Semelhanças embaraçosas

Por Sérgio Xavier (da Placar)

Alexandre Pato lembra um garoto que surgiu lá na década passada. Freddy Adu nasceu em Gana, se naturalizou americano e pintou como um novo Pelé. A Europa o cobiçou, Adu rodou por clubes em Portugal, na Turquia, na Grécia e hoje ele está atuando na Liga norte-Americana. Aos 23 anos, parece um veterano em fim de carreira. O problema é que ele amadureceu mais cedo que os garotos da sua idade, encheu os olhos dos outros e depois não ultrapassou a fronteira que separa os bons dos realmente fora de série.

Alexandre Pato tem a mesma idade que Freddy Adu e, guardadas as devidas proporções, é parecido. Em 2006 pintou nas categorias de base como um fenômeno. Botava seus companheiros no bolso a ponto da diretoria do Internacional escondê-lo para que não surgissem gaviões para levá-lo antes que pudesse assinar o primeiro contrato profissional. Pato era precoce demais, concluía e pensava como jogador adulto. O Milan pagou 20 milhões de dólares sem pestanejar e o deixou treinando em Milão por seis meses. Pato ainda não tinha idade para jogar o Campeonato Italiano.

A partir de então, Pato não aconteceu. E nem foram apenas as repetidas lesões. Ele virou um bom jogador, não um craque. Teve chances na seleção e não as aproveitou. O potencial pode ser de craque, a realidade recomenda menos empolgação. É esse o jogador que o Corinthians está contratando. Uma aposta, e de alto risco, até porque ele deve sair pela faixa de 40 milhões de reais. Dará certo?

2 comentários em “Semelhanças embaraçosas

  1. Pelas pífias apresentações na seleção nunca concordei com a promoção gratuita (ou não) de Alexandre Pato. Afinal de contas, atuou muito bem no título mundial do Internacional e depois… bem, depois, nada. Tomara que eu esteja enganado porque, se estiver certo, enganado estará o técnico da seleção.

  2. Tem talento o Pato. Mais do que vários que brilharam no Corinthians este ano. Tomara que seja só de talento do que ele precise para dar certo por lá.

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