Médico cubano negro x elite brasileira branca

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Por Renato Rovai

A foto que está circulando hoje pela internet de um médico negro de Cuba sendo vaiado por jovens brancas de jaleco branco em Fortaleza é ilustrativa do significado da insana luta a que se dispuseram muitos de nossos doutores. Eles não estão lutando pela saúde da população, mas pelos seus interesses mais mesquinhos. E por isso não aceitam que um negrão cubano, que se brasileiro fosse serviria pra catar suas latas de lixo num caminhão de coleta ou ainda carregar fardos de carga num armazém, venha para o Brasil ocupar um espaço que, inclusive, ele não deseja.

Boa parte da argumentação dos médicos que têm radicalizado no discurso xenófobo contra os que aceitaram trabalhar nos cantões do Brasil é a de que eles estudaram muito para conseguir passar num vestibular. E que os estrangeiros não. Que eles pagaram caro pelo curso. E que os estrangeiros não. Que eles investiram na carreira para ter retorno futuro. E que com a vinda dos estrangeiros isso está em risco. Este argumento final é o verdadeiro x da questão. Boa parte dos nossos médicos decidiram ser médicos para permanecer num patamar restrito da elite. Mas talvez não se deem conta de que esse corporativismo é a base da morte de milhares de brasileiros pobres e miseráveis.

Eles não são contra apenas os médicos estrangeiros ou de Cuba, mais especificamente. Eles também são contra a criação de novas faculdades de medicina. Os conselhos vivem desqualificando as iniciativas do governo pra criar novos cursos. Ou seja, a foto que está ilustrando este post é significativa para pensar o país que queremos. Se queremos um Brasil da inclusão, onde seja algo normal ser atendido por médicos negros que não sejam cubanos. Se queremos um Brasil onde estrangeiros sejam recebidos com respeito. Se queremos um Brasil onde saúde seja um direito de todos. Ou se preferimos viver num país de brancos de jalecos brancos que exigem ser chamado de doutores exatamente porque se acham acima daqueles que deveriam tratar com respeito e dignidade.

O interesse de uma corporação não pode estar acima dos interesses de toda a sociedade. E os médicos que estão nas ruas vaiando os seus colegas cubanos nunca estiveram nas ruas lutando por melhorias na área da saúde. Os que estiveram e estão nesta luta por um sistema único de qualidade, por exemplo, não se dignam a participar de um papelão desses.

Essa foto fica pra história, como a daquelas dos navios negreiros. Mas neste caso, pelo seu inverso. Porque negros de Cuba aceitaram vir pra cá contribuir pra melhorar a vida de outros negros e brancos pobres. E foram açoitados pelas vaias de brancos e brancas que se lixam pra vida dessa enorme parcela da população. Porque eles são da Casa Grande. E a Casa Grande sempre se locupletou com a péssima qualidade de vida da senzala.

Assista abaixo ao vídeo, onde um grupo de cerca de 50 médicos vaiaram e xingaram os profissionais cubanos, chamando-os de “escravos“.

39 comentários em “Médico cubano negro x elite brasileira branca

  1. Texto parcial e sensacionalista e racista. Quem disse que médico/estudante de medicina é da elite? Que é caucasiano e burgues? Eu não sou rico, nem sócio da AP. Não tenho carro, ando de ônibus e até mando fotos da minha turma pro blog…Pra vocês contarem quantos brancos tem. Aliás, conheço um monte que veio de família humilde (Que vai se coçar pra pagar o governo após a conclusão do curso) e que não é contra a vinda dos “negrões”, mas contra a vinda de espertalhões (sejam eles pretos, brancos, amarelos ou indígenas) que não irão se submeter à revalidação de diploma.

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  2. Além disso, houve distorção completa de certos fatos (Algumas pessoas da mídia, não necessariamente jornalistas, ADORAM fazer isso).
    Sem entrar em mais detalhes, a história de serem chamados de “escravos” não teve NADA a ver com a cor dos cubanos, mas se relaciona com a situação que eles serão submetidos (Baixo Salário, Locais de trabalho em condições precarias…) aqui no Brasil… São bonecos de ventriíoquo do irmão Fidel.

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  3. Se queremos um Brasil bom, a verdadeira mudança precisa se estruturar com verdade, não com distorções e parcialidade. Seja de qual for o lado.

    Hasta la vista, camaradas.

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  4. Quer dizer que vaiar, pra dizer o mínimo, a blogueira cubana que era branca vale. Os chacais da crônica estão à toda.

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  5. Thiago, compreendi o texto. Ele não distorce, e quem dera distorcesse. Embora ocorram generalizações, o texto toca na ferida: será mesmo que a grita, agora, é em torno do programa Mais Médicos ou da vinda dos médicos de origem cubana? Se fossem americanos, canadenses, ingleses, alemães, italianos… Por que a histeria contra os cubanos? Eis a grande questão a ser elucidada…

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  6. Daniel, com certeza tem cidadão racista. Que pensa de jeito que o texto diz mesmo…Mas, graças a Deus, não tive o desprazer de conhecer um desses. Posso te garantir que, pelo menos no meio onde eu convivo, a indignação é contra o governo incentivar profissionais atuarem no país sem ter feito o “revalida”. Apenas.

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  7. Que bom Tiago que você é cercado e convive com pessoas que tem essa nobreza de espírito. Mas infelizmente em nosso país, a vinda dos médicos cubanos só se tornou querela, balão de ensaio e boi de piranha a suscitar preconceitos de cor, ódios de classe, corporativismo cego e críticas que se tornaram vazias não apenas por serem mal direcionadas (unica e exclusivamente miradas no executivo federal), mas mal direcionadas pelo próprio desconhecimento dos representantes da categoria (como o Conselho Federal de Medicina) do pacto federativo que rege a execução de projetos e os investimentos no serviço público de saúde, desde a atenção básica até a alta complexidade. Logo, só podemos concluir que a ojeriza ao programa ou aos médicos naturais de certas localidades só pode ser explicada pela ignorância dos representantes da categoria ou pelo alinhamento político dos mesmos.

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  8. Thiago e Daniel, uma pequena coisa me intriga nessa lenga toda. O papel dos conselhos de medicina . quando criados os mais diversos conselhos ,eles tinham como objetivo principal ficar do lado da população..n estou vendo isso.

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  9. Deixando o lado politico e corporativista, vocês não acham que a vinda de médicos de outros países seja lá de onde for, só evidencia a falha do sistema educacional na formação de mais profissionais médicos nesse país, bem como a estruturação operacional de hospitais, postos de saúde e tudo relacionado ao atendimento do cidadão brasileiro?.

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  10. Antonio, os problemas são muitos. Dentre eles temos a falta de investimentos em certos setores do sistema público de saúde; o desleixo dos entes signatários do pacto federativo; a burocracia mastodôntica do Estado; o quantitativo de médicos que não supre as carências e demandas nacionais; os profissionais que trabalham sem estrutura em algumas frentes; a desumanização no ato do acolhimento e do atendimento aos pacientes; a moralização ausente no serviço público de saúde, que faz gestores cobrarem cumprimentos de horários e produção de certas categorias profissionais mas por outro lado agirem de forma leniente com os privilégios e regalias conferidos a outras categorias mais articuladas e com entidades representativas de classe com alto poder de barganha e pressão…
    Quanto a blogueira cubana que por aqui esteve, as vaias à sua presença foram desmedidas, acintosas e também revelam nossa falta de urbanidade. Mas foram grupos minoritários, fanatizados e sem senso crítico que a desancaram, os quais chamo de “militontos”. Os médicos cubanos, por outro lado, chegaram como se viessem insuflar um golpe em favor do governo, roubar os postos de trabalho dos médicos brasileiros ou atuarem como cabos eleitorais de Dilma e do PT.
    Mas perceba: quando aportou por aqui, Yoani Sanchez logo foi guindada pelos “chacais” da crônica e da imprensa à condição de porta-voz legítima da liberdade de expressão. Foi por eles muito bem tratada, o que é até recomendável. Os médicos cubanos, por sua vez, são a versão pós-moderna dos agentes do “perigo vermelho”, não importando se os mesmos vieram em caráter de urgência, se têm experiência no exercício da medicina ou se têm uma das melhores práticas médicas do mundo. Curioso mesmo é que nenhum país que os recebeu caiu nas mãos do “comunismo escravizador e traiçoeiro”. Nem mesmo no Haiti, onde abunda o caos de ordem humanitária, a instabilidade política e a guerra social.

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  11. O Governo poderia ter evitado todo esse desgaste… Bastava que aplicasse ao médicos estrangeiros a prova e aqueles aprovados teriam de receber as lincenças para trabalhar e seriam contratados. Creio que isso acabaria com boa parte dos argumentos da classe médica brasileira.

    Concluo dizendo que, depois de refletir, conclui que é necessária a vinda dos médicos estrangeiros, se for para ir para as pequenas cidades e vilarejos, aonde médico é mais raro que remédios. Boa parte da classe médica brasileira simplesmente não está disposta a ir para os interiores sem estrutura, sem shoppings e sem bons restaurantes. Então, que dêem licença e não atrapalhem àqueles que querem ir.

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  12. Não caim nesse PAPO FURADO, de quem disser que se esforçou muito para passar em vestibular de medicina, que o curso foi longo, etc…, pois simplesmente NINGUÉM OBRIGOU o sujeito a fazer sua escolha pela medicina, assim como ninguém obrigou a nenhum professor universitário de universidades federais a fazer graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, para ingressar na universidade ganhando, líquidos, R$ 6.700.

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  13. Não há generalização, amigo Thiago. É claro que nem todo mundo é elitista ou pertence à raça ariana, mas os preconceituosos estão encastelados naquilo que se chama elite no Brasil. O certo é que há um problema sério, exposto nas reações desses despreparados lá em Fortaleza. E isso é racismo, puro e simples, partindo de um núcleo bem conhecido. Se não denunciarmos esse tipo de coisa estaremos, implicitamente, sendo coniventes.

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  14. Não há generalização, amigo Thiago. É claro que nem todo mundo é elitista ou pertence à raça ariana, mas os preconceituosos estão encastelados naquilo que se chama elite no Brasil. O certo é que há um problema sério, exposto nas reações desses despreparados lá em Fortaleza. E isso é racismo, puro e simples, partindo de um núcleo bem conhecido. Se não denunciarmos esse tipo de coisa estaremos, implicitamente, sendo coniventes.

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  15. Essa fotografia mostra o comportamento ridículo desses médicos que foram ao aeroporto vair os médicos cubanos. Porque não foram vaiar a Dilma e o Padilha ?! Muito ridículo !

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  16. É, Daniel, são muitos mesmo os problemas, incluindo aí, neste longo e procedente rol que você elaborou o conluio governamental federal com os planos de saúde, o conluio governamental com os cursos piratas de medicina autorizando-os a funcionar indiscriminadamente, o conluio governamental federal com os governos estaduais, municipais e distrital não fiscalizando a aplicação das verbas que lhes repassa e cada vez repassando mais…

    Enfim, tudo a demonstrar que somente médicos em véspera de eleição não é a solução, sejam eles da procedência que forem. Mas, registre-se que não soluciona o problema da saúde no Brasil, porque o das eleições, inclusive o do respectivo financiamento, este soluciona, e muito bem.

    Ah, uma penúltima coisa, a respeito do “Mais Médicos”: acusa-se os médicos brasileiros de elitismo, desumanidade, e outros bichos feios, pela fraca adesão ao programa. Mas, interessante que tendo sido disponibilizadas as vagas à toda a comunidade internacional, só Cuba aderiu em massa, pretendo enviar seis mil médicos. Isso me cheira à licitações pra obras do metrô.

    Valendo dizer que não há explicação plausível para dispensar o revalida para os médicos, todos os médicos, do Programa. E, no caso específico dos oriundos de Cuba, a alegativa de que são experientes, de que são egressos de um centro de excelência, só reforça a ideia de que não é razoável dispensá-los da aferição de suas habilidades.

    Quanto à vaia dos Cubanos, elas também partiram de uma minoria e não foram desmedidas, foram, na verdade, descabidas. E não podem ser chamadas, a priori, de racistas, pois a fotografia mostra claramente, que não eram brancos os que vaiavam. Aliás, o Harold sacou muito bem isso acima, quando aludiu à chapinha d’algumas vaiantes. A propósito, leia lá na Carta Capital, a “chacal” mor do lullopetismo, e noutros sítios igualmente chacais das redes sociais e “perceba” se ela, a blogueira, também não foi execrada.

    Mas, reitero, o muitas vezes já reiterado, auguro que estes programa “Mais Médicos”, subvertendo todas as minhas mais céticas convicções, dê um alento àqueles que serão seus destinatários.

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  17. É uma vegonha essa classe médica do Brasil, claro que tem suas exceções, num País série essa patricinhas estavam era na cadeia, acusação xenofobia.

    Eu tenho plano de saúde particular (Unimed), mesmo assim levo 02 meses para conseguir uma consulta com meu médico.

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  18. O que percebo é simplesmente medo dos médicos brasileiros!

    Pra que revalidar?

    Os caras já não são médicos?

    Sou engenheiro, trabalho com engenheiros de outros países, e nem por isso tenho medo de perder meu emprego, ou mesmo de trocar!

    Quando os médicos brasileiros aceitarem se deslocar pros rincões isolados do Brasil, como outros profissionais o fazem, eu me calo!

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  19. Até onde sei, o governo deixou de fazer o “revalida” para que eles só pudessem exercer a medicina nos locais para onde forem designados.

    Quanto ao problema de o governo cubano ficar com parte do dinheiro deles, não nos compete julgar. Com quanto do nosso dinheiro o governo fica, disfarçado com o apelido de impostos?
    Mais do que uma terça parte.

    E não é apenas de uma meia dúzia de médicos…. é de uma nação inteira (excluindo, é claro, os sonegadores e os corruptos)

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  20. Como metalúrgico, n me atrevo em comentar o revalida para os médicos estrangeiros. Mas lembrei que nos anos 90, Portugal foi invadido por dentistas brasileiros. Ai os tugas criaram um funil daqueles.
    Sera que no Brasil ,também nao esta ,se repetindo o mesmo!? Ai nessas voltas que a bola da’..nos últimos tres anos os dentistas tugas tem invadido a Inglaterra.
    Sobre o amanha nada se sabe.

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  21. Antonio, não confundamos alhos com bugalhos. A crítica ao governo federal é procedente em muitíssimos aspectos, sobretudo no que diz respeito ao abandono de velhas bandeiras em nome de uma governabilidade cega, que consagrou pactos espúrios e não apeou da Corte aqueles que por lá há anos estão encastelados. Concordo inteiramente que nos falta fiscalização do aporte de recursos, mas existem dispositivos que impedem a aplicação de verbas de forma perdulária pelos entes federados. Mas sabe o que acontece Antonio? O governo federal exige o cumprimento de normas (inclusive técnicas), exige o cumprimento de prazos, alguns recursos são destinados mediante rubricas. No entanto, os demais entes signatários do pacto federativo, necessários à definição das responsabilidades e competências no atendimento às demandas, na aplicação dos recursos, e no investimento em equipamento dos hospitais e centros de referência, não cumprem com sua parte. E fazem pior: aparelham o controle social, os chamados Conselhos Municipais e Estaduais de saúde (isso quando eles existem), previstos na Lei 8.142/90 do Sistema Único de Saúde. Com o controle social controlado (é até um pleonasmo) pelos executivos municipais e estaduais, a farra do boi está feita e os cofres são dilapidados. E isso, infelizmente, muitas vezes é respaldado e amparado pelo nosso sistema jurídico e o seu império de recursos apelações complacentes com as autoridades. Não à toa, o ex-prefeito de nossa cidade não foi responsabilizado pela desumanização da atenção básica (competente ao município), o que permitiu inclusive a ocorrência de óbitos nas portas de nossos hospitais públicos, estampadas em letras garrafais nos principais jornais da cidade.
    Por isso digo meu caro amigo Antonio que a cobrança é procedente, desde que se cobre de quem deve ser cobrado. Mas o que esperar de alguns grupos e de algumas categorias profissionais que em sua maioria sempre estiveram na letargia e longe dos debates públicos. O debate deve ser politizado, não ideologizado da pior forma possível (ideologização não é sinônimo de péssimo debate, pelo contrário. Se fundamentado e com uma posição política clara e definida, é uma arena. Do contrário é rinha, argumentação rasa e tola) como tem ocorrido com as entidades representativas dos médicos brasileiros.
    Certa vez disse ao amigo Thiago, que é graduando em medicina, que existem médicos e médicos. Mas existe uma postura generalizada no atendimento clínico no país, e que já tem assolado inclusive aqueles que pagam os indefectíveis planos de saúde: a desumanização no acolhimento e no atendimento dos que recorrem aos serviços de saúde. Já atuei profissionalmente na saúde pública, minha irmã já atua há tempos e minha noiva também lida com profissionais da área. E o maior embate se dá com os médicos: números consideráveis destes não cumprem seus horários (previstos em editais quando do estabelecimento de certames para preenchimento de vagas na esfera pública) e gozam de certas regalias. Sou professor e atuo no serviço público de educação, igualmente precarizado como a saúde. E se não cumpro meu horário sou advertido. Por que cargas d’água alguns devem cumprir com seus deveres e outros não? Uns mais iguais que outros? Além disso, todos sabemos que na maioria dos casos há diferenciações no atendimento entre quem acessa o serviço público de saúde, quem tem plano privado ou quem paga as consultas. Meu pai, recentemente, conheceu esta diferenciação, o que me deixou revoltado.
    Volto a afirmar: por que tanta grita em torno dos médicos cubanos? Receio de uma nova perspectiva no atendimento a enfermos? O resgate da humanização no trato dos pacientes?
    Quanto à imprensa e o debate público, não tergiversemos: se a grande mídia é um partido político e tem posição às vezes definida, às vezes no pântano do submundo de vantagens, lobbys e joguetes (que acabam adquirindo conotação política), qual o problema que outros veículos (como a Carta Capital e quejandos) tenham o seu próprio posicionamento? Não se quer pluralidade de ideias e opiniões? Não é isto o que caracteriza uma imprensa livre?
    Não comparemos ainda o alcance e a repercussão de veículos e informativos como a Veja, a Folha e os jornais globais com a revista Piauí e a Le Monde Diplomatique Brasil, por exemplo. Seria o mesmo que comparar o Liberal com o Jornal Pessoal ou o extinto Pasquim.
    O debate é político, por que assim se tornou, e deve ser livre. Negar isso é brigar com os fatos.

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  22. Daniel, hoje você estava inspirado. Mas, vamos lá, por partes.

    Primeiro, não há confusão. Aliás, você mesmo reconhece aqui no seu longo e bem concatenado texto que há muitas falhas na gestão federal da saúde. E, da minha parte, eu jamais absolvi, a gestão das demais entidades federativas do sistema de saúde, daquilo que lhes toca destas falhas. Minhas críticas são generalizadas e focam na parcela federal quando a postagem diz respeito à parcela federal.

    Aliás, muito da carência de fiscalização federal, decorre das parcerias políticas. O próprio dudu, por exemplo, é cediço que fez uma parceria muito profícua, pra ele, com o governo petista. Daí porque, inclusive por tudo isso que você admite, são absolutamente procedentes as cobranças feitas ao governo federal, máxime quando este, somente após passados mais de 11 anos que assumiu o poder, e porque está em época de eleição onde o ministro da saúde também é candidato, esboça uma reação que não passa de um paliativo, cujo efeito mais eficaz é o de cunho eleitoreiro.

    Quanto às diferenças no atendimento do serviço público eu posso avaliar a revolta que relatas, inclusive porque eu próprio fui vítima das mesmas. E experimentei revolta, frustração, etc, bem próxima a que sentistes (porque certamente se a vítima fosse o meu pai o desconforto seria ainda maior). Aliás, até relatei a triste experiência aqui no blog.

    Eu também reafirmo: de minha parte, e da parte de muitos que eu conheço, incluídos aí vários médicos (especialmente uma médica que eu conheço muito bem) a questão não são os cubanos, ou apenas os cubanos. A questão nuclear é a farsa paliativa e dispendiosa dos Mais Médicos. A condição análoga à escravidão dos cubanos, e o Revalida, são importantes, mas são aspectos periféricos.

    Quanto à imprensa, concordo: não tergiversemos! Com a internet não se pode mais falar que a mídia petista não tem a mesma penetração da mídia opositora. Aliás, com o financiamento governamental, a mídia governista tem tanto ou mais penetração que a mídia opositora. E também concordo, negar isso é querer brigar com os fatos.

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  23. Antonio, o Revalida, como se sabe é balão de ensaio e recurso discursivo que na superfície mostra-se como ingrediente principal, mas que na verdade apenas reside no fundo da panela, a temperar queixumes com outras tonalidades e sabores, haja visto que o mesmo é, na sua essência, não um dispositivo regulatório a incindir sobre o exercício da profissão (como os exames da OAB, que inclusive começam a ser é um “criterioso”?) mas um filtro que também possa criar uma reserva de mercado, reprimindo demandas e consequentemente superestimando ofertas.
    Há também (o que é de bom alvitre) médicos favoráveis à vinda de estrangeiros – e felizmente não são poucos – para ocuparem postos de trabalho não preenchidos por médicos brasileiros. Porém, outros muitíssimos, respaldados ainda por algumas entidades representativas da categoria em nível local e federal não pensam da mesma forma. O que é uma pena.
    Mas o que intriga mesma é: porque o furor é direcionado apenas aos cubanos (e existem adesões ao programa de argentinos, uruguaios e portugueses)? porque o furor contra a medida se ela nem é inédita, pois já houve experiências nesse sentido inclusive nos governos tucanos?
    Ora, se o atendimento nos rincões do país pode diminuir o afluxo de demandas nas capitais, sobretudo na atenção básica, porque defenestrar o programa, sendo que uma das principais queixas (procedentes, diga-se) dos médicos é que as capitais estão com hospitais de referência e de pronto atendimento superlotados por conta de demandas reprimidas do interior (como, no caso de Belém, que atende pacientes de todos os recantos do estado, sobretudo da meso-região do Marajó)? É no mínimo contraditório.
    E essa contradição só pode ser explicada por inadequações do discurso que no fundo revelam pendores, sentimentos e práticas veiculadas por amplos seguimentos de nossas elites ditas esclarecidas.
    O programa é de viés eleitoreiro? Sim e não. Tal como a quebra de patentes de medicamentos ou a criação dos chamados medicamentos genéricos, um gol a favor anotado por José Serra quando este capitaneou o Ministério da Saúde. Isso deve ser resgatado, para que fique às claras.
    Quanto ao chamado lulopetismo de blogs e espaços da chamada mídia virtual (termo este meio pedante, meio brega, meio sociologia de mesa de bar), ora, é nada mais do que salutar ao debate político. Não o tal lulopestismo em si, mas a possibilidade da pluralidade de ideias, da existência da alteridade, pois o espaço do debate também é o da disputa. Pensamento único jamais. Será que estamos fadados a acreditar e permitir que apenas certos grupos e veículos tenham a primazia do discurso, por isso tornado hegemônico no debate público? Não se quer uma imprensa livre?
    Ademais, não confundamos concordância com chapa-branquismo ou adesismo puro e cego. Sou favorável à vinda de médicos de quaisquer nacionalidades, o que não necessariamente me torna um eleitor de Dilma ou Lula. Em que pese o nicho da blogosfera à favor dos ocupantes do poder, há sites, perfis e grupos de cunho progressista não alinhados com aqueles que por ora se assentam ao trono. E mesmo assim, não há nestes o fervor quase histérico contra a presença dos “gringos” em nossos rincões. Ademais, a internet tem quantos anos no Brasil mesmo? E o conservadorismo que dá o tom das linhas editoriais de nossa grande imprensa? Este é mais que secular.
    No que diz respeito ao pacto federativo, repito: os pactos são firmados sob a égide do sistema jurídico, de medidas provisórias e projetos de lei e de emenda à Carta Magna. E o que acontece é que, muitas vezes, descumpre-se a lei. Sou professor em um município onde grassam movimentos grevistas e paralisações das categorias profissionais que compõem o sistema municipal de educação local, pura e simplesmente porque não se cumpre a lei (como Planos de Cargos Carreiras e Remuneração, Lei do Piso Nacional do Ensino Básico, Fundeb e etc). Deve-se é claro criar mecanismos mais draconianos de controle e fiscalização, e o governo central peca em não os instituir. Contudo, mas e a pactuação, onde enfiam-na? Debaixo do tapete?

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  24. Antonio, o Revalida, como se sabe é balão de ensaio e recurso discursivo que na superfície mostra-se como ingrediente principal, mas que na verdade apenas reside no fundo da panela, a temperar queixumes com outras tonalidades e sabores, haja visto que o mesmo é, na sua essência, não um dispositivo regulatório a incindir sobre o exercício da profissão (como os exames da OAB, que inclusive começam a ser questionado) mas um filtro que permite ainda a criação de uma reserva de mercado, reprimindo demandas e consequentemente superestimando ofertas.
    Há é claro (o que é de bom alvitre) médicos favoráveis à vinda de estrangeiros – e felizmente não são poucos – para ocuparem postos de trabalho não preenchidos por médicos brasileiros. Porém, outros muitíssimos, respaldados ainda por algumas entidades representativas da categoria em nível local e federal, não pensam da mesma forma, o que é uma pena.
    Mas o que intriga mesma é: porque o furor é direcionado apenas aos cubanos (e existem adesões ao programa de argentinos, uruguaios e portugueses)? porque o furor contra a medida se ela nem é inédita, pois já houve experiências nesse sentido inclusive nos governos tucanos?
    Ora, se o atendimento nos rincões do país pode diminuir o afluxo de demandas nas capitais, sobretudo na atenção básica, porque defenestrar o programa, sendo que uma das principais queixas (procedentes, diga-se) dos médicos é que as capitais estão com hospitais de referência e de pronto atendimento superlotados por conta de demandas reprimidas do interior (como, no caso de Belém, que acolhe pacientes de todos os recantos do estado, sobretudo da meso-região do Marajó)? É no mínimo contraditório.
    E essa contradição só pode ser explicada por inadequações do discurso que no fundo revelam pendores, sentimentos e práticas veiculadas por amplos seguimentos de nossas elites ditas esclarecidas.
    O programa é de viés eleitoreiro? Sim e não. Sim e não, tal como a quebra de patentes de medicamentos ou a criação dos chamados medicamentos genéricos, um gol a favor anotado por José Serra quando este capitaneou o Ministério da Saúde. Gestão esta à frente da pasta que capitalizou sua posterior candidatura à presidência da república. No entanto, Serra foi acusado de utilitarista? Não lembro…
    Quanto ao chamado “lulopetismo” – termo por si só precário, pois é terminologia assemelhada à muitas que emergem das sociologias de mesa de bar – de blogs e espaços da chamada mídia virtual, ora, nada mais é do que salutar ao debate político. Não o tal “lulopestismo” em si, mas a possibilidade da pluralidade de ideias, da existência da alteridade, pois o espaço do debate também é o da disputa. Pensamento único não é saudável, sabemos. Será que estamos fadados então a acreditar e permitir que apenas certos grupos e veículos sejam ungidos com a primazia do discurso, por isso tornado hegemônico no debate público? Não se quer uma imprensa livre?
    Ademais, não confundamos concordância com chapa-branquismo ou adesismo puro e cego. Sou favorável à vinda de médicos de quaisquer nacionalidades, o que não necessariamente me torna um eleitor de Dilma ou Lula. Em que pese o nicho da blogosfera à favor dos ocupantes do poder, há sites, perfis e grupos de cunho progressista não alinhados com aqueles que por ora se assentam ao trono. E mesmo assim, não há nestes o fervor quase histérico contra a presença dos “gringos” em nossos rincões. Destarte, a internet tem quantos anos no Brasil? E o conservadorismo que dá o tom das linhas editoriais de nossa grande imprensa? Este é mais que secular.
    No que diz respeito ao pacto federativo, repito: o mesmo é firmado sob a égide do sistema jurídico, de medidas provisórias e projetos de lei e de emenda à Carta Magna. E o que acontece é que, muitas vezes, descumpre-se a lei. Sou professor em um município onde grassam movimentos grevistas e paralisações das categorias profissionais que compõem o sistema municipal de educação local, pura e simplesmente porque não se cumpre a lei (como Planos de Cargos Carreiras e Remuneração, Lei do Piso Nacional do Ensino Básico, Fundeb e etc). Deve-se é claro criar mecanismos mais draconianos de controle e fiscalização, e o governo central peca em não os instituir. Contudo, mas e a pactuação, onde é enfiada? Debaixo do tapete? Ou da goela dos munícipes?
    Temos que diversificar os alvos de nossa impetuosa artilharia.

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  25. Daniel, sigo por partes: eu sinceramente não sei que o Revalida tenha este perfil e esta finalidade a que te referes. Os especialistas da área que comentam aqui no blog podem dar uma opinião mais abalizada a tal respeito.

    O que eu sabia é que o revalida tinham como finalidade principal o interesse da coletividade, num aspecto dos mais relevantes que é a saúde pública. Afinal, foi instituído em lei (1996), e regulamentado pelo poder executivo (2011).

    Do ponto de vista do poder executivo, será que as autoridades federais que baixaram a portaria conjunta do Ministério da Saúde e da Educação teriam coragem de baixar um ato dada republicano (portaria regulamentando o revalida) que também pretendesse “criar uma reserva de mercado, reprimindo demandas e consequentemente superestimando ofertas”?

    Antes que digas que sim, eu te digo que estas autoridades foram exatamente o ministro Padilha (saúde) e o então ministro Hadad (educação). Aliás, te digo também que o revalida não é aplicado por entidades de classe, mas sim pelo próprio governo federal.

    Adiante, abordo os demais aspectos.

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  26. Na realidade, como eu já escrevi antes, os cubanos com a peculiaridade de sua contratação, é só um dado periférico, importante, mas periférico. O fulcro da questão é a medida paliativa e eleitoreira que foi adotada, e não ligando para os demais aspectos que são importantes em se tratando de saúde pública. A propósito, e se os “Mais Médicos” forem bons mesmo (tem de ser pela montanha de recursos que estão demandando) o êxodo para as capitais não reduz e quiça até aumenta, pois só médico não resolve os problemas e as carências no interior, e os pacientes vão ter de ser vir mesmo, encaminhados que serão pelos mais médicos, para gramar nas filas de espera. Com efeito, o furor contra os cubanos não passa de factoide, cortina de fumaça, da mídia lulopetista. Termo, aliás, muito feliz, eis que segrega bem claramente, o petismo de raiz, daquele petismo adotado pelo lulla, que traiu os ideais que pregava, expulsou muitos dos seus tradicionais quadros, trocou sua militância por seus marqueteiros e chacais midiáticos, enfim, aquele petismo de todo compatível com os Jefersons, Malufes, Calheiros, Saneys, dentre outros incontáveis, e tudo de ruim que estes diferenciados senhores causaram para o Brasil, nomeadamente para a saúde, educação e segurança.
    Continuo, adiante.

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  27. Quanto ao viés eleitoreiro, como você o admitiu, não carece maiores detalhes. Cabe apenas lembrar que o Serra não teve esta vida mansa não. Aliás, foi inclusive acusado de ter favorecido deveras a indústria farmacêutica, do que não duvido nada. Mas, o problema é que o serra já foi, o fhc já foi e não deixaram saudades, cumpria ao governo que assumiu responsabilizá-los pelos seus erros e fazer diferente, fazer melhor, fazer alguma coisa de verdade. Mas, passaram já 11 anos e não fizeram nem uma coisa, nem outra. E nem farão mesmo, eis que é um governo lullopetista, que compactua com os malfeitores do passado. Na verdade, o que fazem é comparar seu desgoverno atual com o desgoverno passado, do fhc e antecessores, numa eterna competição de malfeitorias (num eterno eles fizeram pior). Ora, que eles não prestavam a maioria do eleitorado sabe, por isso que à duríssimas penas os colocou pra fora.
    Continuo adiante.

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  28. Por último, a internet tem no Brasil o tempo suficiente para subverter todas as relações midiáticas tradicionais. Aliás, deste poder desagrilhoante da internet, muito se gabam, os alinhados governamentais, os patrocinados, enfim os “chapa branca” da rede mundial, quando lhes interessa. Na realidade, hoje para os seculos e séculos da mídia tradicional, não sobrou nem o amém.

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  29. Antonio, agora eu é que digo: estavas inspirado. O melhor trecho do seu texto é este “eis que segrega bem claramente, o petismo de raiz, daquele petismo adotado pelo lulla, que traiu os ideais que pregava, expulsou muitos dos seus tradicionais quadros, trocou sua militância por seus marqueteiros e chacais midiáticos, enfim, aquele petismo de todo compatível com os Jefersons, Malufes, Calheiros, Sarneys…”.
    Quanto aos patrocinados, há de ambos os lados, isso é evidente. Ainda há muito a ser deglutido pela mídia tradicional (meus familiares e eu, por exemplo, não pretendemos abandonar o hábito cinquentenário de lermos jornais).
    A internet, de certo, democratizou a opinião. Abalizada, banal, imbecil, chapa-branca, adesista, revolucionária, radical, conservadora, reacionária… todas têm seu espaço e seu nicho. Mas, recentemente, no Brasil navegar pela rede mundial tem sido uma viagem horripilante dado a grande quantidade de espaços, fóruns, blogs, comunidades e perfis turbinados pelas velhas e paranóicas bandeiras daquilo que há de mais abjeto no campo político que são o autoritarismo, o neo-fascismo, o conservadorismo ultra radical, o racismo, o preconceito (sócio-racial) e a xenofobia. É ainda alarmante o considerável número de simpatizantes destas perspectivas. As “análises” dos “articulistas” e comentaristas destes espaços beiram a esquizofrenia, pois para estes vivemos “uma ditadura comunista”, “está em marcha a instauração de uma ditadura comunista no país” e de que “não há um partido de direita no Brasil”. Há ainda claras defesas em prol da intervenção militar. Logo, não deveriam ser os patrocinados de um lado ou de outro o alvo de nossas denúncias, muito embora, por afinidade notória, os “chacais” da barbárie tenham suas escolhas previamente conhecidas por todos nós em meio ao debate travado pelos subvencionados.

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  30. Daniel, na realidade, a inspiração é estimulada pela tua. Quanto a ler jornais, o hábito aqui por casa, regula aproximadamente a mesma idade e já vem se enraizando na petizada. Ocorre que agora isso pode ser feito pela internet. E independentemente da linha política que siga, a maioria dos jornais, e das revistas, pode ser acessada pela rede mundial (onde realmente há de tudo e principalmente o que não presta), no próprio dia da publicação, a custo financeiro global bem menor do que pela mídia convencional, com a vantagem de que pra se informar e formar sua opinião, qualquer pessoa (além da experiência própria) pode ter acesso e aquilatar, todas estas tendências. E tudo sem o inconveniente dos intermináveis classificados e demais veiculações publicitárias, sem contar que libera o sujeito do contato com aquela tinta nem sempre de boa qualidade, sem contar que depois não há necessidade de preocupações com o descarte e com o arquivamento do papel para consulta futura.

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  31. Mas o arquivamento é importante caro Antonio. Pesquisadores ainda se valem (e se utilizarão por muito tempo) às fontes nos acervos empoeirados. Eu, por exemplo, gosto muito!

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  32. Daniel, acho que não me expliquei direito. Deixa eu tentar de novo: não é que eu não ache importante o arquivamento do acervo. Muito ao contrário, a história precisa dos arquivos, e muito. O que eu achava que tinha dito ( e relendo o que escrevi, acho que realmente não disse muito claramente) é que com a internet fica muito mais fácil e muito melhor o arquivamento, sem poeira, sem fungo, sem alergia (enfermidade que eu depois de velho acabei contraindo ou desenvolvendo), podendo arquivar cada vez mais em espaços cada vez menores e com muito menos riscos de se perder ou deteriorar o acervo. Tanto é verdade que muito da documentação antiga que é fonte inestimável, já está sendo digitalizada. É isso.

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