Por Gerson Nogueira
Não foi necessário um grande plano estratégico. Ao Paissandu bastou adiantar um pouco a marcação sobre o meia-armador e o principal volante do Paragominas. Com esse expediente, desarrumou por completo a transição do time de Charles Guerreiro. Depois de uma sucessão de bolas roubadas no campo de defesa do PFC, os gols começaram a brotar naturalmente. A surpresa ficou por conta apenas da quantidade, mas as chances surgiram e os atacantes não desperdiçaram.
Objetivo, o Paissandu conseguiu criar três oportunidades no primeiro tempo. Encaçapou todas. Cem por cento de aproveitamento. O jogo foi decidido em 45 minutos, antes que o PFC tivesse tempo de se estabilizar em campo.
Lecheva foi cirúrgico. Postou Djalma e Eduardo Ramos adiantados no campo de defesa do Paragominas, marcando a saída de bola. Rafael Oliveira também participava do cerco. Paulo de Tárcio e Marquinhos eram os mais visados. Com isso, sobrava para os zagueiros ou Dudu, o menos hábil dos volantes, a tarefa de conduzir a bola. A ligação era prejudicada e o Paissandu começou a ganhar bolas importantes.
A primeira delas, logo aos 23 minutos, caiu nos pés de Eduardo Ramos. Como se fosse um ponta-esquerda, levou a bola até a linha de fundo e cruzou rasteiro, com endereço certo. Rafael Oliveira ainda amaciou a bola para o chute seco e rasteiro de Djalma, no canto direito do goleiro Michael Douglas.
O triunfo foi sacramentado aos 39, com Eduardo Ramos em cobrança de falta, e aos 42, com Rafael Oliveira (escorando rebote do goleiro na cobrança de pênalti por Pikachu). Quando o primeiro tempo terminou, o placar era matematicamente reversível, mas emocionalmente o time do PFC estava derrotado.
Além de não ter visto a cor da bola, errando até passes curtos, não deu um chute perigoso em direção ao goleiro Zé Carlos e esfriou a euforia dos 5 mil torcedores presentes. No intervalo, Charles viu-se obrigado a lançar mão de quatro atacantes para uma desesperada tentativa de reação. Contra o atrapalhado Remo de Flávio Araújo, no domingo anterior, deu certo. Diante do tranquilo e organizado Paissandu de Lecheva, ficou apenas na vontade.
Até que no reinício da partida o PFC ensaiou um sufoco e andou rondando o gol. Adriano Miranda, Weller e Eduardo (que substituiu a Dudu) obrigaram Zé Carlos a fazer defesas importantes. Miranda ainda sofreria um penal do goleiro, não assinalado pelo árbitro Andrey da Silva e Silva.
Aos poucos, porém, o Paissandu foi retomando as rédeas da partida e o time ganhou ainda mais equilíbrio quando Vânderson entrou no lugar de Esdras e Iarley substituiu um improdutivo João Neto – que desperdiçara excelente oportunidade minutos antes. Absoluto, Ramos continuava a liderar as ações no meio-de-campo.
Depois de nova recuperação de bola na defesa, um contragolpe fulminante levou ao quarto e último gol da partida. A bola foi lançada até Iarley, que entrou na área e bateu cruzado, sem defesa para o goleiro. O placar, dilatado e um tanto exagerado, premiou a objetividade e o plano tático do Paissandu. Castigou duramente a falta de iniciativa e o baixo rendimento de alguns jogadores do PFC.
O segundo jogo, marcado para domingo, no estádio Jornalista Edgar Proença virou mera formalidade. O campeonato está decidido.
Time grande se impõe em qualquer lugar
Alguém deveria mostrar, caso ele não tenha visto, ao técnico Flávio Araújo como se faz para vencer um time atrevido e rápido dentro de seus domínios. O primeiro passo é interromper seus canais de saída para o jogo. O segundo é jamais se apequenar.
Ao contrário de Araújo, Lecheva fez com que o Paissandu atuasse na condição de time grande, jamais abdicando das iniciativas e atacando sempre que possível. Pela distribuição de seus jogadores de meio, o PFC não tinha como utilizar seus atacantes. Além disso, contava com Eduardo Ramos novamente em jornada inspirada, trabalhando como um verdadeiro maestro.
O PFC não conseguiu jogar na primeira metade. Aleilson – que ainda não marcou contra o Paissandu neste campeonato – só foi notado em campo no segundo tempo. Weller não teve nenhuma oportunidade. Adriano Miranda, o mais efetivo, acabou prejudicado pela missão de recuar para ajudar na marcação. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 13)




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