Por Gerson Nogueira
A coisa parece séria. A Fifa resolve dedicar mais afinco e rigor à luta contra o racismo nos campos de futebol. Antes tarde do que nunca. É verdade que a entidade já vinha, aqui e ali, se manifestando contra atos de racismo, principalmente em torneios europeus. É fato também que as punições aos atos racistas têm acontecido, mas em nível acentuado de timidez e parcimônia.
Contra o monstro da discriminação racial, a velha Europa – onde floresceram desde sempre as mais lesivas ocorrências do gênero – precisa ser bem mais enérgica. Não que seja um problema simples de resolver, capaz de ser sanado num passe de mágica.
A situação é ainda mais desconcertante porque os estádios europeus são frequentados por uma elite econômica em condições de gastar, sem chiar, até 500 euros por um ingresso. Pois vem justamente das tribunas engalanadas a maior onda de xingamentos e insultos contra jogadores negros ou mestiços.
Brasileiros têm sido vítimas contumazes desse tratamento, com destaque para Robinho, brindado com os mesmos cânticos racistas dirigidos a Balotelli. A diferença é que o atacante da seleção italiana é muito mais midiático e chama atenção pelas atitudes polêmicas dentro e fora de campo. Dá ibope, em síntese.
Na Espanha, Daniel Alves (Barcelona) vive sendo hostilizado, bem como Marcelo, do Real Madri. Jogadores de destaque, titulares nos dois grandes clubes. Nem isso garante blindagem contra os intolerantes. Os atletas reagem, as federações punem, mas as torcidas seguem incorrendo no mesmo crime vergonhoso e inaceitável.
A entrada em cena da Fifa pode vir a determinar sanções mais rigorosas, que amedrontem clubes e torcedores, e reduzam efetivamente os abusos. A questão ficou mais visível a partir da globalização do mercado da bola, com a crescente presença de jogadores do Terceiro Mundo invadindo os salões europeus.
Além da hostilidade em relação a pessoas fisicamente diferentes, as plateias europeias traduzem nos estádios um sentimento de rejeição a trabalhadores estrangeiros. Espanha e Itália atravessam crises econômicas monumentais, com queda vertical nos postos de trabalho. A situação é, portanto, mais complexa do que se supõe.
Reafirmo a convicção de que o futebol profissional só olhará com a atenção devida ao problema quando penas pecuniárias forem impostas. A velha máxima de que a parte mais sensível é o bolso se aplica perfeitamente aqui. Sanções econômicas vultosas podem não encerrar o triste capítulo do racismo em estádios de futebol, mas certamente irão obrigar dirigentes a combater o problema com mais empenho.
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Candidatos à camisa 9 do Papão
O Paissandu cumpre boa campanha no Parazão e chegou com méritos à final do turno. Nem isso, porém, arrefeceu os anseios da torcida por um “nome de peso” para o ataque. Depois das intensas especulações quanto a Dênis Marques e Marcelo Nicácio, o clube volta a ser assolado por boatos acerca de um novo atacante que estaria em negociação com a diretoria. O povo não sossega e não adianta o presidente Vandick Lima negar – e é óbvio que ele jamais admitiria isso às vésperas de uma decisão de turno.
Desta vez, as projeções deslocam-se do Nordeste e apontam para o futebol mineiro. O veterano Fábio Júnior, antigo sonho de consumo dos grandes de Belém e hoje no América-MG, é o mais citado. Outro nome lembrado é o de Anselmo Ramon, do Cruzeiro. Se fosse prova de marcar, o escriba cravaria na opção “nenhuma das opções anteriores”.
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Tropeções sem sentido
Podia ter sido uma programação quase perfeita, levando em conta a experiência do primeiro clássico da decisão, realizado no último domingo. Só que não foi. A organização, agora sob responsabilidade do Remo, começou capenga, atrasando o começo da venda de ingressos. Para piorar, o torcedor que foi ontem às farmácias descobriu que só havia ingresso para cadeiras. Espera-se que hoje as vendas sejam normalizadas, sob pena de haver uma queda de público em relação ao primeiro Re-Pa. E, se isso acontecer, não será por culpa ou desinteresse do torcedor.
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Fortunas geradas pela rivalidade
Um levantamento organizado por Rodrigo Sousa e Sérgio Wilson Japonês, produtores da Rádio Clube, indica que a dupla Re-Pa arrastou a campo de 2009 até este ano um público total de 384.470 torcedores em 14 clássicos disputados. Média de 27.642 por partida, quase em níveis europeus.
Impressiona também o montante arrecadado nos confrontos entre os rivais: valor bruto de R$ 7.407.168,00, cabendo à FPF o valor líquido de R$ 740.716,80.
Alguém ainda questiona a importância de Remo e Paissandu para a sobrevivência do futebol no Pará?
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 02)
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