Por Lúcio Flávio Pinto (via Yahoo!)
Depositei ontem (terça-feira, 12) em conta do poder judiciário R$ 25.116,75. Esse dinheiro, obtido através de coleta pública nacional pela internet, se destina aos sucessores e herdeiros do empresário Cecílio do Rego Almeida. Corresponde à indenização que a justiça do Pará me obrigou a pagar ao dono de uma das maiores empreiteiras do Brasil, a Construtora C. R. Almeida, com sede no Paraná.
Foi o desfecho de uma ação que ele iniciou em 2000. Alegou ofensa à sua honra pessoal por eu o ter chamado de pirata fundiário, em artigo publicado no meu Jornal Pessoal. Na época, cobrou R$ 4 mil como reparação pela sua honra ofendida. O valor final, de R$ 25 mil, decorreu da correção monetária e dos acréscimos do processo.
Eu podia continuar a recorrer, como fiz ao longo de mais de 10 anos. Mas achei que o cinismo, a injustiça e o propósito deliberado de me atingir exigiam uma resposta mais contundente, à altura do surrealismo da situação. Decidi não recorrer mais. E fiz algo inédito nos anais forenses: compareci espontaneamente ao foro e pedi para pagar a indenização.
O juiz que me condenou, Amílcar Guimarães, atuou como substituto na vara pela qual o processo tramitava, em 2005, por um único dia, enquanto a titular viajava para fazer um curso de três dias no Rio de Janeiro. Sua sentença fraudou a data para poder ser recebida, quando ele já não podia mais atuar no processo. Não consegui anular essa decisão, apesar de todos os recursos que utilizei. Não consegui sequer a punição do juiz fraudador, A sentença foi mantida no tribunal.
A história já é conhecida e a relembro num artigo que escrevi para minha coluna, Cartas da Amazônia, no portal do Yahoo!. Através dela, convoco novamente os amigos e simpatizantes, que aderiram à “vaquinha” para a coleta dos fundos para a indenização, a participarem de uma nova rodada, agora para as manifestações daqueles que também acham que a situação merece uma resposta. Este é meu convite: vamos mostrar à justiça do Pará que se ela reprime a verdade, nós a exaltamos. E estamos dispostos a pagar qualquer preço para fazê-la prevalecer sobre o absurdo do poder absoluto.

14 responses to “A justiça, o pirata e o jornalista”

  1. Avatar de Édson Amaral Paysandu campeão do 1° Turno

    Égua! Haja sujeira!

  2. Avatar de Sérgio Moraes
    Sérgio Moraes

    Devia ter denunciado ao CNJ. Nunca vi nada mais escabroso! É esta a nossa justiça?

    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      De fato, Sérgio, esse processo do Lúcio é digno de uma trama de Kafka. Absurdo total.

  3. Avatar de nery17

    Deveria recorrer a OEA, isso é maior safadeza, a pessoas não pode falar a verdade que a “justiça” dos poderosos faz a gente calar a boca, de réu eles passam a vitimas, um escalabro. Os injustiçados um dia serão exaltados!

  4. Avatar de Daniel Malcher
    Daniel Malcher

    Somente uma justiça revolucionária dará conta de nossas demandas por igualdade, liberdade, democracia, justiça social e valorização e preservação da vida. Esta, burguesa, que defende apenas e tão somente a propriedade olhando de soslaio os inventários dos litigantes para instruir suas sentenças não deve sequer ser reformada, mas extinta.

  5. Avatar de Seseu41
    Seseu41

    Vergonha alheia dessa justiça nojenta.

  6. Avatar de Heleno
    Heleno

    É muito surreal ! O juiz fraudou uma data !! Que picareta !!!

  7. Avatar de ANTONIO Valentim

    Depois dizem que há liberdade de imprensa no Brasil. Só há para os que mentem.

  8. Avatar de Alberto Lima - Recife
    Alberto Lima – Recife

    É fato que a Justiça no Pará não tem bons olhos la fora!

    Nossos magistrados são muitos cheios de pompas, além das amizades corriqueiras com políticos e grandes empresários (grandes??).

    Os caras (magistrados) são cheiros de mimos e adoram bajulação.

    Massagear seus egos é o caminho pra terem suas sentenças favoráveis!

    Uma vergonha…

  9. Avatar de MARLO CAVALCANTE
    MARLO CAVALCANTE

    Quem escreve o que quer paga o que não quer!!!

  10. Avatar de Lopes Junior
    Lopes Junior

    Contestar é algo em si que exige coragem, porque pode ser perigoso. Por que pode ser perigoso, requer proteção. Das mais odiosas práticas que existem, ainda, nesse nosso Estado, a grilagem de terras é uma. E umas outras são a proteção da propriedade privada e a privatização do patrimônio público, e tanto faz se é de forma legal ou ilegal. Que a propriedade privada, adquirida legalmente e produtiva, seja protegida, é mais do que bem, é algo natural até, mas proteger a posse de uma terra que não foi obtida, nem legalmente e nem irregularmente, é uma evidente forma de corrupção. O Estado, como aparelho ideológico, afirma categoricamente que quem puder corrompê-lo que o faça, quando aceita, protege, encobre ou acoberta, escolha o termo de sua preferência, uma ação bandida, verdadeiramente criminosa, de uma pessoa e de um funcionário seu. A atitude estranha da Justiça do Pará merece atenção. Isso cheira a golpe, contra o povo. Não que Lúcio Flávio Pinto seja o povo, e nem que ele o represente, mas a julgar por este comportamento, sendo esta é uma das vezes em que um do povo pode realizar o julgamento moral, porque é para manter uma ordem moral na sociedade que lá está, no tribunal, um juiz, soa como afronta a autoridade a discussão de uma decisão perfeitamente discutível. Ora, o poder de um juiz é, felizmente, limitado pela própria constituição. É necessário, via de regra, que é positiva no direito, que a decisão seja legítima por obediência aos ritos estabelecidos pelo ordenamento jurídico nacional, e até internacional, quando for o caso. E este é o caso, agora, para que entre em cena um tribunal internacional e que se faça barulho contra os golpistas da lei brasileira. Sabe, um dia posso eu mesmo ser uma vítima de um julgamento absurdo como esse, então, penso que todo apoio a Lúcio Flávio Pinto é pouco.

  11. Avatar de Édson Amaral Paysandu campeão do 1° Turno

    Marlo também acho que é justo os jornalistas pra fazerem trabalho mais responsável, serem responsáveis na hora de botar a tinta no papel.

    Mas isso não é o problema neste caso e sim as manobras, as traáças e as injustiças que estão sendo feitas com este jornalista em questão.

  12. Avatar de Paulo Correa
    Paulo Correa

    Infelizmente a justiça paraense sempre apoia as classes mais favorecidas, talvez em troca de mimos, é por isso que ela é considerada com uma das piores do Brasil. Mesmo recorrendo à Justiça Federal é muito difícil o recorrente obter êxito. Na verdade Legislativo, Executivo e Judiciário paraense andam de mãos dadas, é praticamente impossível você ganhar uma causa, contra as pessoas que fazem parte deste conluio.

  13. Avatar de MARLO CAVALCANTE
    MARLO CAVALCANTE

    Amigo Édson, não posso falar do que não tenho conhecimento, da justiça e os fatos “sombrios” do julgamento, agora, quando a responsabilidade na hora de publicar…. é bem por aí mesmo.

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