Por Gerson Nogueira
Há, inclusive, o receio de que ocorram tumultos, como se viu na eleição do Paissandu, que resvalou até para agressões físicas. O perigo existe, principalmente porque circulam convites para que as facções organizadas (e extintas pela Justiça) estejam presentes à eleição.
Grupos vinculados a uma das chapas têm se dedicado à panfletagem com o objetivo de influenciar o colégio eleitoral. Cabe lembrar que, na última eleição, a Polícia Militar teve muito trabalho para conter torcedores uniformizados que tentaram invadir a sede para provocar tumultos.
Do lado da oposição, que congrega em torno da candidatura Roberto Macedo seguidores do ex-presidente Amaro Klautau, há também queixas direcionadas à atual diretoria. O candidato demonstra insatisfação com a ausência de informações sobre a real situação financeira do clube.
Cabeça e seu grupo alegam que todos os relatórios e balancetes internos estão disponíveis e podem ser acessados pelos conselheiros. O presidente, através de auxiliares, reclama que seus opositores centram as críticas no fracasso futebolístico de sua gestão. Entende que seu trabalho deve ser avaliado além das quatro linhas.
Destaca a impressionante recuperação financeira do Remo, empreendida pela equipe jurídica, comandada por Ronaldo Passarinho. Graças ao esforço do grande benemérito, a dívida trabalhista superior a R$ 12 milhões caiu para cerca de R$ 5 milhões. Este é, seguramente, o principal trunfo da campanha de reeleição de Cabeça.
Nos debates realizados no programa Bola na Torre (RBATV) e na Rádio Clube, o candidato Roberto Macedo deixou claro seu desagrado com os custos da contratação do técnico Flávio Araújo e de reforços para montagem do time que vai disputar o Campeonato Paraense. Deixou claro que, se eleito, irá rever os contratos firmados pela diretoria, o que poderia comprometer drasticamente a preparação do Remo para o Parazão.
Pelo acompanhamento dos debates, que evidenciaram rusgas entre os candidatos, fica claro que as principais metas de Cabeça são o saneamento das dívidas e a volta à Série D, com promessa de acesso à Série C 2014. Macedo, que baseia sua plataforma em exemplos do passado, é contra tudo o que a diretoria faz e se compromete a dar total apoio às divisões de base.
———————————————————–
Feridas do passado
A campanha eleitoral fez com que o Remo, ao contrário do Paissandu, se debruçasse sobre o passado. Através das críticas de Macedo ao presidente, muitos problemas antigos voltaram à mesa de discussão. No revide, Cabeça revolveu páginas quase esquecidas da história azulina, como o caso Rui Curuçá em 1982, cuja situação irregular acabou custando ao Remo um título estadual. A perda de Oberdan para o maior rival, em 1987, por iniciativa de Macedo, foi outro assunto relembrado nos debates.
Bem mais importante que o bate-boca entre candidatos foi o compromisso assumido por ambos quanto à aprovação do sistema de eleição direta a partir de 2014. A torcida, mantida longe do processo, está atenta e vai cobrar.
———————————————————–
Vandick põe a mão na massa
Os desafios que esperam por Vandick Lima na presidência do Paissandu começam a adquirir forma e envergadura. Os mais de dois meses de salários em atraso com jogadores e comissão técnica constituem o primeiro incêndio a ser debelado pelo novo gestor. Ontem pela manhã, o presidente eleito assumiu em definitivo os destinos do clube, após rápida reunião com o atual gestor.
Por respeito à instituição, Vandick assumiu as responsabilidades administrativas e já começou a conversar com os atletas para resolver as pendências. A herança mais explosiva alcança a soma total de R$ 1,8 milhão (entre salários e gratificação pelo acesso à Série B).
É a garantia de que, pelo menos neste ano, o Paissandu não viverá aqueles dias dramáticos (e constrangedores) de cobranças de salários às vésperas do Natal, como aconteceu ao longo dos últimos quatro anos.
———————————————————–
Fabuloso e burro
O São Paulo saiu com um empate (0 a 0) de La Bombonera e manteve boas chances de conquistar a Copa Sul-Americana. Como todos sabiam, o Tigre apelou para a catimba e a provocação como formas de desestabilizar o favorito na disputa. Luís Fabiano, um dos mais experientes jogadores em campo, sucumbiu à tática malandra dos argentinos e foi expulso de campo logo no começo da partida.
Além de prejudicar seu time no jogo, Luís Fabiano ficou afastado da final em São Paulo. Ao mesmo tempo, consolidou de vez seu nome na galeria dos mais burros jogadores do nosso futebol.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 06)
Deixe uma resposta para Raimundo RamosCancelar resposta