Por Fernando Brito

Embora a oposição se apresse em dizer o contrário e possa, a alguns, parecer paradoxal, o dia de hoje marca trecho final, em condições bastante razoáveis para Dilma Rousseff, do período eleitoral pré-Copa, o mais difícil para a candidatura da atual presidente à reeleição.
Os principais elementos negativos para ela já foram para a mesa: a inércia política de seu Governo, as dificuldades com a base parlamentar, a ”ofensiva moralista” encarnada na exploração da Petrobras e, muito mais importante, o quadrimestre bastante complicado em matéria de inflação, mais aguda por conta da seca e do represamento das tarifas de transporte no ano passado, que começou a retroceder, com a divulgação do IPCA (0,67%, contra uma “aposta” do mercado de 0,8%) e a primeira prévia do IGP-M marcando 0,06% (o índice cheio para o mês é previsto pelos bancos em 0,4%).
Por mais que o terrorismo inflacionário vá seguir, não há como esconder que para a parcela mais pobre da população, onde o INPC reflete melhor a pressão dos preços, o acumulado em 12 meses é, com seus 5,82%, muito menos aterrorizante que o de abril de 2013, quando somava 7,16%.
Não é o melhor dos mundos, mas também não é um cenário desesperador, como apostava – e não perdeu ainda as esperanças – a turma do “quanto pior, melhor”.
O último fator – a Copa – embora ninguém deva ter a ilusão de que aí não virão manifestações – não dá também sinais de que vá adquirir as proporções de um ano atrás, com a adesão de parcelas significativas da classe média.
Ao contrário, a tendência é a de que o clima da competição e a conclusão de muitas obras a ela ligadas aponte para uma dissolução das reservas que artificialmente se criaram sobre os “danos” que ela traria ao país.
Empolgação à parte, o conservadorismo brasileiro tem, é certo, algo como 35% dos votos assegurados e, com Aécio consolidado como seu candidato, inclusive com um movimento de pesquisas que definem sua supremacia sobre um Eduardo Campos que começa a ser empurrado para o nada, como já fica claro nas pesquisas.
Contra ele, à medida em que a campanha avance, há o peso de um Lula que se conserva, intocado, com a maioria absoluta de intenções de voto.
Quanto ao jogo das pesquisas, apenas reproduzo o texto da revista Veja sobre uma pesquisa Ibope, menos de um ano antes da eleição que reelegeu Lula em 2006:

seta

“O Ibope divulgou pesquisa que, pela primeira vez, aponta para uma derrota do presidente Lula nas eleições de 2006. Segundo o levantamento, Lula perderia para o tucano José Serra, prefeito de São Paulo, já no primeiro turno das eleições de 2006, com um placar de 37% a 31%. As pesquisas mostram ainda a ascensão rápida do também tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. Quando o nome dele aparece como o escolhido pelo PSDB para enfrentar o presidente, Alckmin, que nunca fez campanha nacionalmente nem ocupou cargos federais, perde por apenas quatro pontos – quase dentro da margem de erro estatístico. Os números da pesquisa mostram Lula em uma rampa descendente íngreme na preferência popular – enquanto na rampa oposta, ascendente, estão vindo seus potenciais contendores na campanha do ano que vem. 

Com base nos dados da pesquisa do Ibope e com a ajuda de técnicos do instituto, VEJA transformou as porcentagens em números absolutos e comparou-os aos resultados obtidos nas últimas eleições presidenciais pelos então candidatos Serra e Lula. O resultado é impressionante. Consagrado nas urnas em 2002 com 52 milhões de votos, Lula, três anos depois do pleito, perdeu 20 milhões de eleitores. Isso significa que quase 40% das pessoas que o queriam na Presidência hoje não querem mais. Só na Região Sudeste (que reúne 45% do eleitorado brasileiro), o presidente viu desertarem 10,6 milhões de eleitores desde que assumiu o cargo. O cálculo foi realizado com base nos porcentuais de intenção de voto atribuídos a Lula e Serra em um hipotético segundo turno – ponderados os índices de abstenção registrados nas eleições de 2002 em cada região do país e descontados os votos brancos e nulos. Por essas mesmas contas, Serra ganhou 11 milhões de eleitores em relação à última eleição presidencial. No dia seguinte à divulgação da pesquisa do Ibope, o Datafolha anunciou a sua, com números praticamente idênticos. “
Não é preciso mais do que as pesquisas para que você julgue as pesquisas, não é?

One response to “O Rubicão da reeleição de Dilma”

  1. Avatar de Antonio Oliveira
    Antonio Oliveira

    Eu ainda não abandonei a ideia de que a Dilma se elege já no primeiro turno.

    Afinal, detendo o “condão da caneta” e a “chave do cofre”, pode neutralizar todos os fatores que, em condições normais, militam contra o êxito eleitoral de qualquer candidato governista. E, no Brasil, mesmo estes fatores sendo vários e diversos, eles não são páreo para a força per$ua$iva do governo numa certa camada do eleitorado.

    E o reajuste em percentual acima da inflação oficial do bolsa família é só um dos itens desta lista de benesses que podem ser escrito com a tal caneta.

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