Por Gerson Nogueira
Com oito pontos ganhos em sete rodadas, o Paissandu faz uma campanha abaixo das expectativas do seu torcedor, até mesmo pelos adversários que enfrentou até o momento. Exceto pela Chapecoense, líder isolada da competição, e pelo Paraná, o Papão encarou oponentes tecnicamente inferiores – casos de ASA, América-RN, Guaratinguetá, Ceará e Atlético-GO. Tinha, portanto, condições plenas de estar a esta altura desfrutando de situação mais cômoda na tábua de classificação.
O 12º lugar aparentemente não é desesperador, mas na prática representa uma posição perigosa, pois o Paissandu está a apenas um ponto do primeiro time situado na chamada zona da morte. O Ceará, 17º colocado, tem 7 pontos ganhos.
Por essa razão, a vitória é o único resultado interessante no embate desta noite contra o São Caetano, na Curuzu. Além das dificuldades momentâneas na tabela, o Papão precisa assegurar os pontos disputados em casa. Qualquer competição por pontos corridos impõe como regra que os times mandantes pontuem.
O próprio Givanildo Oliveira, em 2001, garantiu a conquista do segundo título nacional do clube com uma campanha centrada na eficiência caseira. Só empatou uma partida disputada na Curuzu, vencendo todas as demais. Fora de casa, só empates e derrotas.
Diante do São Caetano, um ex-emergente de respeito, o dilema do Paissandu está na obrigação de marcar os três pontos jogando de um jeito que agrade e tranquilize seu torcedor. Contra o Guaratinguetá, apesar da vitória, a torcida deixou o estádio preocupada. Com razão.
O setor defensivo permitiu que o Guará, mesmo com visíveis limitações, marcasse três gols e criasse inúmeras situações de perigo. A insegurança se concentrou nos dois beques estreantes, Fábio Sanches e Jean. Hoje à noite, ambos voltam a começar jogando, prestigiados por Givanildo, mas sabem que esta pode ser a última chance. Outro que estará sob análise rigorosa é o lateral-esquerdo Janilson, ainda devendo uma atuação convincente.
O time traz outra mudança importante. O goleiro Marcelo finalmente estreia, depois de longa expectativa e de muitas críticas ao ex-titular. No meio-de-campo, duas alterações: Ricardo Capanema substitui Vânderson, para dar mais força e velocidade à marcação, e Diego Barbosa entra no lugar de Eduardo Ramos, suspenso.
Capanema é nome quase unânime para cuidar da proteção à zaga. Barbosa vem credenciado pela boa atuação como ala esquerdo improvisado no segundo tempo diante do Guaratinguetá. No ataque, Givanildo prestigia os grandes nomes da última partida: Iarley e Careca.
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Série D: perspectiva de uma longa batalha
Enquanto os advogados Walber Mota e Vanessa Egla, que representam o torcedor Wendell Figueiredo, na ação movida contra a CBF pela inclusão do Remo na Série D, aguardam uma solução negociada com a entidade, a Procuradoria do STJD agiu em sentido contrário, ontem à tarde. O procurador Paulo Schmidt denuncia o clube por ter, supostamente, usado torcedores para recorrer à Justiça Comum. A movimentação do tribunal visa, obviamente, intimidar os autores da ação, induzindo-os a desistir.
Pela disposição manifestada até aqui é improvável que o trio recue. Para isso, contribui muito o exemplo da luta travada pelo Treze da Paraíba no ano passado para permanecer na Série C. Contra todas as previsões, o clube paraibano disputou o campeonato e ainda foi “premiado” este ano com a celebração de um acordo arbitrado por ministro do STF.
Ao contrário do Treze, que não tinha direito ao acesso, o torcedor Wendell Figueiredo usa como base de argumentação o Estatuto do Torcedor, comprovando que a Federação Rondoniense de Futebol descumpriu todos os prazos estabelecidos pela própria CBF para indicação de representantes à Série D, fato público e notório.
A liminar obtida na Comarca de Ananindeua continua valendo e impedindo a realização de jogos pelo grupo A1, onde se encontra o Genus de Rondônia, até que o mérito da causa seja julgado. Caso a CBF não aceite negociar uma saída amigável, o mais provável é que a competição acabe inviabilizada. Quanto à ameaça do STJD, há um vício de origem: a não comprovação de que o Remo é o patrocinador da ação judicial.
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Renúncia abre transição remista
A confirmação da renúncia de Sérgio Cabeça à presidência do Remo abre caminho para um processo de transição para as eleições diretas em 2014. O vice Zeca Pirão, agora investido de poder e legitimidade, tem a oportunidade única de firmar as bases para a reconstrução do clube.
O começo, obviamente, deve ser o saneamento das finanças. E não é possível sanear um clube endividado como o Remo sem acordos judiciais. Isto foi encaminhado ontem em audiência com alguns dos principais credores do clube, representantes de jogadores que foram beneficiados com milionárias indenizações.
A quase confirmada cessão da problemática área do Carrossel por aluguel de 20 anos pode significar o começo da recuperação, com a quitação dos débitos trabalhistas e a criação de uma receita mensal de R$ 150 mil capaz de dar fôlego aos projetos imediatos do novo presidente.
A conferir.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 09)
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