Por Gerson Nogueira
Roger, goleiro do Naviraiense, andou fazendo pequenos milagres, defendendo bola com os olhos, mas isso não explica tudo o que aconteceu com o Paissandu ontem à noite, na Curuzu. Acima de tudo, o time foi pouco solidário, no sentido de saber passar a bola na hora certa e aproveitar as muitas oportunidades oferecidas. Além disso, os bicolores se precipitaram na maior parte dos lances, ao contrário do visitante, que foi mais audacioso e preciso nas finalizações.
Apesar de bastante modificado em relação ao time que perdeu para o Paissandu em Naviraí, a equipe sul-matogrossense se posicionou muito bem no jogo da volta, com disposição impressionante para sair da defesa para o ataque.
Ousado e preocupado em atacar, o Naviraí permitiu várias chances ao Paissandu, mas é inegável que construiu muitas situações de perigo no começo da partida. Em poucos minutos, desfez a imagem de time fraco pintada por aqui depois da vitória bicolor no jogo de ida. Voltou a ser a intrépida equipe que arrancou a classificação diante da Portuguesa de Desportos, em São Paulo.
Como resultado dessas forças expostas em campo, a partida foi movimentada e rica em oportunidades, com aproximadamente cinco chances claras de gol para cada lado.
Depois do intervalo, o Paissandu voltou com toda força, pronto a liquidar a fatura e afastar a ameaça de zebra. Foi ao ataque, imprensou o adversário e continuou perdendo gols. A torcida empurrava o time, como é próprio de jogos no caldeirão da Curuzu, fazendo com que alguns cuidados fossem abandonados.
Por volta dos 30 minutos, faltou maturidade e frieza ao Paissandu. Ao invés de buscar controlar o jogo e segurar o placar de 0 a 0, continuava desesperado em busca do gol. A partida entrou então naquela faixa perigosa, onde o gol podia sair para qualquer um dos times. E saiu. Para o Naviraiense, aos 37 minutos, através de Pequi.
Atordoado, Lecheva botou o time para perseguir o empate e fugir da decisão por pênaltis. Não aconteceu nem uma coisa, nem outra. Com o setor defensivo desarvorado e os homens de meio lançando-se no apoio ao ataque, o Paissandu acabou surpreendido no minuto final, levando o segundo gol, com Adriano Chuva. Prêmio para a humildade e o arrojo do Naviraiense. Duro castigo para a auto-suficiência dos donos da casa.
Quando acontecem resultados surpreendentes como o de ontem surgem as lembranças de decepções recentes. Desta vez, mesmo tendo um time tecnicamente superior, faltou ao Paissandu a noção exata de entrega a uma decisão. A Copa do Brasil tem por característica permitir resultados surpreendentes, às vezes sem lógica ou explicação. Aconteceu de novo. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
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Final com preços rebaixados
Depois da frustrante eliminação na Copa do Brasil, que custou ao Paissandu cerca de R$ 1 milhão (R$ 400 mil pela gratificação na próxima fase da competição e R$ 600 mil no confronto com o Atlético-PR), a diretoria agiu rápido e baixou o preço do ingresso (arquibancada a R$ 10,00) para a decisão do campeonato, domingo, no estádio Jornalista Edgar Proença.
Foi a solução mais sensata, levando em conta o abatimento natural que a queda diante do Naviraiense vai provocar sobre a torcida bicolor, afastando-a da partida final do campeonato. Até mesmo a grande vantagem estabelecida pelo Paissandu no primeiro jogo contribui para deixar o torcedor longe do Mangueirão.
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Boca grande atrapalha o Leão
Um dos técnicos disputantes das finais do Campeonato Paraense está apalavrado com o Remo para assumir o projeto de reconstrução do time. Caso a sonhada vaga à Série D seja obtida, o que é cada vez mais improvável, o treinador já assumirá a nau azulina na segunda-feira, a tempo de preparar o time para a competição e para o torneio Pará-Rio.
Depois da reação dos clubes e da federação de Rondônia, garantindo que a vaga à Série D não será concedida ao Remo, gente da alta cúpula avalia que a língua solta de certo dirigente pode ter sido o estopim do posicionamento dos rondonienses.
O fato é que o cartola que não resistiu à tentação de aparecer e concedeu entrevista garantindo que a vaga estava 90% assegurada. Tal incontinência verbal pode vir a custar também a vaga roraimense.
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Data propícia para vexames
A data de 15 de maio está definitivamente incorporada à história do futebol paraense. Foi neste dia, há 10 anos, que o Paissandu perdeu para o Boca Juniors no Mangueirão, por 4 a 2, sendo eliminado da Taça Libertadores. Coincidência ou não, também em partida de volta, o Papão voltou a ser eliminado ontem, desta vez para o modesto Naviraiense, na Copa do Brasil. De quebra, o velho Boca também aprontou das suas, empatando (1 a 1) e alijando o Corinthians da Libertadores.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 16)




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