Rock e não Rock in Rio

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Por Jamari França

Acho superada esta discussão sobre o Rock in Rio não ser inteiramente rock. Desde o primeiro não foi e nada vejo demais em atender outros públicos, mesmo que sejam de gosto discutível para os rockers ou para quem gosta de música de qualidade. O festival é um tremendo acontecimento de música misturada com entretenimento e as bossas dos brinquedos e da Rock Street. Nós temos bons shows de rock o ano inteiro e logo em outubro teremos o venerável Black Sabbath quase original. Este seria melhor no festival por uma questão de preço. Gasta-se mais pra ver o Sabbath do que numa noite metal do Rock in Rio.

Anyway, pode não ser um festival só de rock mas tem coisas interessantes no cardápio.Para mim o maior momento será a presença, dia 21, de Bruce Springsteen com a E Street Band, um show antológico sem dúvida nenhuma com The Boss, autor de muitas canções ambientadas na vida da parcela menos favorecida da minoria silenciosa americana. Meu disco favorito dele é Darkness On The Edge of Town (1978) que mostra bem do que estou falando em canções como Streets of Fire, Badlands, Promised  Land e Something In The Night. Minha favorita é Racing In The Street, um aventureiro que tem um Chevrolet 69 envenenado que estava fudido e foi recuperado por ele e seu parceiro Sonny para defender um troco em corridas clandestinas de cidade em cidade. A levada é lenta com ênfase em piano e teclados, um baixão e uma batera com o bumbo bem ressaltado na mixagem, um clássico estradeiro.

A noite de 22 é uma boa também com nossos clientes assíduos Iron Maiden, a novidade do Avenged Sevenfold e seu mashup de muitas bandas de metal e os rugidos sangrentos do Slayer. Lá no Sunset, o inusitado de Zé Ramalho com Sepultura reeditando a parceria de Dança das Borboletas. Em 2011 curti muito o palco Sunset pela qualidade das escalações e das misturas feitas pela equipe de Zé Ricardo, além de ser fácil trabalhar por lá: havia um lugar na frente para se ver os shows e acesso ao backstage para falar com os artistas.

Quanto ao Palco Mundo as condições de cobertura são precárias. Vi shows a uma distância em que até os telões ficavam pequenos, uma massa compacta desencorajava qualquer tipo de aproximação e um telão mais perto de onde eu estava não funcionou. Contar o que acontecia no palco nestas condições era impossível. Este ano vou ver pelo Multishow aqui de Porto Velho e garanto que verei bem melhor do que meus colegas in loco. Vai ser o primeiro Rock In Rio de que estarei ausente.

Que mais? Muse, dia 14, deve ser interessante com seu rock sempre no corte da navalha de um grandiosismo vazio como a geração progressiva dos 70. Ben Harper com o gaitista Charlie Musselwhite no Sunset dia 20 deve ser um dos melhores shows do festival, pelo menos para quem gosta de blues, vide o maravilhoso disco Get Up, que gravaram juntos. O Living Colour com Angélique Kidjo, do Benim, no Sunset nesta sexta deve dar um bom caldo.

Lá na Rockstreet Evandro Mesquita com os Favorite Tabs tocam classic rock abrasileirado nesta sexta, os Britos atacam de Beatles no domingo, já que o tema da rua este ano é a Inglaterra. Eles são George Israel, Guto Goffi, Nani Dias e Rodrigo Santos. Este último faz show com seus incansáveis Lenhadores (Fernando Magalhães na guitarra e Kadu Menezes nos tambores) dia 20 na Street. Fernando e Rodrigo são do Barão Vermelho, que não participa do Festival, e ficam de fora do palco principal, mas lá estarão Maurício Barros no show solo de Roberto Frejat (que devia ter cedido lugar para o Barão se apresentar) dia 20. Guto estará no palco nesta sexta na homenagem a Cazuza. O Barão é a grande ausência do festival. O Capital Inicial, dia 14, está funcionando no automático e não acredito que será diferente no festival e o Skank, dia 21, está estagnado.

Last but not least o Vintage Trouble, que se apresenta nesta sexta com a inglesa Jesuton, revelada aqui no Brasil, deve dar um bom show. O Vintage foi formado em 2010 na Califórnia e faz uma mistura de rock, blues, soul que deve ser uma das revelações do festival.

4 comentários em “Rock e não Rock in Rio

  1. O Rock in Rio nasceu como um festival de rock sim, se na primeira edição teve atrações não tão a ver com o rock (como Ivan Lins, Elba Ramalho, etc) foi porque o nosso incipiente rock nacional estava engatinhando, com bandas como Legião Urbana, Titãs, Ultraje a Rigor, Engenheiros do Hawaii, Sepultura, ainda desconhecidas. Mas a maior parte das atrações era Rock.
    Infelizmente a coisa foi decaindo até virar um festival pop, absolutamente mercantil e sem identidade (felizmente tiraram o cínico slogan “Por um Mundo Melhor”). Sou a favor ao menos da mudança do nome: Pop in Rio, Micareta in rio, Picaretagem in Rio…todas essas soam melhor.

    Em tempo: Confirmado no Rock in Rio: Minha ausência.

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  2. Rock in Globo,isso sim. Onde ela se mete , a coisa desanda.
    Matou a F1, se esforçando no Brasileirão de futebol,….. E agora quer nos por uma corda no pescoço, acabando como o pão nosso de cada dia. o Rock.

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  3. Camaradas, penso que não se deve misturar as coisas, Rock é Rock em qualquer lugar do planeta, é atitude e não há o que discutir.
    Coloquem o Black Sabath pra tocar no festival de brega que não tem nada a ver.
    Se o nome do festival é Rock in Rio, logicamente tem que ser de Rock, nacional e internacional. Lobão, U2, KISS, Iron Maiden estão na estrada e não os vejo na programação.
    O que tem a ver Anitta, Ivete Sangalo, David Guetta e cia. Com Rock? Nada!!
    Portanto, mudem o nome será agora “Merda in Rio”.

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