Desafios e mitos da educação pública

Por Hermano Vianna

Quando escuto alguém falando maravilhas sobre colégios públicos brasileiros de antes dos anos 1950, sempre pergunto: qual a porcentagem das crianças em idade escolar que estava matriculada naquele tempo? 
Havia sim qualidade em algumas salas de aula, e até o ensino de latim ou bordado. Mas esse serviço, incluindo as palmatórias, era privilégio de uma minoria. Da década final do século XX para cá, convivemos com a inédita universalização do acesso à escola, num país com população muitas vezes maior, no meio de uma baita crise mundial de fundamentos pedagógicos. 
Claro que todo o processo aconteceu aos trancos e barrancos. Vai demorar ainda muito tempo para haver nivelamento qualitativo geral, se é que isso vai acontecer numa realidade ostensivamente mutante. Mas não tenho dúvida: prefiro a situação atual, com todos os seus problemas, do que aquela anterior que servia biscoitos finos para poucos, assim contribuindo para a perpetuação de nossa vergonhosa desigualdade.

5 comentários em “Desafios e mitos da educação pública

  1. Vejo muitas campanhas pedindo 10% do PIB para a Educação, ma ninguém discute como será distribuída e investida toda essa, agora imaginem as sujeiras que iriam rolar com essa dinheiro mal distribuído

    Outro ponto interessante que vários defendem, é as escolas em tempo integral, todo mundo pede, mas onde foi implantado aqui no Pará, foi só ‘faixada’, meu irmão estudou no tradicional colégio Augusto Meira e passava o dia no colégio, não tinham uma sala para descanso e durante o intervalo entre as aulas e o almoço, tinham que dormir ou descansar nas cadeiras da sala, sem conforto algum. Eles também não tinham atividades curriculares diferentes, a escola era apenas um depósito de crianças e o mais ridículo acontecia quando a Secretaria atrasava o envio de alimentos e o almoço era macarrão instantâneo com purê-de-batata

    Quanto ao ensino, percebi que era bom, os professores s dedicavam e estavam bem preparados, o que só nos comprova que o problema da educação é GESTÃO, a ideia do Governo de implantar escola em tempo integral como nos países desenvolvidos foi boa, mas foi implantada sem estudos, sem planejamento e sem capacitar funcionários para essa mudança

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  2. ESSE PETISTA CONVICTO, com esse discurso lindo, maravilhoso e analgésico contra as dores dos estudantes brasileiros que clamam por educação de qualidade, é mais um soldado recruta zero de defesa da política do governo atual. Com esse discurso, o cara talvez engane ou convença a muitos mas não a mim. Aliais, como nada me convence nesse governo, pois longe de partidarismo politico, observo que nosso sistema de educação é um dos piores do mundo, praticamente inexiste, e aqui mesmo na A . SUL tem países que tratam a educação com mais seriedade. Sistema de Segurança Pública, política de geração de emprego e renda, moradia, política econômica de aumento da produção e controle da inflação são só de fachada nesse governo. O cara cita a educação pública antes década de 50 como boa ou ótima mas para uma minoria. Outro lamentável equívoco dele porque tivemos bom sistema de educação até nas décadas 70 e meados de 80, onde eu convivi para testemunhar isso, pois era o meu tempo de estudante onde era quase impossível greve de professores nas universidades e escolas públicas, evasão de professores e de estudantes. E só para se ter uma ideia, quem cursava uma universidade pública naquele tempo, já estava com o futuro profissional muito bem encaminhado na vida. Hoje em dia não podemos mais afirmar isso em virtude da baixíssima qualidade do ensino ofertado, porém muito bem propagandeado. Outro equívoco do comentarista foi relatar que naquele tempo dava-se “biscoitos finos” (boa educação) para uma minoria da população, mas hoje é diferente porque muito estudante é contemplado com vagas no ensino fundamental e superior nas Instituições Públicas. Mas o que esse senhor entende de boa educação e ampla oferta de vagas hoje? Os Cursos Superiores hoje sem nenhum controle e fiscalização ofertados por computador à distância por Instituições superiores de qualidade mais que duvidosa; A evasão de professores e estudantes nas escolas públicas de Educação Básica, aumento descontrolado da violência in loco contra professores e estudantes de escolas públicas, até homicídio nas escolas e proliferação do tráfico de drogas? Sei não, mas no meu tempo de estudante era muito difícil presenciarmos essas cenas tristes e mais gostoso estudar, mais seguro, a autoridade do professor em sala de aula era marcante. Estudei 16 anos e me formei em Instituições de Ensino públicas de nível fundamental, médio e superior e não me arrependo nem um pouco e se tivesse de voltar ao passado de estudante faria tudo novamente. Mas hoje, nem tanto mestre…Hermano Viana.

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  3. Sempre estudei em escola pública, comecei no que chamavam Jardim de Infância. Sempre no turno da manhã. Já no primário, para não ficar ocioso, no turno da tarde, era mandado pra escolhinha particular. Aliás, na época, alguns pais usavam combater a ociosidade e os males que ela podia acarretar em bairros como a matinha, com a escolhinha particular. A minha era comandada pelas irmãs Peres. Para chegar, precisávamos passar por cima de umas pontes. Lá vigorava a pedagogia da palmatória. Mas, os pais sabiam disso e não se importavam. Achavam importante a disciplina. E no dia da sabatina, não precisava mijar fora do caco para levar os bolos. Bastava escrever e não ler, ou errar a tabuada. Bom, tudo isso pra dizer que a escola pública que vivi, que já começava a capengar, era bem melhor sobre todos os aspectos que a atual.

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  4. Prezados colegas e nobre escriba,

    Até concordo com o comentário do irmão do Herbert, antigamente, a educação não era universalizada, havia períodos em que a criança não estudava durante um ano, pois não havia passado no exame de adesão.

    Hoje, diferentemente as vagas escolares estão disponível para todos, tal fato é fruto da pressão mundial e das associações de professores espalhados por este Brasil, que cobra dos governantes escola para todos e educação de qualidade, logo, não se trata de políticas de partidos como PT e/ou PSDB.

    Infelizmente, se há vagas para todos (não se pode negar tal fato) em determinadas séries (creche e educação infantil isto não é uma realidade), a qualidade do ensino do nosso país passa a anos-luz de distância de países como Chile, Argentina e até mesmo (podem se assustar) Bolívia.

    De quem é a culpa? Por que isto acontece?

    Bem, podemos dizer que há inúmeras respostas para estas perguntas, já que apontar uma única resposta é cair no mesmo erro dos desgovernos brasileiros.

    Mas, como professor, apontarei apenas duas (deixo as outras para vocês).

    Primeiro problema está nos estudantes que recebemos hoje dentro do espaço escolar. Este não pode ser chamado atenção, tem o direito de agredir verbalmente e fisicamente os funcionários da escola, não tem qualquer disciplina para o estudo e não vê na escola a possibilidade de mudar sua vida.

    Como mudar isso?

    Não sei, as vezes, dentro de um radicalismo, acredito que o Brasil deva fazer que nem o governo Chinês e estabelecer um número de filhos para os pseudos-pais brasileiros, além, claro, de implantar uma escola integral de verdade e obrigatória (vocês podem até não acreditar, mas quando o governo do estado implantou essa piada que ele, em sua máquina comercial, chama de integral, teve pais dizendo que os filhos não iriam gostar de estudar, pois teriam que estudar muito, outros disseram que os filhos dormem pelo período da tarde entre outros argumentos bizarros).

    O segundo problema está relacionado as condições de trabalho do professor (veja bem, não estou falando de salário, que também deveria melhorar).

    O professor do estado, para receber um salário razoável, deve ter aproximadamente 20 turmas (com aproximadamente 40 estudantes), além disso, deve trabalhar em mais de uma escola, posto que, poucas as escolas temos a oportunidade de termos vinte turmas.

    Em países que levam a educação a sério, um professor que trabalha por jornada (40 horas), tem no máximo 20 horas dentro de sala de aula, o restante é feito para planejar, estudar, pesquisar, corrigir provas, construir memorial, entre outras coisas.

    Em síntese, o Brasil deve sair do discurso escolar de hoje e pensar que, para formarmos outros cidadãos devemos ter um outro discurso de escola, pois somente desta forma (quem sabe) produziremos outros cidadãos.

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  5. Esqueci de escrever, Hermano esquece de dizer que o Biscoito fino continua, agora dentro das Universidades Públicas, posto que, as vagas de cursos considerados de primeira linha (medicina, odontologia entre outros) é ocupada por escolas públicas diferenciadas (Rego Barros, NPI e ETEPA).

    Os alunos de escolas localizadas na jaderlânida, Cabanagem, Jururnas, Guamá entre outros (salve raras exceções), entram pelas cotas nos cursos de licenciatura.

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