Por Gerson Nogueira
Vale uma vaga na semifinal da Copa Verde e o Remo precisa fazer gols. Diante disso, torna-se obrigatório atacar desde a saída de bola. E, para mostrar poder de ataque, será necessário usar atacantes que justifiquem essa condição, meias participativos e laterais atuando como alas – ou pontas. A relação de convocados pelo técnico Charles Guerreiro para o jogo faz prever uma escalação bem ofensiva.
Nos últimos jogos, o Remo refreou o ímpeto ofensivo dos primeiros jogos da temporada, quando atuava ainda com dois meias, Eduardo Ramos e Athos. Com o passar do tempo e alguns atropelos, como no primeiro Re-Pa, Charles reconsiderou e passou a jogar de maneira mais conservadora. O rendimento não melhorou, mas o bom resultado no turno sufocou as críticas feitas ao técnico.
Contra o Nacional, dias depois de vencer o turno do Parazão, o time claudicou e teve imensas dificuldades para evitar a derrota. Além de ser contido por um adversário inferior tecnicamente, o Remo ainda sofreu um gol dentro de casa, pecado gravíssimo na Copa Verde.
Foi justamente o gol do centroavante Fabiano naquela noite que agora obriga Charles a adotar uma estratégia ousada para buscar a vitória ou um empate positivo (a partir de 2 a 2). O grande xis da questão é se o treinador – normalmente mais afeito a fechar o time para não tomar gols – terá audácia suficiente para atacar sem medo.
E ele tem jogadores capazes de executar essa missão. No meio-de-campo, Ramos, Athos, Tiago Potiguar e Ted. No ataque, Val Barreto, Leandro Cearense e Zé Soares. Os laterais Diogo Silva, Alex Ruan e Rodrigo Fernandes sabem apoiar o ataque.
Caso se observem as características individuais dos jogadores, a onzena ideal para sufocar o Naça em sua própria casa é esta: Fabiano; Diogo, Max, Rafael Fernandes e Alex; Ilaílson, Dadá, Athos (Potiguar) e Eduardo Ramos; Leandro Cearense e Potiguar (Zé Soares).
Além do que os times possam produzir em campo, a partida será regida por outros fatores importantes. O clima festivo pela inauguração da arena manauara é um aspecto que pode favorecer o time baré. A euforia pela participação na Copa deve ressuscitar a velha rivalidade regional com o Pará. Ao mesmo tempo, a condição de representante do Amazonas na batalha deve jogar sobre os ombros do Naça uma carga de responsabilidade extra, que pode ser explorada pelo Remo.
De toda sorte, a decisão é a mais empolgante dos últimos 40 anos no confronto Pará-Amazonas, que andava adormecido desde que o futebol amazonense entrou em declínio. A Copa Verde é a competição mais importante do ano tanto para o Remo quanto para o Naça.
Caberá aos remistas mostrar frieza e equilíbrio psicológico para se impor, aproveitando-se das excelentes condições do gramado para usar o talento de alguns de seus jogadores. Tem tudo para ser um grande jogo. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)
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Seleção é velocidade e força
Quem viu o Brasil golear a África do Sul no meio da semana deve ter percebido que a Seleção, mesmo sem tempo para treinar, está voando baixo e mantendo a saída em alta velocidade que lhe garantiu o triunfo na Copa das Confederações. Excelente notícia para quem terá a imensa responsabilidade de representar o futebol pentacampeão do mundo daqui a 97 dias.
Felipão consolidou um esquema de jogo que se baseia na transição rápida e vertical. A marcação sob pressão também permanece como arma nos minutos iniciais, garantindo gols logo nos primeiros 20 minutos. Foi assim na Copa das Confederações e terá que ser do mesmo jeito no Mundial.
Para superar oponentes de alto calibre, o Brasil não poderá ceder espaços em seu campo e deve atacar sempre com quatro ou cinco jogadores, Neymar à frente. Interessante observar que Fernandinho, Paulinho e Ramires, os volantes que atuaram no Soccer City, muitas vezes se posicionam como meias. E Hulk, aposta de força, andou se plantando quase como volante em diversas ocasiões (sua vocação para zagueiro, aqui vaticinada, ainda está por ser descoberta pelo técnico).
A opção pela velocidade nas saídas foi a solução encontrada para compensar a ausência de uma meia-cancha cerebral e talentosa. O único risco está na capacidade física que os jogadores precisam ter ao longo do torneio. Fôlego e participação serão decisivos na busca pelo hexa.
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Bola na Torre
Marcos Paraná, o recém-contratado armador do Paissandu, é o convidado do programa neste domingo. Guilherme Guerreiro comanda, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Começa logo depois do Pânico na Band, na RBATV, por volta de 00h20.

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