A indignação dos médicos

Por Glauco Lima

Vai entender esses médicos da passeata!!! só as vagas que não forem preenchidas por brasileiros serão ofertadas para estrangeiros. Não é?? Ou seja, os gringos só vão pros cafundós onde médico brasileiro não quer ir no Brasil. E se esses estrangeiros vierem, não vão ter os diplomas validados. Ou seja, não vão ameaçar os postos de trabalho dos médicos, nem o mercado profissional, seus salários e honorários, já que não podem ser contratados por empresas de saúde, hospitais, clínicas, nem podem abrir consultório. Se os médicos estrangeiros vierem pra cá, vão trabalhar pro governo, cuidando de pobres nas periferias das grandes cidades ou de miseráveis nos esquecidos rincões do Norte e do Nordeste do Brasil. Ou seja, para os médicos cultos, ricos, éticos, anti-corrupção ( nunca deram preço com Nota Fiscal e sem Nota Fiscal), vai ser até bom o Programa Mais Médicos.

28 comentários em “A indignação dos médicos

  1. As coisas começaram a ser revistas. Já não teremos mais dois anos na faculdade na forma de trabalho escravo. Quanto ao interior, só o tempo vai dizer que estão querendo tapar o sol com a peneira. Pior, se não fiscalizarem direitinho, como tudo no interiorzão, cada novidade traz junto uma série de atos de corrupção e desvio de conduta. Mas pra que preocupar-me como diz o texto do Glauco, que nada mais é do que uma alusão ao egoismo ? “Trabalho na capital mesmo, com dois bons concursos públicos aos 45 anos e nem brigar pra receber de planos de saúde preciso. Danem-se os que precisarem trabalhar no interior.” Brincadeira essa saúde pública e esse textozinho tantas vezes repetido pelos pró-PT. Esculhambaram a saúde e pronto, essa é a verdade. Uma medida dessas é inadmissivel em país sério.

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  2. Cada um com sua opnião, mas pergunto, fazem paralização na saúde pública e em sua clínicas particulares cada vez mais cheias e com os preços das consultas nas alturas, eles paralizam?. médicos cada vez mais ricos e o povo pobre em saúde, corporativismo puro.

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  3. Gusmão, paga quem pode e quem quer. O SUS maravilha está aí, de graça, basta entrar e se consultar. Aliás, seria um ótimo exemplo o Lula e a Dilma tratarem suas doenças num hospital como o Ofir Loiola, refwrência em câncer. Que tal? Senta na frente de um advogado e faz uma simples consulta, que não necessariamente gere uma ação e muito menos garanta ganho de causa. É um
    salário, amigo, pra começo de conversa. No SUS vc nao precisa provar que é pobre. Para a defensoria pública, sim. Fico por aqui. Abs.

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  4. Ah, completando. O cara rala e se destaca desde o primário, no início de carreira tantas vezes se pergunta se compensa e pensa em largar. Aí, passa no outro vestibular pra uma boa residência, monta seu consultório e no começo mata moscas. E quando os pacientes aparecem ele vai fazer greve contra ele mesmo? Não entendi seu raciocínio. Por outro lado, se paralisa no SUS pelas condiçoes de trabalho é porque não está preocupado só com seu consultório, não? A medicina tem muito de ingrata, não por ela em si, mas pelas consequências de ser médico num país de políticos ladrões e povo pouco esclarecido e de formadores de opinião aplacados por suas convicções inflexíveis.

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  5. Maurício, só pela sua visão conservadora ao dizer que “paga quem pode e quem quer”, logo se vê que não tem o que se argumentar contra esse seu pensamento tacanho.

    Eu tenho 31 anos e nunca precisei de um advogado, mas não consigo imaginar na frente de quantos “doutores” já estive sentado relatando sintomas e esperando algum auxílio.

    O que desejo pras pessoas é o mesmo que pude obter por conta da situação econômica da minha filha.

    Morei muito tempo em Belém e não é a mesma realidade nos interiores que já estive presente.

    Essa desculpa dos profissionais de “se você construir, eles virão” é quase um achincalhe à nossa inteligência.

    Sim, falta estrutura e investimento. E é necessário aumentar recursos pra saúde sempre, nunca será o suficiente.

    Mas faltam médicos também. Um médico sem equipamento pode fazer muito mais do que um equipamento sem médico, isso é óbvio.

    Ninguém está obrigando médicos a irem aos rincões do Brasil, a abandonar os prazeres e as benesses da grande cidade.

    O fato é simples: o Brasil precisa de médicos em todas as cidades, se os médicos brasileiros não querem ir, que se chame outros que queiram.

    E que não se venha afirmar que um médico europeu não seja qualificado para tal. Nossas universidades não são as mil maravilhas que estão tentando propagar agora.

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  6. Mauricio, concordo com suas colocações, mas faltou você falar de Genoíno, Sarney e mais um monte desses vagabundos, que na maioria das vezes, nunca perdeu uma noite de sono estudando para entrar em uma universidade.

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  7. Pois isso q falei, Heleno. Mas tem q provar ser pobre para usufruir. Ou seja, precisou de advogado tem que se coçar mesmo, e a facada é segura, mas ninguém mete o pau nos caras. E nem plano de assistência jurídica individual existe, algo que seja equivalente aos planos de saúde para quem não pode ou não quer pagar médico particular. Já ao SUS, rico e pobre tem a mesma facilidade de acesso, só que, com poucas exceções, o serviço oferecido não é bom, e não por culpa dos médicos, o que parece claro, mas que muitos preferem não entender apenas para defender a idéia política.

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  8. Achincalhe é pouco, amigo Víctor. É deboche mesmo. Sujeito sai falando em indignação porque teme a diferença de tratamento que os médicos importados irão mostrar. Nossos médicos deveriam, por vocação, trabalhar apenas em países do primeiro mundo, tal o nível de exigência que têm.

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  9. Sabemos disso, amigo Luís. O diabo é que tem gente que, por questões ideológicas, tenta distorcer a realidade.

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  10. Victor, vc quer que eu fale o quê? Conservador é pensar que Medicina é sacerdócio e que médico não pode ser bom e ao mesmo tempo cobrar bem. Aliás, vá se informar sobre quanto cobra um certo padre aí que é o preferido pra casar os filhos de familias ricas de Belém. Vc vai cair pra trás. Existem muitos médicos bons e que cobram um preço razoável. Como em tudo, tem que se pesquisar. O problema é que a elite besta quer e promove as estrelas. Dentre esses, cito Lula e Dilma, às custas de quem se promove RK, reconhecidamente o maior médico marqueteiro. Eles podem e querem ir pro Sírio, paciência. Entendeu o querer e poder?

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  11. Quem é médico, se reclama é porque é corporativista.

    Mas, e quem não é médico? Vamos ver de que será acusado…

    Pois bem, a importação dos médicos gringos representam medida paliativa, periférica, midiática, que está longe de representar ao menos um passo significativo no caminho do sério enfrentamento da situação problemática da saúde no Brasil.

    Olha só: mesmo na periferia e no interior, que é o foco da propaganda governamental, a medida não vai mover uma palha no que diz respeito à falta de equipamentos, medicamentos, unidades de saúde etc, etc, etc. E quando estes cidadãos necessitarem de algo mais do que a consulta médica, tipo exame ou cirurgias mais complexos? O caos seguirá o mesmo? Um exemplo típico e recente desta realidade caótica, dentre milhões ao redor do Brasil, foi daquele cidadão castanhalense que agonizou entre Belém e Castanhal, numa ambulância, num desumano vai e vem, até falecer miseravelmente “em trânsito”.

    E o restante da população que não more na periferia ou no interior e que não é rica de molde a poder pagar as consultas e demais intervenções médicas?

    E a situação dos demais brasileiros que não são da periferia e nem do interior e não podem pagar um plano de saúde?

    E a situação daqueles brasileiros que contribuem mediante imposto de renda e contribuição previdenciária, dentre outros muitos e confiscatórios tributos e são obrigados a recorrer aos planos de saúde?

    E a questão dos abusos dos planos de saúde?

    E o imobilismo conivente da agência de controle dos planos de saúde?

    Enfim, até aqui, esta limitadíssima medida, tem inegável valor apenas no marketing governamental com vistas às próximas eleições. O valor no que diz respeito ao objetivo ostensivamente declarado na propaganda (atendimento aos pobres da periferia e do interior), como disse o especialista Maurício Carneiro, só o tempo dirá.

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  12. Novamente falamos, falamos e falamos embrulhados em nossas bandeiras partidárias, nos debatemos e esquecemos do foco.

    Entendo que não só este governo como todos os demais esqueceram dos investimentos em estrutura da saúde e de tudo quanto mais precise de estrutura. Ressalvados alguns planos que no marketing são bonitos mas até agora nada se vê de concreto.

    Em tempo, assistência à saúde é essencial a totalidade da população, jurídica não, ou alguém aqui já viu um cidadão morrer/padecer por falta de advogado, a não ser que seja ´para determinar atendimento médico imediato.

    Complementando, não se comprovar pobreza para acessar à defensoria, basta declarar-se, nem acho que quem tenha direito a exercer perca seu tempo indo para as filas das defensorias que também são grandes. Mas não matam, a não ser de raiva.

    Por isso, só há um jeito de se resolver esse afronte do governo federal. Que todos os inscritos mais as reservas técnicas desse programa aí sejam brasileiros.

    RRamos

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  13. Amigo bicolor Maurício, gosto muito de suas ponderações aqui no blog. És entre muitos (embora estes ainda sejam poucos) comentaristas que por aqui pontificam um dos mais sensatos, equilibrados e coerentes. Contudo, farei algumas colocações que entrarão em desacordo com as suas, mas como o nível do debate é salutar e democrático, creio que não haverá desentendimentos.
    O acesso à saúde (sobretudo à atenção básica) assim como à justiça, neste país, são livres… mas não são democráticos. O acesso a ambos é excludente, seja de alguma forma ou sob qualquer aspecto. O acesso à justiça excludente o é sob qualquer aspecto (os caríssimos honorários de advogados, os altos custos processuais, a morosidade dos trâmites processuais e a aliança umbilical entre magistrados, as instâncias do judiciário e as elites políticas e sócio-econômicas). À saúde o é sob algumas formas (descaso das autoridades competentes, descompromisso de alguns profissionais, sucateamento do aparelho público de saúde).
    Quanto aos médicos, há de se ressaltar que existem médicos e médicos. Embora os queixumes sobre a falta de equipamentos (desde os mais complexos até os mais rudimentares) sejam procedentes e seja notória a irritação das categorias profissionais que atuam no sistema público de saúde por conta dos baixos salários, existe muito descomprometimento, tratamento diferenciado dos gestores públicos dado a algumas categorias (sobretudo aos médicos) e falta de unidade entre os inúmeros profissionais que compõem o corpo de servidores do sistema público de saúde.
    Trabalhei por dois anos na Ures Presidente Vargas e lá via muito descompromisso (não procedente de todos, é claro) e o tal tratamento diferenciado dado aos médicos. Muitos simplesmente chegavam aos seus consultórios/salas para cumprirem sua carga horária semanal, bem como sua produção (que à época prescreviam 17 pacientes a serem atendidos por turno) faltando poucas horas para encerrarem os atendimentos. Além disso, era comum o não preenchimento ou o preenchimento incompleto de fichas, apac’s e laudos de pacientes que necessitavam da documentação avalizada clinicamente a fim de serem contemplados com o recebimento de medicamentos necessários ao tratamento de doenças de média ou alta complexidade. Contudo, volto a afirmar, lá havia médicos e médicos.
    Além disso, a grita em torno do programa “mais médicos” do Governo Federal é de caráter ideológico. Em que pese algumas medidas atabalhoadas por parte do governo (e todos eles, sem exceção, cometem derrapadas) como a extensão do curso de medicina (na verdade, da residência médica) e o não submetimento de médicos estrangeiros à revalidação do diploma, há uma certa implicância com o próprio programa, turbinado também pelo veto presidencial a alguns pontos do chamado “ato médico”, com os quais inclusive concordo. Assim, na mesma medida em que um médico tem a liberdade de escolher onde deve exercer a prática médica, esta mesma liberdade jamais pode impedir que se tome medidas institucionais que possam tentar sanar (o que não é sinônimo de resolver, diga-se) o descompasso entre as cidades e os rincões do país quando se trata do acesso ao serviço público de saúde, ainda mais precarizado nos grotões.
    Há de se concordar também que apenas um ente da pactuação do sistema público de saúde é alvejado, ao passo que outros entes (estado e municípios) passam longe da alça de mira do furor da categoria. Mas deveriam passar ao largo, haja vista que o caos está instalado sobretudo na atenção básica, onde governos estaduais e prefeituras (sobretudo as últimas) por ela são os maiores responsáveis?
    Um pequeno adendo: há de se convir, também, que historicamente a categoria dos médicos no Brasil, ao defender seus interesses (o que não é demérito) alinhou-se invariavelmente a grupos conservadores e elitistas, que ainda vêem o acesso aos serviços de saúde, desde os mais básicos até os mais complexos, de forma estratificada e não universal. Aliás, quer dizer, estratificaram-se as demandas (quem tem paga e não pega fila, do contrário…) e universalizaram-se sim… mas os péssimos serviços (postos de saúde, remédios, médicos em falta e etc).

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  14. Então, Gerson e amigos…Vocês acham que um cara que:

    1) Estuda MUITO e abdica de um monte de coisas POR 3 ANOS para passar no vestibular de medicina( Essa é a média. Uns passam mais cedo, outros bem mais tarde)…

    2) …Faz um curso de 6 ANOS, para sair como clínico geral e ganhar 2,5 Mil/ 3 mil por mês em Belém (Segundo o próprio Diário)…

    3)…Ainda faz residência de no mínimo 3 anos…(Existem especializações que exigem 6 anos de dedicação)

    (Total: 12-15 anos de dedicação semi-exclusiva ao exercício da medicina).

    Deve:

    1) Levar na boa um acréscimo OBRIGATÓRIO de 2 anos no curso, onde você não pode escolher onde irá trabalhar.

    2) Aceitar a vinda de profissionais estrangeiros que vem ao país SEM FAZER PROVA DE REGULAMENTAÇÃO.

    3) Engolir que estes profissionais não regulamentados seguirão à risca os pedidos do governo.*

    4) Ouvir que grande parte dos problemas da saúde é culpa dos médicos, que não vão aos rincões por puro capricho…Sendo que o próprio Diário mostra a condição deplorável de hospitais na Belém, que de rincões só tem seus Estadistas…

    Quem está sendo egoísta nesse momento, camaradas? Isso não é deboche não.
    Vocês não tem pena da classe médica, mas gritam que a classe não tem pena do povo.
    Vocês nutrem raiva pela classe médica, mas não nutrem raiva pelos seus governantes, que fazem isso com o próprio povo.
    Quem está errado?

    *Um adendo: Quando você enfia no país alguns profissionais não regulamentados, está pedindo para que eles atuem de forma não regulamentada. Veja nos EUA: Cubanos, Brasileiros e Mexicanos trabalham de forma irregular no país, recebem cerca de 1/3 do salário de um cidadão americano.
    E repare que lá, a fiscalização é forte. Diferentemente dos nossos interiores.

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  15. Do comentário do Thiago: “ganhar 2,5 Mil/ 3 mil por mês em Belém (Segundo o próprio Diário)…”.

    Mas o médico não fica com dedicação exclusiva ao setor público. Ele tem, em geral, seu consultório particular, trabalha em vários hospitais. Portanto, o salário não é APENAS esse mencionado. É, mas para quem apenas trabalhasse no setor público.

    Mas concordo que querem resolver o problema, da maneira errada, como também é feito com as quotas para negros e índios. E os brancos pobres ?! É melhor dar a devida dignidade a negros, índios e pobres, dando uma escola pública de alta qualidade.

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  16. Depende de especialização. A maioria dos meus parentes é médico e, desses, metade não tem consultórios particulares. É algo complicado, Heleno… O serviço público exige muito ( Embora nem sempre retribua com um mínimo de dignidade).

    Se você escolhe trabalhar no público e particular, o tempo que sobra pra curtir a família e as pequenas coisas da vida se restringe a zero.
    Eu admiro eles, porque continuam lá, dando sua parcela de suor pro povo. Eles realmente gostam do que fazem e estão tentando, na beira dos 50 anos, mudar o SUS pra melhor.

    Eu não tenho essa coragem. Só a mensalidade da minha faculdade beira os 4 mil…

    Amo aquilo que faço, Heleno, mas não acho que seja um crime querer ganhar bem por isso. Daí é de onde vem tantos protestos; Não queremos ser achatados em nossa dignidade, como fizeram com os professores, que ganham uma merreca e ainda tem que aguentar humilhações diárias.

    A medicina é área nobre e nenhum intelectual de poltrona vai dizer o contrário, ainda que capriche na ironia.

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  17. Heleno, os políticos estão cercados de pessoas que estudam, são inteligentes e, na maioria das vezes, conhecem soluções para o País.

    O problema, muitas vezes, é que há conflito de interesses.

    Saúde, quando não está relacionada com prevenção, é um negócio caro. Você precisa de equipes multiprofissionais (Médico, Enfermeira, Dentista, Fisioterapeuta, Psicóloga, Agentes Comunitários…), Gaze, Soro, Seringa, Agulha,Equipamentos básicos (Macas, Negatoscóspio, Máquinas de RX), Transporte, Laboratórios… Uma infinidade de coisas!
    Muitos políticos não estão a fim de gastar com isso.
    Então eles preferem utilizar os médicos como boi de piranha para as mazelas da saúde. Digamos que a bomba estourou na nossa mão.

    Educação é outro “trem” caro. Mas se trabalha 4 meses do ano só para pagar imposto, então daria tranquilamente para educar rico, pobre, negro, amarelo, indio, aleijado, branco, cego, surdo e mudo com dignidade.
    Mas é muito mais negócio para o estado manter o povo burro e mantido por bolsas ou cotas. Por isso estamos onde estamos.

    Viva Sarney, Collor, Jáder e Dilma. Viva a copa e as olimpiadas também.

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  18. Thiago Corrêa, concordo que o achatamento dos salários é uma pandemia neste Brasil rico mas desigual, pois não atinge apenas a classe médica. E que não há crime algum em receber mais e melhor, haja vista o alto custo de vida em um país com carga tributária alemã e contrapartida estatal somali. Os queixumes dos médicos são procedentes, e não só destes. Se não há a condição mínima aceitável para se exercer o ofício, tal precariedade não atinge somente os médicos, mas os enfermeiros, os agentes operacionais, assistentes sociais, psicólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas e demais envolvidos. Sou um crítico feroz dos governos petistas e a legenda não recebe meus votos desde 1998 por discordâncias de práxis política e ideológica. Contudo, convenhamos: nos últimos anos, ao contrário da segunda metade dos anos 90, o governo federal provou que dinheiro há para ser investido em setores como a saúde e a educação. Acho mesmo é que existe uma cortina de fumaça por trás de todas estas manifestações (não só dos médicos), muito embora o descontentamento seja procedente em muitos aspectos. José Serra, por exemplo, tomou a mesma medida de se captar médicos para áreas onde não haviam sequer um. E não se deu um “pio”, como diz a minha avó. FHC cortou investimentos em saúde pública e nos cursos de medicina nas instituições federais. E para convencer as entidades médicas para debater o sucateamento do investimentos era um tarefa titânica dado o distanciamento e o pouco caso dos mesmos.
    As manifestações de médicos aumentaram substancialmente quando: anunciou-se a possível contratação de profissionais de Cuba (anacrônico ranço anti-comunista?) e os vetos ao “ato médico”. E pasme, algumas eminências da categoria chegaram a citar o exemplo norte-americano de saúde pública, que simplesmente não existe, como exemplo! Foi cruel…
    Utilizou-se ainda como slogan dos protestos dizeres como “não precisamos de médicos, mas de infra-estrutura”. Mas o que dizer de cidades (e não são poucas, acredite) como Santarém, que tem um hospital relativamente bem equipado mas não tem, ora veja, médicos? E qual a posição da categoria no que diz respeito às OS que gerenciam os hospitais públicos, por exemplo. Medicina é um curso extenuante, sim, é claro. É uma ofício que exige muito dos que o praticam, sim. São anos de abnegação, sem dúvida. Mas, talvez justamente por isso, a categoria dos médicos poderiam muito mais até do que outras categorias profissionais “combater os bons combates”.

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  19. Amigo Thiago, respeito seus pontos de vista e tenho a certeza de que você considera que está certíssimo. Sendo assim, até para manter a civilidade, não irei retrucar, embora pense diferente e veja a situação de maneira inteiramente oposta. Discordâncias não devem levar a inimizades. Enfim, vida que segue.

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  20. Penso da mesma forma, amigo Gerson. Reconheço que escrevi de cabeça quente e agradeço por não ter entrado nessa “ciranda”. Abraço.

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  21. Daniel, concordo com tudo que disseste.

    Só penso que as severas críticas feitas ao”Mais médicos” se multiplicaram, também, devido ao momento do país. Tenho certeza em épocas anteriores, o povo não estava tão ativo como agora. Você viu…Houve revolução até em nossos supermercados, amigo.

    A galera saiu da inércia, graças a Deus.

    Infelizmente ou felizmente, isso ocorreu no governo Dilma.

    Sinceramente, não acho que essa mulher seja pior que o FHC, que sucateou nossos bens e os vendeu depois. Mas os momentos são outros e, atualmente, tudo que um governante NÃO deveria fazer é bater de frente com classes, ao lançar medidas quase que ditatoriais. Acordos existem para isso…

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  22. Daniel, por favor, mas não é exato que não se “deu um pio” relativamente aos desmandos da dupla fhc/serra e demais anteriores e posteriores. E a enorme votação que lulla vinha recebendo desde quando concorreu com o collor? E o fora fhc gritado nas ruas durante os dois mandatos deste? E o fora fhc efetivado e materializado após o segundo mandato, que alçou o lulla ao poder? E a derrota do serra quando este concorreu?

    Não! A maioria do eleitorado brasileiro e uma expressiva parcela da população do país sempre se revoltou e protestou e atuou efetivamente contra os demandos, as malfeitorias da turma anterior ao governo petista, seja na saúde, seja na segurança, seja na educação, enfim, seja em qualquer dos quadrantes da vida político-econômico-social do Brasil. Tanto que fez de tudo para apeá-la do poder e só não conseguiu porque o próprio pt depois que assumiu o poder fez questão de mantê-la no governo e influindo decisivamente no processo decisório.

    Ademais, a questão aqui não é exclusivamente a bandeira tal ou qual, o partido “a” ou o partido”b”, o político “x” ou “Y”. A questão é que o Estado não vem se desencumbindo com o mínimo de eficiência de sua missão, e não é de hoje. A questão é que o governo federal tem grande parcela de contribuição, quiça a maior, nesta ineficiência e disso não se pode fugir, não se pode negar, nem minimizar, dando ênfase ao aspecto político partidário da questão, o qual na espécie não é o mais significativo.

    A questão é que a saúde pública nem iniciou o processo de reversão do caos de que se ressentia há 11 anos e nem dá passos sérios e decididos no sentido de iniciar a reversão. E o inventário das carências e necessidades apenas esboçado pelo Thiago (com especializado conhecimento de causa) no comentário que fez acima, mostra que a SÓ contratação dos médicos gringos, com o fito desenganadamente eleitoral, é menos do que medida paliativa para iniciar a reversão de um problema de mais de 500 anos, que a maioria do eleitorado e expressiva parcela da população há 11 anos confiou a um novo governo resolver.

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  23. Ainda bem que há médicos e médicos, Daniel. Isso é o normal e aceitável, embora nâo devesse sê-lo por ser dita a mais nobre das profissões a medicina. Infelizmente, não há políticos e políticos. Todos são iguais e não honram a função de zelar pela coisa pública. Isso é inaceitável. Não gosto de políticos e tudo o que fizerem contra determinada classe já soa de cara, desculpa esfarrapada para seus esquemas. Mas só o protesto de médicos gera essa polêmica. Por que? Tanta coisa básica falta nos interiores e só se precisa de médicos estrangeiros? O IDH de Melgaço é responsabilidade dos médicos? E por aí vai.

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  24. Antonio, já atuei na área da saúde e atuo na área da educação, ambas públicas. Não por acaso, posso afirmar sem pestanejar: são duas áreas tratadas com descaso pelas três esferas do poder público. Se você pôde perceber (e acredito que viu isto em meus escritos) nas postagens que fiz acima, jamais isentei qualquer esfera governamental de suas (ir)responsabilidades. Contudo, acredito sim que certos entes estão sendo poupados quando não deveriam ser, muito pelo contrário. Veja o caso dos recursos que são destinados à melhoria da educação pública de nível fundamental: qualquer trabalhador/servidor público das secretarias municipais de educação dos municípios brasileiros sabe que as verbas enviadas (e o montante é da ordem de milhões) são mal aplicadas, de forma dolosa, pelos gestores municipais. Hoje mesmo o Diário do Pará trás uma reportagem em que faz levantamentos sobre fraudes nos recursos do FUNDEB, geridos pelas prefeituras.
    Trabalho em um município com altíssimas arrecadações por conta das atividades de mineração e onde os professores (dentre os quais me incluo) estão paralisados desde maio devido à defasagem salarial, que é regulamentada na forma da lei pela chamada Lei do Piso no magistério público. O prefeito, truculento como um senhor feudal, se nega a negociar com a categoria pois diz que o município não tem recursos. Ora, mas como um município rico (3º em arrecadação no estado) não têm recursos se o montante destinado ao pagamento da folha de servidores em educação é pactuado entre os três entes (estado, governo federal e município) e onde a menor contrapartida é a do próprio município (em torno de 25%)? Como posso, veja só, cobrar do governo federal (e mesmo do estadual) se os gestores municipais não cumprem com o que lhes é atribuído? Não se trata de partidarizar ou ideologizar o debate, mas saber das atribuições que cabem a cada uma das esferas governamentais. Na Saúde Pública a coisa é ainda mais delicada, pois a pactuação prevê que as verbas direcionadas a estados e municípios, não sendo aplicadas, retornem ao tesouro nacional por serem verbas rubricadas em suas destinações. Então, como só cobrar de uma esfera se as demais não cumprem com suas atribuições?
    Estive recentemente em Santarém, e lá o Hospital Regional até é relativamente bem equipado… mas não têm médicos. Como a saúde pública tem um sistema complexo (e o SUS em termos organizacionais é até estudado por entidades internacionais, pois no papel é perfeito) não somente no que diz respeito ao aporte de verbas mas afluxo, fluxo e refluxo de demandas bem como o referenciamento e o contra-referenciamento de pacientes e procedimentos (baixa, média e alta complexidade), alguém deve fazer algo para sanar os problemas, nem que seja de forma emergencial. Assim, de quem de fato cobrar o caos instalado no Sistema Público de Saúde e as ações criminosas que golpeiam a educação pública no país? Por isso que, do contrário, afirmei que as manifestações de médicos, muito embora as procedentes queixas, apresentaram ranço e foram motivadas ainda pelos vetos do executivo ao chamado “ato médico”. Ou ficarão as inúmeras regiões ainda sem médicos por que as prefeituras e os estados não contratam e não fazem concurso, em muitas localidades as condições não são as desejáveis, os médicos não querem ir para estas regiões (e estão nos seus direitos em não querer ir) ou por que o governo age de forma eleitoreira ao tentar diminuir uma demanda reprimida e crescente? Como há pactuação, alguém deve se mexer.

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