Por Gerson Nogueira
Nada que o torcedor já não soubesse. O time é atrapalhado, tem lampejos em alguns jogos, mas no geral tem sérias limitações. Para piorar as coisas, a maior parte dos jogadores não parece a fim de suar a camisa. Falta sangue e transpiração, pecado capital para quem defende um clube de massa. Ontem, ao final de mais uma decepção na Curuzu, o torcedor vaiou, cobrou providências e apontou culpados. Como vem fazendo ao longo do campeonato.
As queixas da torcida se multiplicam à medida que as rodadas avançam, agora ficam faltando somente 10. São 30 pontos, é verdade, mas metade deles será disputada fora de casa – e, como se sabe, o Paissandu não consegue vencer como visitante. O desespero nas arquibancadas é até natural.
Pior: agora também não vence como anfitrião. Diante do Boa Esporte, o cenário era inteiramente favorável. O adversário vinha alquebrado por uma surra de 4 a 0 sofrida em casa e parecia armado para apenas se defender. Com o incentivo da torcida, modesta (5.556 pagantes), esperava-se um time mais plugado, mais ou menos como aquele que bateu a Chapecoense.
O problema é que o Papão de Vagner Benazzi – como também aquele de Givanildo e Arturzinho – é um time de muitas faces, nenhuma confiável. Consegue se agigantar quando enfrenta equipes bem situadas na tabela, mas se apequena frente aos que estão na mesma faixa de frequência.
Com uma dupla de ataque tímida, pouco inspirada, caiu por terra a ideia de sufocar desde os primeiros movimentos. Eduardo Ramos, vigiado de perto por Betinho, pouco produzia. As oportunidades se limitavam a escanteios e faltas, também mal aproveitados. O Boa, que não tinha pressa, chegava de vez em quando, em contra-ataques iniciados por Marcelinho Paraíba e puxados por Fernando Caranga.
O problema é que as ameaças do adversário não justificavam o excesso de preocupação no setor de marcação. Lá, o Paissandu concentrava até quatro jogadores, formando uma linha à frente da zaga. Enquanto isso, faltava cérebro e músculos para buscar o gol.
Na etapa final, Vagner Benazzi tentou mudar o panorama, invertendo a lógica: tirou Héliton e lançou Diego Barbosa. Nos primeiros ataques, Barbosa até apareceu bem, municiando Careca, que perdeu dois bons lances. Lá no meio, porém, Ramos seguia travado, sem iniciativas. Ao seu lado, Djalma nada acrescentava ou quando muito fazia investidas sem consequência.
O ataque só mostrou gana quando Aleílson entrou a 15 minutos do final. Dênis também foi lançado, mas a quantidade (três atacantes) não significou acréscimo de qualidade. Com disparos mal feitos e lançamentos tortos, o Paissandu foi se acomodando à realidade de mais um tropeço irrecuperável. Perder dois pontos a esta altura significou despencar para a 18ª posição e perder o ânimo surgido quando o novo técnico assumiu.
Não é hora de jogar a toalha, mas é inegável que tudo vai ficando mais difícil quando nem a promessa de gratificação extra parece sacudir o time.
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Com raça, Leãozinho avança
Foram 90 minutos de sofrido heroísmo. Se não perderam a concentração e lutaram bravamente, os meninos do Leão deixaram a desejar no aspecto técnico. A equipe manteve escalação e esquema tático, mas não teve o espírito matador do primeiro confronto.
Excessivamente cautelosa no primeiro tempo, não acertou um chute no gol defendido por Luan e se permitiu pressionar por um Flamengo apenas exasperado, mas tecnicamente fraco. Defendeu-se tanto o Remo que até um jogador de bom nível como Alex Ruan acabou abusando da força e foi expulso antes dos 30 minutos.
A perda de uma peça importante desnorteou o time, que se atrapalhou num dos incontáveis escanteios cobrados pelo Flamengo e cedeu o primeiro gol antes do intervalo.
Para o segundo tempo, Walter Lima manteve Sílvio improvisado na lateral esquerda e apostou na combatividade para segurar a vantagem. O Flamengo ainda chegou ao segundo gol, mas não teve competência para fazer o terceiro.
Mesmo sem visitar o gol adversário, o Leãozinho cumpriu seu papel e assegurou classificação. A torcida de todos é para que não tenha perdido a chama vencedora e a capacidade de desafiar inimigos mais tradicionais. É preciso voltar a explorar o talento dos meninos.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 09/Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)




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