Pará: reduto rubro-negro

Por Gerson Nogueira

Muito se fala da força e do fascínio que o futebol do Rio exerce junto às torcidas do Norte-Nordeste do Brasil. Até agora, porém, não havia um levantamento mais detalhado e com critério científico. Tudo era na base do achismo e das impressões superficiais. Pois a pesquisa do Instituto GPP, divulgada no blog Teoria dos Jogos (do carioca Vinícius Paiva), acaba de clarear as coisas nessa área, com resultados desconcertantes.

bol_sab_121013_11.psRemo e Paissandu continuam gigantes na Região Metropolitana de Belém, mas perdem de goleada no interior e permitem que o Flamengo se estabeleça como o mais querido no Estado, exibindo musculatura que tem a ver diretamente com o bombardeio midiático e as transmissões quase que semanais de seus jogos, mesmo aqueles mais furrecas.

A pesquisa GPP lança um facho de luz sobre a torcida paraense, reconhecidamente uma das mais apaixonadas do Brasil e famosa por lotar estádios. Na apresentação, o blogueiro menciona a injustiça histórica da perda por Belém da disputa pela sede nortista da Copa de 2014.

Foram ouvidas 840 pessoas em Belém e interior do Estado, no mês de setembro passado, com margem de erro de 3,4%. De cara, o levantamento surpreende pela quantidade de pessoas que se declara torcedora do Flamengo, 26,9%, quase o dobro dos adeptos do Remo, que é o segundo colocado, com 14,5%. Em terceiro, configurando empate técnico, vem o Paissandu, com 14%. O Corinthians é o quarto colocado, com 9,7%. Vasco, 6,3%, é o quinto. Em seguida, aparecem São Paulo (4,6%), Palmeiras (3,4%), Santos (1,8%) e Botafogo (1,7%).

Apesar disso, o tamanho da paixão pela dupla Re-Pa ainda impressiona. “Considerando os quase 8 milhões de habitantes estimados para o Estado em 2013 (dados do IBGE), significa que Remo e Paissandu possuem mais de um milhão de torcedores cada. Patamar possivelmente superado apenas por Sport e Bahia em todo o Norte-Nordeste. Um verdadeiro colosso”, elogia Paiva.

A Região Metropolitana de Belém é o principal rincão de torcedores de Remo e Paissandu, superando amplamente qualquer outra agremiação nacional. O Leão conta com 30,5% dos torcedores, enquanto o Papão tem 27,8%. No interior, a história muda de figura: os índices caem para 8,2% (CR) e 8,6% (PSC). O torcedor interiorano é majoritariamente fã do Flamengo, que ostenta impressionantes 33,9%.

O duelo direto entre Remo e Paissandu revela algumas situações curiosas. O Remo é o mais popular entre a população na faixa etária que vai de 25 a 59 anos, mas o Paissandu leva vantagem entre os torcedores com mais de 60 anos. O Leão predomina entre as mulheres (13,5% contra 11,1% do Papão) e perde entre os homens, por 15,5% a 16,9%.

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Amor e dor na mesma intensidade

Com prazer renovado, voltei nos últimos dias a um livrinho delicioso de um fã de rock como eu, além de escritor de grandes recursos. A obra é “Alta Fidelidade” e o autor é Nick Hornby, empedernido torcedor do Arsenal, espécie de Botafogo da Inglaterra, que escreveu outro grande livro, “Febre de Bola”, motor automático da simpatia que nutri por seu trabalho, turbinado pelo reconhecimento de seu excepcional talento para exprimir no papel emoções, tristezas e angústias de um camarada que se vê na chamada encruzilhada da vida, algemado às memórias juvenis e com um gigantesco receio de virar gente grande.

O livro, pontilhado de referências pop, praticamente não toca em futebol. O esporte preferido do personagem principal, Rob, é elaborar listinhas de tudo, desde as que tratam das 10 melhores aberturas de discos de rock até as que enumeram as cinco namoradas que mais estraçalharam seu atormentado coração.

Na prática, nem precisava haver citação explícita ao mundo da bola. A óbvia inclinação de Rob/Hornby pelo sofrimento gera identificação natural com o torcedor médio, aquele cara que se encharca de alegrias e mágoas, euforia e frustração, na mesma intensidade – e num mesmo jogo.

Por essas e outras sempre achei que “Alta Fidelidade” e “Febre de Bola” têm as mesmas matrizes dramáticas: o amor e a dor, sentimentos inerentes a todas as atividades humanas.

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Bola na Torre

No domingo do Círio, a apresentação será de Giuseppe Tommaso, com participação de Valmir Rodrigues e deste escriba baionense. O convidado é Paulo (Bad Boy) Fernando. A mesa-redonda campeã começa logo depois do Pânico na Band.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 12)

6 comentários em “Pará: reduto rubro-negro

  1. Gerson, daí o importantíssimo papel desempenhado pela tv cultura.

    A transmissão do campeonato paraense é o ponto de aproximação de Paissandu e Remo com o torcedor do interior.

    As radios também fazem isso, mas a tv faz muito mais.

    Mais um ponto deve ser sinônimo de preocupação tanto para Paissandu como para Remo. Estar sem a visibilidade necessária a nivel nacional tende a afetar a formação do novo torcedor.

    Algumas coisas que Paissandu e Remo podem estar realizando. 1) disputar Im RexPa mo interior uma vez ao ano. 2) Realizar preparação em locais não tão habituais, um pouco mais ao sul e ao oeste paraense. 3) Criar escolinhas com as marcas Paissandu e Remo no interior. 4) E o principal, voltar a ter boma times em competições importantes.

    Abracos Gerson e povo do blog.
    Bom Círio a todos!

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  2. Paysandu e Remo principalmente na RMB, Marajó e Nordeste do Pará são supremos, os demais times são secundários, 2° clube.

    No sul do Pará região povoada por pessoas de fora do estado, isso já não aocntece e na região santarena, lá tem resistencia por causa da distancia e rivalidade que nutrem pela capital.

    O que não deveria acontecer

    *Por isso sou contra aquela campanha de se torcer pra só um time, a liberdade é um direito de todos.

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  3. Celira, essas suas ótimas sugestões só poderiam tornar-se realdidade se PSC e CR tivessesm gestões verdadeiramente profissionais, ao invés de amadores como sempre foram e têm sido.

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  4. Sou a favor de Remo e paysandu,quem torce pra times de rio e são paulo são abestados que não dão valor pra terra natal.Eu duvido se cariocas e paulistas torcem pelos times daqui,só esses bestas que dão valor pra times de fora mesmo…

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  5. só uma besta quadrada moraria no centro do país, torcendo para os times que já ganharam titulos mundiais, iria deixar de torcer pelos seus times pra torcer por times do Norte

    a regra é essa, o que faz um time ser admirado são suas obras, Barcelona por exemplo, já tem muitos brasileiros como adeptos.

    quem é que vai olhar pra camisa do Moto Clube e vai se apaixonar e ser tornar um torcedor de carterinha não sendo maranhense?

    Te dizer, é cada um….

    Da-lhe fogão, Santos e Papãoooooooooo

    Quem tem liberdade tem tudo!!!!

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