Por Gerson Nogueira
Fabiano; Levy (Magno), Carlinho Rech, Mauro Pastor e Alex Ruan; Mael, Jonathan, Capela e Ratinho; Leandro Cearense e Branco. Este é o time que Charles Guerreiro deve ter em mente para começar os trabalhos no Remo. Vice-campeão paraense pelo Paragominas, o técnico foi anunciado ontem à noite pela diretoria remista como o substituto de Flávio Araújo. Segundo as informações divulgadas, seu contrato tem duração de um ano.
Charles sempre foi a opção preferencial dos azulinos depois do fiasco no certame estadual. Familiarizado com o clube, que defendeu como atleta e onde trabalhou como treinador, tem aos olhos da diretoria remista o perfil adequado para o projeto de reconstrução que o clube tem para o restante da temporada.
A conquista do vice-campeonato pelo Paragominas, com direito à vaga na Série D e presença na Copa do Brasil 2014, fez Charles recuperar o prestígio no plano regional. Pegou o PFC na metade do campeonato e, apesar do elenco limitado, conduziu a equipe a grandes feitos em seu primeiro ano na divisão de elite paraense.
Apesar da saída meio conturbada, despertando a irritação dos dirigentes do PFC, Charles tem condições de fazer um bom trabalho no Remo. Para tanto, é sempre bom enfatizar, precisará dispor de meios para formar um time competitivo. Ao que parece, isso não deverá faltar.
A diretoria, que espera confirmar até sexta-feira a participação na Série D – pela desistência de uma das federações nortistas –, pretende rechear o elenco com jogadores que se destacaram em outras equipes no campeonato estadual.
Magno e Robinho (PFC), Levy (São Francisco), Mael e Ratinho (Santa Cruz) e Sinésio (Tuna) são os nomes mais citados no Baenão. Há, ainda, a disposição de buscar um armador capaz de dar organização ao meio-campo, suprindo uma carência que atrapalhou o time ao longo de todo o Parazão.
Para bom entendedor, o anúncio do novo técnico confirma as apostas do Remo em disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. Caso essa hipótese se confirme, os trabalhos de montagem da equipe precisam começar de imediato. A competição começa na próxima semana e é provável que haja compromisso no sábado, 1º de junho.
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Onde encaixar o velho ídolo?
Ídolo da heróica jornada na Bombonera, há dez anos, Iarley chegou à Curuzu para participar da disputa do Campeonato Paraense, mas com o objetivo maior de ocupar espaço no time que vai disputar a Série B. Algo saiu errado e ele não conseguiu se consolidar como titular. A campanha do Paissandu foi excelente, o ataque se cansou de fazer gols, mas Iarley teve papel discretíssimo na conquista do Parazão.
Entrou algumas vezes como titular, substituindo a Rafael Oliveira, mas jamais deu ao time a consistência ofensiva que encantasse o torcedor. Apesar da boa vontade de Lecheva em encaixar o veterano atacante, a lembrança dos gols da dupla Rafael-João Neto sempre foi mais forte. Responsáveis por 23 gols na competição, ambos não deixaram muito espaço para Iarley.
Por outro lado, o jogador não conseguiu desenvolver em campo o papel importante que passou a ter fora dele. Articulado e experiente, Iarley posiciona-se como um líder natural, ajudando a orientar os mais jovens. Apesar de meritória, a contribuição é muito pequena diante da grande expectativa criada pelos dirigentes e por Lecheva em sua contratação.
A busca por novos atacantes – Careca, já contratado, e Marcelo Nicácio, quase – comprova a insatisfação com o rendimento do antigo ídolo, que talvez esteja começando a sofrer o peso natural da idade. Duro será arranjar um espaço para ele no time, pois as características da disputa da Série B exigem sobretudo força e velocidade.
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De boca em boca…
No Paragominas e no Remo existe gente ensandecida por tomar de João Galvão o papel de “bocão-mor” do futebol paraense. Ambos são recém-chegados ao futebol profissional, mas aproveitam com volúpia toda e qualquer chance de aparecer na mídia, quase sempre para proferir bravatas e atirar a esmo.
Por trás de tudo é possível vislumbrar claras intenções palanqueiras em ambos os casos. No caso do cartola da capital, as iniciativas de bastidores para tentar garantir uma vaga na Série D quase foram abortadas por causa de sua incontinência verbal. Ontem, atropelou a presidência (e o bom senso) divulgando a contratação de Charles quando o técnico ainda nem havia comunicado sua saída ao PFC.
Já o aprendiz de feiticeiro ligado ao Paragominas não fica muito atrás. Apesar de pouquíssima vivência no ramo, capricha nas “aulas” de gestão aos demais clubes paraenses e nos últimos dias resolveu alvejar até o governo do Estado, que vem a ser o maior patrocinador do Parazão.
Antigo e sábio ditado cairia como bom conselho à dupla de aloprados: “Em boca fechada não entra mosca”.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 22)
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