Manuais dizem pouco

Por Tostão

Na festa da Fifa, Amarildo, espontaneamente, quebrou o protocolo, ao fazer um longo discurso, com críticas à violência nos estádios brasileiros.

A maioria dos presentes riu e viu no campeão mundial de 1962 somente um idoso engraçado. Melhor ainda seria se Amarildo chutasse o balde, exercesse o direito da idade, o de não ter medo de parecer ridículo para alguns, e criticasse o excessivo poder da Fifa sobre os países anfitriões da Copa, os enormes gastos de dinheiro público com o Mundial e a construção de alguns elefantes brancos.

Como era esperado, Cristiano Ronaldo ganhou o prêmio de melhor de 2013. Messi continua o melhor do mundo. O fato aumenta as chances de Messi brilhar na Copa. A força dos grandes talentos, dos grandes profissionais, vem de suas derrotas.

O grande talento de Cristiano Ronaldo parece um manual sobre como ser um craque. Tudo ele faz muito bem. Já o talento de Messi não pode ser tão bem mensurado e entendido. Temos de vê-lo com os olhos e com a imaginação.

No sábado, mesmo de férias em uma bela praia brasileira, não resisti e vi, pela TV, o empate em 0 a 0 entre Atlético de Madri e Barcelona. A partida parecia também um manual sobre detalhes táticos e sobre como marcar bem o time catalão.

O Atlético de Madri alternou a marcação por pressão, o que dificultou muito a troca de passes do Barcelona, da defesa para o ataque, com a marcação mais recuada, com todos os jogadores em seu campo, formando três rígidas linhas, com pouco espaço entre elas. Havia uma linha de dois atacantes, outra de quatro armadores e mais uma de quatro defensores, muito próximos à grande área.

Como o Barcelona finalizou pouco de longa distância, raramente cruzou a bola para a área e não encontrou espaços nas costas dos defensores, para alguém se infiltrar e receber a bola dentro da área, como geralmente faz, criou poucas chances de gol. A ausência de boas jogadas pelo alto é uma deficiência do Barcelona, em relação a grandes equipes da Europa, como Bayern e Real Madrid.

Uma das grandes qualidades do Barcelona, principalmente na época de Guardiola, era a recuperação da bola perto do outro gol. Hoje, com o técnico argentino Tata Martino, isso acontece muito menos. Por outro lado, como o Barcelona não adianta tanto a marcação, como fazia, deixa menos espaço na defesa para o outro time contra-atacar.

Os bons técnicos conhecem todas as informações essenciais e todas as estratégias de jogo. Aprendem nos manuais, nos cursos para treinadores, na internet e na prática. Já a capacidade de observar e de conhecer os pequenos detalhes, subjetivos e objetivos, de escolher o tipo de estratégia para o momento e de comandar a execução do que foi planejado não se aprende nos manuais. Estes dizem pouco. Não contam o mais importante.

Um comentário em “Manuais dizem pouco

  1. Além de “sugerir” ao Amarildo o uso do “direito da idade”, o Tostão poderia usar do direito de autoridade de grande cronista que tem, para ele próprio tecer as críticas que só menciona de passagem na Coluna. Seria muito importante o tostão usar de sua destacada tribuna para reforçar as críticas sobre o extremo gasto de dinheiro público com a copa, com a submissão do Brasil à FIFA e sobre a construção dos “elefantes”.

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