De volta ao primeiro escalão

Por Gerson Nogueira

O título da Copa das Confederações pode não ser a última maravilha da terra, mas já fez o Brasil deixar a incômoda 22ª colocação no ranking de seleções da Fifa e subir ao mais aceitável 9º lugar, embora ainda atrás de times historicamente fulecos, como é o caso de Croácia e Portugal. De todo modo, já representa um alívio para o orgulho nacional a recuperação do conceito junto à comunidade internacional da bola.

Sim, porque a discriminação a ex-poderosos que de repente despencam na escala social não se restringe ao mundo dos negócios e da ostentação. No futebol, uma das piores pragas é a decadência repentina e a pindaíba continuada.

GERSON_05-07-2013Nos tempos em que a Fifa ainda não organizava ranking para aferir o poderio técnico das seleções, o Brasil viveu tempos de dureza terrível, imediatamente depois do tricampeonato conquistado no México pela soberba geração de Pelé, Rivelino, Gerson, Tostão, Jairzinho e Carlos Alberto Torres.

Pareceu até praga ou vodu. Houve quem acreditasse piamente na hipótese conspiratória de um arranjo patrocinado pela própria Fifa (sempre ela) para evitar que a hegemonia brasileira gerasse um desequilíbrio na geopolítica boleira.

Por longos 24 invernos o Brasil passou longe da taça e foi obrigado a assistir, quase impotente, a ascensão de rivais que mofavam no fim da fila até então. Nas cinco Copas do Mundo que separaram o tri de 1970 do tetra de 1994, Argentina (1978 e 1986) e Alemanha (1974 e 1990) ganharam dois títulos mundiais aproveitando-se do período sabático brasileiro. A Itália faturou um título apenas, em 1982, mas virou tri também.

O mais impressionante é que ao longo desse jejum histórico o Brasil só esteve razoavelmente perto de levantar o caneco em uma ocasião. Foi com a até hoje reconhecida Seleção de 1982, que trombou na Itália de Paolo Rossi e acabou defenestrada antes da consagração final.

É bem verdade que a rápida passagem por campos espanhóis foi suficiente para inscrever a esquadra de Mestre Telê entre as mais espetaculares de todos os tempos, principalmente pela reunião feliz de uma cooperativa de craques. Sócrates, Falcão, Zico, Cerezo, Júnior, Éder e Leandro têm lugar cativo no panteão dos melhores boleiros já produzidos neste país tropical.

O período de queda no ranking da Fifa coincidiu com a ausência do Brasil (como país mandante) das Eliminatórias sul-americanas para o Mundial de 2014, mas nem isso serviu de alento. Os catastrofistas ou idiotas da objetividade, como cunhou Nelson Rodrigues, previam que a Seleção havia descido aos infernos e dificilmente sairia de lá.

Acontece que o critério de avaliação utilizado pela Fifa é generoso com os países mais tradicionais, aqueles que integram o fechadíssimo clube dos campeões do mundo. O expressivo salto experimentado pelo Brasil na lista comprova isso. Galgou 13 posições com a conquista da Copa das Confederações, que vem a ser apenas um torneio de cunho experimental para a festa maior do futebol.

Por vias transversas, pode-se conjeturar que a fabulosa herança de vitórias deixada pelos craques da era de ouro do nosso futebol rende dividendos até hoje. Não é de duvidar que se estendam por toda a eternidade. E que assim seja.

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Outra dívida nascida do nada

Quem é Jânderson? A pergunta tem desafiado a memória até dos bicolores mais empedernidos. Ocorre que o dono do misterioso nome é um ex-atleta do clube, mas jamais envergou a tradicional camisa listrada alviceleste como profissional. Quando muito, disputou algumas partidas pelo Sub-20. Foi trazido para o clube há cerca de quatro anos, depois de se destacar na escolinha do Vila Rica, então administrado pelo empresário italiano Dario Tragni.

Não há registro de nenhum gol ou façanha de Jânderson em defesa do Paissandu. Até os dirigentes e funcionários mais antigos não sabiam dizer quem era o autor da ação trabalhista que golpeou o clube em R$ 430 mil. As reclamações apresentadas quanto a salários e outros direitos encontraram amparo na Justiça sem que o clube, à época presidido por Luiz Omar Pinheiro, apresentasse defesa. A sentença foi prolatada e o Paissandu condenado a pagar o montante exigido pelo ex-atleta.

Em entrevista ao programa Bola na Torre do último domingo, o presidente Vandick Lima lamentava mais essa absurda pendência que deverá ser quitada em sua gestão. Jânderson junta-se a outros casos igualmente escabrosos de ações judiciais que o clube deixou de contestar, como as milionárias sentenças que favoreceram Jobson e Arinélson.

De descuido em descuido, os clubes vão ficando cada vez mais pobres. E os dirigentes ditos responsáveis cada vez mais impunes.

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Direto do blog

“Onde estão os cinco milhões arrecadados durante o campeonato estadual e a Copa do Brasil? Para pagar as dívidas é que não foram utilizados. Afinal, se há cento e tantas ações pendentes (eta números incertos!) e ainda falta pagar os jogadores que rescindiram agora, será que é justo, preciso e exato dizer que no futebol não foram aplicados?”.

De Antonio Oliveira, sobre o sumiço dos milhões arrecadados pelo Remo no primeiro semestre.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 05)

12 comentários em “De volta ao primeiro escalão

  1. Absurdo esse caso Jânderson, como do Arinelson e Jobson…..tem gente da gestões passadas, comendo pela beirada dentro do Paysandu. Éguaaa…quando isso vai acabar!!?? Um absurdo e revoltante.

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  2. A condescendência do Paulo Caxiado com os dirigentes do Remo me revolta. Este competente profissional só pode estar cumprindo ordens de algum superior.

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  3. rsrsrs Te dizer Luiz papão, se for verdade esta sua versão, os politicos que fazem super faturamento nas suas gestões estãos perdoádos.

    *Quero saber se vão caçar o titulo de sócio do LOP depois dessa.

    **A Seleção sempre teve e tem grandes jogadores, tradição, peso de camisa e respeito, o que faltava era um tecnico capaz de organizar uma equipe forte pra ganhar jogos e titulos.

    O Felipão está fazendo isso.

    Não seria possível ver nossos atletas bem nos seus clubes, sendo inclusive campeões, e ao chegarem na Seleção não renderem.

    Estamos no caminho certo, aliás retomamos o bom caminho.

    O que me deixa acabrunhado é cronista da marca do bocudo Guaberto é insinuar que esse titulo da Copa das Confederações é insiginificante.

    Torcendo pra quem torce, de quem inclusive ja foi dirigente, juro que consigo entende-lo.

    ***Antonio faz tempo que o Remo ganha muito dinheiro e nada acontece de positivo por lá.

    Ainda tem gente apoiando a volta do Remo a série D pra tirar mais grana do sofrido torcedor azulino.

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  4. Se não me falha a memória o Dario Tragni era dirigente do Carajás, o cap do Vila Rica é o Ventania. Realmente é intrigante o setor jurídico não saber destes casos, mas o Nahum sempre abria o bocão quanto as pendências do LOP, que vivia nos mares e nos ares. E na transição a nova diretoria não toma pé da situação do clube? Te contar!

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