à la Falcão e Cerezo, desde a base e dar mais treinamento tático, ressaltar a importância dos fundamentos, principalmente o passe e o deslocamento sem bola, reinventar a tabelinha, etc, coisas que argentinos e europeus estão fazendo muito melhor que nós.
    Quanto à Copa, uma incógnita a meu ver. Saindo na frente no placar, ótimo, mas não imagino essa seleção conseguindo virar um jogo diante de defesas bem montadas. Favoritos a meu ver, nessa ordem, Alemanha, Brasil e Argentina. Correndo por fora, Bélgica, Holanda, Itália e França. Decepção, Espanha.

  6. Amigos, nem oito nem oitenta e oito.

    Um País que ganhou as ultimas quatro libertadores não pode ter regredido tanto perante seus adversários continentais, todavia, parece fato que, quando comparado ao futebol europeu, o futebol realizado em terras pindoramas parece ser outro esporte.

    Eu gostaria de culpar os técnicos, mas penso que a complexidade do problema é tão grande que é difícil achar um ou dois culpados.

    Nesse cenário, penso que o melhor é procurar soluções ao invés de problemas.

    Para mim, a considerar o tamanho do Brasil, um dos principais equívocos é o formato do brasileiro, outro equívoco é a facilidade da criação de clubes de empresários, quando deveria se estimular que estes investissem em agremiações tradicionais… Agora, são várias vias de soluções…

  7. E o Blog chegaa marca dos 4 milhões e meio.

    Parabéns, um alcance a ser festejado

    Fla e Bota formaram times xexelentos pra esta competição.

    Paranaense, por conta do seu presidente idiota, achou que ia disputar a Champions, só esqueceu de formar um time que prestasse, sua estrela era o Imperador.

    Galo tinha todas condições de ser bí, mas seu presidente este ano negou fogo e fez bobagens a torto e a direita.

    Cruzeiro, tem um bom time, um bom técnico, mas perdeu, pq tinha que perder, falta de sorte talvez.

    Em resumo, os brasileiros foram despreparados pra Libertadores 2014

  8. Poxa, sinto falta dos comentários do profeshô Claudio Santos quando o assunto é Libertadores da América. Ele simplesmente desaparece!…

    Libertadores da América sempre foi e sempre será surpreendente e como leigo em esquemas táticos, digo apenas que nosso futebol leva um banho de nossos vizinhos porque simplesmente porque não sabe jogar essa competição. Talvez para se livrar dessa síndrome, deveria ter um intercâmbio bem maior com os técnicos e jogadores sul-americanos. Um bom exemplo é o surpreendente Bolivar. O time tem como técnico um espanhol e o elenco é formado quase todo com jogadores sul-americanos e o resultado é, quem diria, um time boliviano entre os quatro melhores da América do Sul.

    Dessa vez o campeão será inédito. Em uma chave estão Naciona-PAR e Defensor Sporting-URU, sendo que o jogo da volta será no Uruguai e no outro estão San Lorenzo-ARG e Bolivar-BOL, sendo que o jogo da volta será na Bolívia. Acredito que a final será entre o time uruguaio e o time argentino, mas se o Bolivar passar, a chance de ser campeão é enorme, afinal o jogo da decisão será na altitude de La Paz.

  9. Quem tem um bomataque tem tudo, caro Columbia.

    Aguia levou pressão e o seu goleiro se sobressaiu, mas o ataque respondeu a parada

    Mas pelo que ouví, o placar não está definido

  10. E não deu outra Claudio, no jogo Aguia x Galo, teve gol gol frango e acontece o empate, 2×2

  11. Já há uma pressão sobre o futebol de resultado que vemos hoje. Particularmente, entendo que a seleção brasileira, toda vez que entra em campo, é favorita, e isso porque tem uma reputação inigualável no futebol: a única a estar em todas as copas e a ter o penta. Evidentemente que temos zagueiros qualificadíssimos, assim como cabeças-de-área, mas duvido que o equilíbrio do time esteja na qualidade técnica individual, ou no esquema tático, mas está em onde os jogadores executam suas jogadas a maior parte do tempo. Quando um time tem vocação para atacar, seja num 4-4-2 ou 4-3-3, ou mesmo num 3-5-2, o jogo se desenvolve bem mais no ataque do que na defesa. É perfeitamente compreensível, e facilmente aceitável, a presença de David Luis, Dante e Thiago Silva na convocação para a zaga, mas alguém poderia explicar por que é que o Fred está na seleção? Dá para concordar com a lista de Felipão, dá para montar mais umas duas ou três seleções com tanto talento brasileiro por aí, mas faz sentido um ataque com Neymar, Hulk e, bem, Fred?… Quantos sabem a zaga de 70? Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo. Nem todo mundo sabe. Mas todo mundo já ouviu falar em Gerson, Rivelino e Pelé, não é? E o ataque dessa seleção era Tostão e Jairzinho… Nunca é demais ter bons zagueiros, mas melhor mesmo é não ter que contar com eles, o bom mesmo é jogar no ataque. O Brasil tem que jogar com ofensividade, como teria de ser com Remo e Paysandu, pra não citar os grandes de São Paulo e Rio e outras praças… Esse papel de técnico retranqueiro, inaugurado na seleção por Lazaroni, e continuado por Parreira, influenciou toda uma geração de técnicos… Felipão, por sua vez, iniciou o período do grupo fechado e dos homens de confiança, assim como com Dunga… Tá na hora de o Brasil jogar como a Espanha… Espanha? Tem alguma coisa errada aí, mesmo.

  12. O futebol é muito interessante mesmo, enquanto o Águia correu para contratar, incluindo o técnico?, e que achávamos que este time iria se fazer forte, temos um azulão perdendo pontos dentro de casa onde era imbatível!

  13. Égua, Miguel, mas o Figueira fez bonito hoje e entrou pra história ao vencer o coringa no Itaqueirão.

    Aguia 2×2 Treze, 23 mil de renda, 1078 pagantes, total, 1278.

    Quero saber que fonte é essa do Aguia.

    Tem dinheiro pra bancar um timeco desses, mas não tem pra fazer pontes, depois querem dividir o Pará.

  14. O campeonato está apenas no início. Resultado normal entre Águia e Treze,pois o time paraibano vem em evolução.

  15. É mesmo Édson, eu nem me toquei para este detalhe, eu, no Cartola, coloquei o Romarinho, Paolo Guerreiro e o Cássio, me lasquei. Não tem uma vez que eu use jogadores do “timão” que eu me dê bem!
    Figueirense. o ex-lanterna, ganha do TODO PODEROSO, Corinthians, kkkkkkkkk!

  16. Foi o 1° gol que o “timão” tomou em casa desde 1910 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    E o Gansou afogou o urubu da xuxa azarenta, fez 2 gols dos bambis

  17. Só o amigo Cláudio para ser tão fã de Ademir Fonseca…
    Sobre o Águia, devemos lembrar que o mesmo tem histórico positivo fora de casa (o melhor entre os paraenses).

  18. Fala sério. O Treze conseguiu empatar, pois estava perdendo para o águia e ainda vem um louco dizer que gaganildo deu nó tático. Deve ser parente dele. Sem noção….

  19. Galera reforça o aviso! cuidado ao ir ao Shopping. Tem duas mulheres lindas aplicando um novo golpe no estacionamento. Elas se oferecem para passar um produto em seu carro e com roupas bem curtas mostrando a bunda e os peitos, te pedem carona ficam se beijando no banco de trás logo depois uma passa pra frent! e começa fazer sexo oral em você enquanto a outra rouba seu dinheiro na calça. Fui roubado quarta, quinta, sexta, sábado e hoje. E amanhã eu vou de novo!

  20. hahahahaha… qual é o shopping que elas atacam, vou lá ver se consigo ser assaltando, também..hahaha…

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