Por Gerson Nogueira
Vandick Lima e sua diretoria têm sido duramente criticados neste começo de temporada. O torcedor se irrita com a demora na aquisição de reforços e fica impaciente ao observar a reedição do filme de 2013, quando o gerente Oscar Yamato tinha suas indicações postergadas ou ignoradas. Aparentemente, a situação de Sérgio Papelin, o novo gerente, é parecida. Vários nomes recomendados por ele não foram contratados. Em alguns casos, por concorrência direta de clubes mais endinheirados; em outros, por excessiva lentidão dos dirigentes do Papão.
É o que supostamente ocorre em relação ao meia-armador Júnior Xuxa, nome que o clube namora há tempos e que estava praticamente fechado no final de dezembro. Jogador do ABC, Xuxa topou vir para substituir Eduardo Ramos. Em cima da hora, o empresário entrou em cena, exigiu mais e o negócio perdeu força e gás.
Dois outros jogadores estão em cogitação para a estratégica camisa 10, mas a diretoria prudentemente não divulga nomes. Apesar das queixas do torcedor, amplificadas pelas notícias quase diárias de nomes contratados pelo rival, a diretoria (leia-se Vandick e Roger Aguilera) não erra por ser criteriosa nas escolhas. Peca, talvez, por zelo demasiado e hesitação no momento de bater o martelo.
O mercado da bola no Brasil anda cada vez mais complexo e caro, pois os bons jogadores conhecidos são ofertados para clubes das Séries A e B. Restam para os times das demais divisões aqueles boleiros também bons, mas pouco conhecidos, cuja cotação repentinamente passa a ser hipervalorizada por investidores e empresários espertos.
Quando não há meios de trazer nem desconhecidos, só há um rumo a tomar: apelar para veteranos em baixa, quase sempre voltando de lesões graves. Mas, se o preço fica mais em conta, os riscos aumentam bastante.
Para os bicolores, tudo ficou naturalmente mais difícil depois do rebaixamento à Série C. Para um clube nortista, cuja exposição na TV será drasticamente reduzida em relação ao ano passado, não há muita margem de manobra. Ou se contenta com a chamada rebarba ou parte para uma política kamikaze, mais ou menos nos moldes do que o Remo é obrigado a fazer na desesperada tentativa de acabar com o jejum de títulos.
Onerar a folha salarial é a única maneira de montar um elenco competitivo, atraindo jogadores de bom nível com contratos longos e vantagens financeiras. É tudo o que Vandick e seus pares tentam evitar, depois de apostas erradas que abalaram as finanças do clube na recente Série B.
O dilema é saber até quando a razão pode prevalecer diante das exigências que a emoção do torcedor vai impor de modo cada vez mais forte.
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Um leão das artes marciais
Presença muito aguardada pelos dirigentes azulinos, o atacante Leandrão chegou na última sexta-feira, se apresentou no Remo e revelou ser um aficionado de artes marciais. É fã e gosta de lutar. O campeonato estadual ganha com isso um personagem a ser muito explorado dentro e fora de campo. Óbvio que as aptidões de Leandrão para o MMA só serão apreciadas no sentido figurado e desde que faça sua parte como goleador.
Conhecedor da torcida azulina, pois aqui já esteve nos idos de 2003 defendendo o Botafogo na Série B, Leandrão já sabe que a tarefa de levar o time ao título estadual é das mais hercúleas. Nem tanto pelo poderio dos adversários, mas pelas fragilidades emocionais do próprio Remo.
É um atacante que durante toda a carreira só teve bom rendimento quando o time jogava por ele, criando jogadas específicas e explorando o jogo aéreo. Leandrão deu a entender que optou pelo Remo ao saber da contratação de Eduardo Ramos, de quem conhece a facilidade para lançamentos e tabelinhas.
Um fato que precisa ser considerado é que Leandrão não é mais um iniciante. Não tem velocidade suficiente para buscar jogo e depende de bolas que chegam à área. Precisará ter a companhia de um atacante rápido, que jogue pelos lados. Aí reside talvez o grande dilema de Charles. A função pode ser executada tanto por Zé Soares quanto por Tiago Potiguar. Definir o titular será uma escolha difícil.
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Bola na Torre
Fernando José de C. Rodrigues, do conselho técnico da Federação Paraense de Futebol, é o convidado do programa deste domingo. Guerreiro comanda, Tomazão e este escriba baionense participam. Começa à 00h20, logo depois do Pânico na Band.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 05)
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