Por Gerson Nogueira
Parecia treino. E foi. Pelo menos da parte do Paissandu, que aproveitou a garapa para movimentar o time e se preparar para o clássico de domingo. O jogo foi tão fácil que a contagem estancou lá pelos 32 minutos do segundo tempo, quando Héliton marcou o sétimo. Até então, havia sido a exibição de um time só, com direito a três gols do centroavante Dênis, até então em completo jejum na temporada.
O placar ficou em 7 a 2, contagem elástica e reveladora da desigualdade de forças. O Náutico é uma equipe semi-amadora, representante de um Estado emergente no futebol, com todos os problemas próprios dessa condição. Mesmo desfalcado de vários titulares, o Paissandu se impôs com naturalidade em Boa Vista (RR), saindo para o jogo sem encontrar maior resistência e sufocando os donos da casa.
Tantas facilidades permitiram ao Paissandu fechar o primeiro tempo ganhando por 3 a 0. Houve um penal inventado pelo árbitro e defendido por Paulo Rafael. Para se entender o grau de aperreio do Náutico, basta dizer que o técnico Fábio Luiz contava com apenas quatro atletas no banco de suplentes, e sem goleiro.
Já Mazola Junior, do Paissandu, deu-se à pachorra de jogar sem Mateus, Lima, Aírton, Heverton e Djalma, que são titulares absolutos. Apesar da flagrante superioridade, o técnico se manteve fiel ao esquema rígido de meio-campo, que privilegia a marcação à criatividade.
Incrível, mas, mesmo contra o modestíssimo Náutico, o Papão entrou com três volantes – Vanderson, Zé Antonio e Bruninho. É verdade que, no decorrer da partida e vendo as fragilidades do adversário, Bruninho saiu para o jogo, funcionando como meia-atacante.
Lineker era o jogador de criação, aproximando-se de Hélinton e Dênis e contando com o auxílio luxuoso de Pikachu pela ala direita. A rigor, Mazola nem precisaria manter tantos homens guarnecendo o setor defensivo. Três volantes é um pecado contra o Náutico, que só ensaiou alguma coisa no final do primeiro tempo, mas logo se recolheu à timidez dos primeiros lances e não criou maiores problemas.
Na etapa final, mais quatro gols para confirmar a inédita goleada fora de casa. Dênis (de cabeça, duas vezes), João Paulo e Héliton foram os artilheiros. Valeu pela vitória tranquila, que permitirá ao Paissandu poupar ainda mais jogadores no jogo de volta, mas o escore evidencia as discrepâncias da competição. Em situação normal, a dupla Re-Pa e o Paragominas só terão obstáculos de verdade contra o Brasiliense e as duas equipes amazonenses.
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Estreias auspiciosas na Libertadores
O Botafogo valente e preocupado em marcar, visto na pré-Libertadores, mostrou-se presente de novo ontem diante do San Lorenzo, campeão argentino e um dos favoritos à vaga no grupo. Sem dar trégua ao longo dos 90 minutos, o time disfarçou defeitos (certa insegurança no meio da zaga) e na marcação (Marcelo Matos é pouco mais que mediano), atuando de cabeça erguida e com senso de aproximação.
De quebra, viu se conformar a excelente fase do atacante Wallyson, autor do segundo gol, no começo do segundo tempo. Ao lado de El Tanque Ferreyra, que abriu o caminho para a vitória, Wallyson ocupou o lado esquerdo do ataque, com disciplina e competência.
A destacar também o apuro nos passes, fato que facilitou a recomposição da defesa quando o San Lorenzo ensaiou uma pressão nos 20 minutos finais. Outra constatação: o técnico Eduardo Hungaro tem acertado na utilização de Lodeiro como quarto homem de meio-campo, saindo para tabelinhas e triangulações com Jorge Wagner, Edilson ou Júlio César.
Não por acaso, esta é a melhor fase de Lodeiro no Botafogo. Mostra-se solto e à vontade no papel de condutor de jogo, com liberdade para arriscar disparos de fora da área e tentativas pelas laterais.
Foi apenas o primeiro jogo na fase de grupos, mas fica claro que o Botafogo está bem estruturado e tem condições de fazer uma campanha interessante.
No outro jogo da primeira rodada da Libertadores, o Atlético-MG também triunfou, passando pelo venezuelano Zamora por 1 a 0 (Jô) e completando a noitada vitoriosa para o futebol brasileiro.
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Camisa do Leão em destaque
“Se o futebol paraense não vive a sua melhor fase dentro de campo, pelo menos o título de camisa mais bonita do país neste ano está garantido para o Clube do Remo, que optou por utilizar um azul que dá ainda mais orgulho ao seu torcedor de vestir o seu manto sagrado”. Assim o site www.goal.com.br descreve a escolha da camisa azulina entre as 10 mais bonitas do mundo.
A notícia teve ampla repercussão junto aos torcedores e justifica os elogios que emissoras como ESPN e Sportv têm feito ao uniforme do Leão. Na lista do site Gol, a camisa do Remo aparece ao lado das do Peñarol, Los Angeles Galaxy, Fenerbahce, Juventus, Cerro Porteño, Barcelona, Coritiba, Manchester City e Chelsea.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 12)



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