Seleção já atingiu objetivos

Por Gerson Nogueira

A lógica diz que o Brasil já cumpriu seu papel na Copa das Confederações. Chegar à final com um time em formação, necessitando de muitos ajustes ainda, pode ser considerada uma pequena façanha. O fato adquire relevo ainda maior se levarmos em conta os adversários qualificados que a Seleção de Felipão teve pela frente. O torcedor mais pacheco não concordará comigo, mas conquistar o título, como diria Parreira, é mero detalhe.

bol_dom_300613_23.psComo evento-teste, o torneio foi extremamente benéfico ao Brasil, que teve a oportunidade de medir forças com equipes já prontas e em plena atividade. Os jogos mostraram que Felipão conseguiu em apenas uma temporada fazer bem mais do que seu antecessor, Mano Menezes.

Quando a Seleção pisar no gramado do Maracanã pouco antes das 19h deste domingo estará prestando contas deste primeiro ano sob a batuta de Felipão. Os resultados até aqui são mais do que satisfatórios. Mesmo levando em conta o jejum dos amistosos, o time exibiu na Copa das Confederações um nível de competitividade muito acima do esperado.

Assimilou bem os conceitos de Felipão quanto à marcação, aproximando-se como manda o manual do futebol moderno e buscando sempre usar a velocidade, caminho natural para o sucesso em qualquer época neste esporte cujo segredo está baseado em tempo e espaço.

Dos grandes esquadrões da atualidade, o Brasil só não foi testado por Alemanha e Argentina. Os outros dois aspirantes reais ao título mundial participaram do torneio. Espanha e Itália completam o leque de seleções que irão brigar pela taça daqui a um ano. Ambas vieram com força máxima para a Copa das Confederações e, cada uma à sua maneira, mostraram virtudes que merecem atenção e vigilância.

A velha Itália se modernizou e está quase no nível de suas rivais europeias mais avançadas. Cesare Prandelli adiantou os volantes e mudou a velha mania de olhar futebol apenas pelo ponto de vista defensivo. Seu maestro Andrea Pirlo é um veterano, mas continua jogando o fino e vai chegar bem a 2014. Balotelli mostrou que é o atacante que os italianos esperavam há tempos, talvez desde Paolo Rossi. Em torno de ambos foi montado um conjunto que ainda tem muito a evoluir.

Já a Espanha, campeã mundial e europeia, é seguramente o melhor time do planeta hoje. Desenvolve um jogo que todos invejam, mas quase nunca conseguem acompanhar ou marcar. A Itália, do esmero tático, quase conseguiu isso na semifinal da Copa das Confederações. Com Balotelli em campo certamente teria saído vencedora, mas deixou lições preciosas para quem enfrentar os espanhóis a partir de agora.

Ensinou, por exemplo, que quando bem vigiados os principais articuladores espanhóis costumam se comportar como jogadores comuns. Xavi e Iniesta são espetaculares com a bola nos pés, mas o cerco permanente tira a concentração e leva a erros que comprometem toda a engrenagem de passes da Espanha. Vicente Del Bosque não tem vacinas para situações desfavoráveis. No ataque, cuja força maior reside na paciência para esperar brechas dos defensores, o time sofre com a indolência de Fernando Torres.

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Algumas dúvidas a esclarecer

A Espanha tem armas bem conhecidas e se expôs bem na competição, principalmente diante da Itália, mas o Brasil rejuvenescido ainda dispõe de armas que podem surpreender a campeã do mundo. Justamente por ainda estar em evolução, o time não fez ao longo do torneio nenhuma atenção impecável, acima de qualquer suspeita, mas teve mais altos que baixos.

O maior mérito está na objetividade assimilada pelos jogadores. Todos marcam e buscam preencher espaço com igual determinação. Outro item essencial: o respeito a Neymar como astro da companhia, fazendo com que todos joguem em função de suas características.  

Por outro lado, o pecado mais assustador está nos vazios criativos que se localizam entre a armação e ataque, reforçados pela irregularidade na participação dos laterais. Os homens encarregados disso (Oscar, Daniel Alves e Marcelo) destoam em função dos efeitos de fim de temporada na Europa.

Muita coisa estará em jogo nesta final, permitindo a Felipão e Parreira uma generosa oportunidade de tirar algumas dúvidas. Mais que os apagões de Oscar ou a pouca participação de Marcelo e Daniel, é preciso observar como a defesa vai se sair. Tiago e David Luiz têm sido instáveis e deixaram a casa cair quando foram muito pressionados. A atuação diante do rápido ataque espanhol pode determinar se a dupla é, de fato, a titular para 2014.

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Uma lição para não esquecer

É bom lembrar que há quatro anos, na África do Sul, o Brasil comemorou o título da Copa das Confederações com vitória sobre a então surpreendente seleção norte-americana, que alimentava sonhos cada vez mais altos em relação ao Mundial do ano seguinte. Como se sabe, as duas ambições se frustraram terrivelmente.

O Brasil de Lúcio, autor do gol da vitória e herói da decisão, não confirmaria o favoritismo e o time ianque continuaria a ser espasmódico, capaz apenas de façanhas sazonais. Mais que isso, a seleção de Dunga consolidou ali o grupo que iria disputar a Copa em torno de um ideário que misturava messianismo religioso e crença nos truques motivacionais.

De estilo solidário e assumidamente pragmático, aquela seleção foi forjda à imagem e semelhança de seu comandante. Com ênfase na marcação, o time se melindrava com as críticas e comparações com seleções bem mais habilidosas.

A sensacional virada na final, depois de estar perdendo por 2 a 0, inflou ainda mais a confiança de Dunga, seus jogadores e da torcida brasileira. O tempo provou que o time tinha mais equívocos do que qualidades. Ocorre que todos esqueceram uma clássica lição dos manuais de autoajuda: assumir suas limitações é o primeiro passo para o sucesso.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 30)

2 comentários em “Seleção já atingiu objetivos

  1. “Definitivamente, pois todas as regiões queriam ser consideradas. Se soubesse quantas cartas recebemos de pessoas de Manaus, de governador, prefeito, todos pedindo para que a Fifa considerasse Manaus, dizendo que queriam ser uma sede. ‘Aqui é a floresta amazônica, nós queremos ser uma das cidades’, diziam. Nós recebemos esses pedidos e enviamos pessoas a Manaus. Não é somente uma questão de um estádio que não será tão usado porque não há muito futebol, mas no mínimo tínhamos que considerar Manaus para a Copa. Mas isso não foi uma decisão nossa”

    Blatter sobre as escolhas da cidades sede.

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  2. La fúria levou o farelo com diireito a olé e tudo.

    …y ahora, que diran los adoradores de los gallegos????

    Vão dizer que eles estavam cansados, coitadinhos.

    Eu falei, logo no início da copa que, quando pegassem um time bom
    eles cairiam. Começou com a Itália. E deu no que deu hoje.
    Com direito a olé e tudo o mais…..

    Brrrrraaaaaaasiiiiillll!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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