Por Gerson Nogueira
Foram os três pontos mais fáceis de ganhar que o Paissandu teve pela frente nesta Série B. Tudo conspirava a favor. O gol saiu logo aos 4 minutos e, a partir daí, o time dominou as ações sobre o ASA ao longo do primeiro tempo. Não dava espaços na defesa, marcava bem as laterais e criou chances, com Jailton e Marcelo Nicácio, de ampliar a contagem. A atuação foi quase impecável, exceto pelas finalizações.
Como Nicácio precisou ser substituído, o ataque paraense perdeu força e ficou quase inoperante. Aleílson entrou sem ritmo e custou a aparecer perante a zaga do ASA. Parecia perdido, sem encontrar a faixa certa para ocupar. Nos poucos lances em que a bola chegou até ele, a má colocação impediu que o chute ou cabeceio saísse perfeito.
E aí, como é normal na Série B, competição cuja maior característica é o equilíbrio entre as equipes, o segundo tempo pendeu para os donos da casa. O ASA, apesar de muitos erros de passe e afobação nos lances ofensivos, tomou conta da partida e pressionou com vontade.
Atacava tanto que acabou encurralando o Paissandu em seu próprio campo. Wanderson perdeu gol logo aos 4 minutos, com Pikachu aparecendo para salvar quase na linha fatal.
Do time seguro e rápido do começo da partida, o Papão aos poucos foi se desconstruindo, entregando-se à correria do adversário. Eduardo Ramos, que já havia sido discreto na primeira etapa, praticamente desapareceu. Jailton fazia um esforço para conduzir as jogadas, mas esbarrava na marcação.
Aos poucos, o bloqueio defensivo também deu sinais de exaustão e os atacantes do ASA passaram a desfrutar de facilidades seguidas frente à meta de Paulo Rafael. O goleiro andou operando alguns pequenos milagres, em chegadas cada vez mais perigosas do time da casa.
Vânderson era obrigado a sair para a marcação direta e a defesa ficava mais desprotegida. Ainda assim, o nervosismo do ASA impedia que as jogadas se concretizassem. Na frente, o Paissandu perdeu ainda mais presença com a substituição de Eduardo Ramos por Pablo, a 15 minutos do final. Pelo baixo rendimento, Iarley talvez fosse a peça a ser sacada naquele momento.
A entrada de defensor em lugar de um meia-armador não é bom presságio, costuma atrair problemas. Passa a impressão de insegurança e recuo excessivo. Com Pablo em campo, a pressão se acentuou ainda mais porque o Papão não tinha mais ninguém trabalhando jogadas no meio, gastando o tempo longe da grande área.
Antes de ceder o empate, o Papão escapou de dois lances críticos graças às intervenções de Paulo Rafael. Aos 40, porém, Tiago Garça empatou em jogada que denunciou o cansaço da defensiva bicolor. É justo reconhecer também que os alagoanos já mereciam a igualdade, pelo menos por terem insistido sem tréguas em busca do gol.
Os efeitos da atribulada viagem a Alagoas, com seis escalas e 12 horas de duração, não podem ser ignorados. O time sentiu o esforço e desmoronou no segundo tempo. Ainda assim, caso tivesse sido competente nos arremates, teria estabelecido uma boa vantagem no primeiro tempo, ganhando tranquilidade para administrar o resultado.
De positivo, a conquista de mais um ponto e o terceiro jogo sem derrotas, o que confirma a fase ascendente. Com os cinco pontos conquistados nas últimas partidas, o time diminuiu a distância para concorrentes diretos que estão fora da zona de rebaixamento.
A parte negativa, outra vez, foi a fragilidade física, responsável pela queda no desempenho de peças fundamentais, como Eduardo Ramos, Iarley, Nicácio e Jailton. O apagão que se abateu sobre o time no segundo tempo é um drama que se repete desde as primeiras rodadas do campeonato. Algo precisa ser feito para corrigir essa situação, a tempo de garantir uma pegada mais competitiva no returno.
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Muito barulho por nada
Notícias sobre discordâncias entre o técnico Charles e a direção de Futebol do Remo acerca de amistoso com Time Negra conflitam com o ambiente cada vez mais sereno que o clube tem vivido nas últimas semanas. Mais esquisita ainda é a exploração desse episódio por figuras ligadas ao próprio Remo, como se fosse fato relevante.
Arestas são normais na gestão de futebol e devem ser dirimidas no âmbito das hierarquias internas. Qualquer barulho maior em torno de tema menor soa, de imediato, como esforço concentrado para fazer tempestade em copo d’água. O Remo precisa, através de seus gestores, aprender a blindar suas áreas mais sensíveis.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 07)

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