Por Gerson Nogueira
O Remo se alvoroça com a possibilidade de mudanças efetivas. O problema é que esse sentimento envolve muito mais o torcedor do que os que eleitores. Conselheiros e associados, sempre tão ausentes e desinteressados, devem ter consciência da importância de seu papel para a vida do clube.
As eleições no clube, marcadas para dezembro, devem sinalizar o interesse verdadeiro em modificar o atual estado de coisas. De pouco adianta ficar trocando de presidentes e diretores se as mazelas permanecem exatamente as mesmas. De Raimundo Ribeiro não houve qualquer ruptura na maneira de dirigir o clube.
Os presidentes sempre assumem sabendo que terão que administrar passivo trabalhista monstruoso e pendências salariais imediatas. Pegam o barco andando e já encaram as cobranças por resultados no primeiro semestre da gestão, que coincide com o Campeonato Estadual e a Copa do Brasil.
Desde Ribeiro, além das dívidas acumuladas e da mania de contratar sem critérios, os gestores têm em comum a ausência de projetos para profissionalizar o futebol. Todos prometem “modernizar” a administração do clube, mas assim que sentam na cadeira presidencial cometem os mesmos erros.
Entre todas as sandices praticadas e já suficientemente citadas, considero que um dos vacilos mais recorrentes é a facilidade com que as diretorias permitem que técnicos assumam o papel de intocáveis. Posicionam-se como verdadeiros sumo-sacerdotes, às vezes mandando mais que o próprio dirigente máximo.
O caso, recém-divulgado, da imposição que o técnico Edson Gaúcho assumiu de contratar o veterano atacante Mendes é prova inequívoca dessa inversão de papéis. Os dirigentes não queriam o jogador, mas Gaúcho bateu o pé e disse que se garantia pela contratação de risco. Deu no que deu. Mendes, como quase todo mundo desconfiava, não emplacou – como, aliás, não vem emplacando já há algum tempo.
Gaúcho, que havia dado as tais garantias, já é passado na história do Remo, mas as contas pelo negócio ruim estão prestes a ser cobradas. Mendes já anunciou que vai acionar o clube na Justiça do Trabalho. Os desdobramentos dessa perlenga todo mundo já conhece de cor e salteado.
Portanto, o futuro presidente do clube – Aldemar Barra, Roberto Macedo, Raphael Levy, Marcelo Carneiro ou mesmo Sérgio Cabeça – devem ter em mente que administrar o Remo não pode ser mero detalhe na agenda, muito menos hobby de fins de semana. É preciso dedicação plena e interesse legítimo em melhorar o clube. Se não houver essa convicção, a velha história tem tudo para se repetir, da pior maneira, como já se sabe.
————————————————————–
O Paissandu vive situação crítica na tabela de classificação, acaba de perder jogo importante e cair para a sétima colocação no grupo A da Série C, e qual a grande notícia da segunda-feira na Curuzu? O estrepitoso anúncio de um novo reforço, o peso-pesado de MMA Mondragon, pelo próprio presidente do clube confirma que a cartolagem está mesmo inteiramente divorciada dos sentimentos (e angústias) do torcedor.
Todo mundo preocupado com o time de futebol e o dirigente parece feliz feito pinto no lixo com a nova aquisição. Em tempo: o lutador é um ex-borracheiro, baiano de Feira de Santana, e vai representar as cores alvicelestes em evento de UFC programado para o Rio de Janeiro no próximo mês. Que seus socos consolem a torcida alviceleste em caso de desgosto nos gramados.
————————————————————–
Arnaldo Cézar Coelho e seus demais parceiros de Globo tentam, a cada rodada, reinventar as regras do futebol. Em lance polêmico, no jogo entre Cruzeiro e Vasco, em Belo Horizonte, domingo, Tinga recua bola dentro da área e a bola chega a um vascaíno que estava impedido. A finalização é feita, o gol acontece e o árbitro invalida a jogada, com base em interpretação do assistente.
Aprendi desde moleque que bola recuada anula impedimento. Ao ver o lance e a marcação prejudicial ao Vasco fui informado, pelo rei do arranjo verbal Arnaldo, que o cruzeirense não teve intenção de devolver a bola, como se isso fosse desfazer a jogada. Ora, o gol foi absolutamente legal, mas o papa da arbitragem não pode ter suas teorias contestadas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 18)
Deixe uma resposta para Pr. Carlos Rodrigues (@prcarlosrod)Cancelar resposta