Por Gerson Nogueira
O direito de participar da Copa do Brasil, mesmo depois que o torneio foi inchado pela CBF, segue atraindo a cobiça de clubes de todo o país. Curiosamente, o Paissandu, que obteve a vaga a partir do título estadual do ano passado, encontra-se numa encruzilhada.
Para se classificar à próxima fase precisa empatar (por até um gol) ou derrotar o Maranhão, esta noite, no estádio Jornalista Edgar Proença. Pelo equilíbrio das equipes, o confronto tende a ser encarniçado, duro, de forte marcação.
A batalha certamente vai provocar forte desgaste físico, que cobrará seu preço mais à frente. Na próxima segunda-feira, às 16h, o Papão faz o jogo mais importante do ano. Decide a Copa Verde, no estádio Mané Garrincha, enfrentando o Brasília.
Desconfio que, se fosse possível, o clube abriria mão da permanência na Copa do Brasil, poupando seus titulares da refrega. As falsetas do calendário, que obriga o Papão a disputar três competições simultaneamente, fazem com que o time tenha quatro dias de descanso antes do jogo que realmente importa.
O técnico Mazola Junior tem poupado ao máximo os jogadores fundamentais – Lima, Pikachu, Charles, Aírton –, evitando escalá-los em todos os jogos do returno do Parazão. Contra o MAC, porém, não pode se permitir esse luxo. Mesmo com o entendimento geral de que a Copa do Brasil não reserva futuro para clubes medianos, o Papão não pode correr o risco de uma eliminação em casa.
Na semana que antecede a final da Copa Verde, um eventual tropeço certamente acarretaria danos na musculatura emocional do time. Por vias tortuosas, o astral do time na grande decisão dependerá diretamente do que ocorrer hoje à noite.
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Uma surpresa candanga
Fiquei surpreso, até meio intrigado, com a confiança demonstrada pelos dirigentes do Brasília. Para uma cidade que normalmente vira as costas para seus times, não deixa de ser de um otimismo quase cego disponibilizar 64.480 ingressos para o jogo de segunda-feira (21) contra o Paissandu, na decisão da Copa Verde.
Parecem estar apostando num amor que até agora a realidade não confirma. Há décadas que clubes cariocas e paulistas são os únicos que lotam estádios na capital federal. Amigos que moram lá garantem, porém, que desta vez haverá uma avalanche candanga em torno do Brasília, impulsionada pela beleza da arena construída para a Copa.
A conferir.
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As leis de Juvenal
Juvenal Juvêncio deu uma entrevista curiosa, ontem, à ESPN. Falou de aspectos folclóricos de sua longeva carreira de dirigente. Criticou Eurico Miranda e Caixa D’Água, reclamou da generalização que a imprensa usa em relação aos cartolas e afirmou, peremptório, que o gestor deve ser probo, mas não pode ser bobo.
Ressaltou a importância de algo que nossos clubes não conseguem extirpar: a regra imutável existente no São Paulo, que proíbe a contratação de comissões técnicas. No Morumbi, há uma comissão permanente, que trabalha com o técnico contratado. Não há espaço para filhos, irmãos, sobrinhos e apaniguados de treinador.
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Uma baixa séria no time do rock
A terça-feira trouxe a notícia fatídica de um desfalque incomensurável nas fileiras da música. Malcolm Young, guitarrista base do AC/DC, sofre um AVC que quase certamente implicará no fim de uma das maiores e mais legítimas bandas do verdadeiro rock. Ao lado do irmão Angus, também guitarrista, Malcolm sustentou a saga do AC/DC ao longo dos últimos 40 anos. Músico respeitado pela aristocracia do rock, viu o grupo sofrer e sobreviver a baixas sérias, como a de Bon Scott, o primeiro vocalista. Dificilmente,porém, resistirá a esse golpe do destino.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 16)
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