Por Gerson Nogueira
O futebol paraense entra em campo neste domingo para um duplo desafio fora de casa. Pelo retrospecto do confronto e com base no equilíbrio do torneio, cabe ao Paissandu a missão mais indigesta. Até o torcedor mais distraído sabe que superar o Salgueiro dentro de seus domínios constitui uma pedreira para o time de Givanildo Oliveira. As circunstâncias da partida apontam para a necessidade de reforçar o esquema defensivo, mas entendo que está na eficiência ofensiva a chave para obtenção de um bom resultado.
Sob o comando de Davino, o Paissandu se apresentava quase sempre no 3-5-2, que facilmente se transformava num esquema de cinco defensores, pois os volantes recuavam tanto que acabavam por se misturar aos zagueiros de área. Lecheva alterou isso contra o Cuiabá, no Mangueirão, voltando para a solução mais simples com apenas dois zagueiros. Não foi uma atuação portentosa, mas o time teve mais facilidade para sair da defesa ao ataque.
Givanildo assumiu na segunda-feira prometendo não mexer na formação que Lecheva simplificou. Significa, basicamente, que Washington e Harisson têm boas chances de comandar a criação no meio-de-campo. Tiago Potiguar, que cumpriu suspensão no último jogo, volta ao ataque, devendo reeditar dupla com Rafael Oliveira. Criticado por muitos, Potiguar tem o mérito de ser o jogador que melhor se adapta ao papel de segundo atacante, produzindo jogadas para o atacante de área.
Nessa função, atuou bem na estreia contra o Luverdense e se destacou no empate em Recife diante do Santa Cruz. De temperamento instável, para render o esperado, o meia-atacante precisa se sentir identificado com o treinador. Foi assim no começo do trabalho de Davino. Com Givanildo, suas virtudes ofensivas devem ser até melhor exploradas. A presença de Rafael como homem de área representa a reedição de uma dupla que já garantiu muitas vitórias ao time.
Contra um adversário que pressiona sempre, até mesmo quando se apresenta fora de casa, o contra-ataque pode ser arma poderosa, desde que bem organizada. Para dar certo, requer passe e velocidade no meio-de-campo. Se as jogadas forem bem organizadas, caberá aos homens de ataque eficiência e objetividade para aproveitar as oportunidades criadas – ou concedidas pela defensiva do Salgueiro.
Profundo conhecedor do futebol pernambucano, Givanildo tem boas possibilidades de transformar aperreios em facilidades nessa sua reestreia pelo Paissandu. Só precisa seguir a receita desenhada por Lecheva, utilizando jogadores adequados para as funções exigidas. Futebol não é nenhum bicho de sete cabeças, mas definitivamente não combina com invencionices.
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Fiel à máxima de que é possível mexer em time que está ganhando, o Remo vai ao Amazonas com um time modificado em setores cruciais. A provável entrada do novato Marcelão no miolo de zaga, ao lado de Diego Barros, é a última tentativa de dar segurança ao compartimento mais vulnerável do time. Ao mesmo tempo, o veterano Ávalos sai de cena, para alívio da massa torcedora remista. Outro jogador muito criticado pela torcida, o lateral-esquerdo Aldivan, deve ser substituído por Paulinho, que é bem mais afeito ao jogo de velocidade que os duelos da Série D exigem.
Sob o comando de Edson Gaúcho, o Remo visitou e venceu Náutico e Atlético-AC. É possível passar pelo Penarol, mas não pode se dar ao luxo de tantas falhas defensivas. A ausência de André, suspenso, é um detalhe a ser considerado. Sempre que a dupla formada por ele e Jhonatan se desfez, o Remo pagou caro por isso. Márcio Tinga, seu substituto, não inspira muita confiança. Em Rio Branco, a excelente atuação do trio Reis-Ratinho-Fábio Oliveira garantiu a vitória, apesar das lambanças da zaga. É justamente no entrosamento dos atacantes que reside a principal virtude do time e suas maiores esperanças de triunfo.
O Penarol, que foi derrotado no Baenão, é um clube em crise. O time é limitado e não há grana. O governo amazonense prometeu ajuda de R$ 1 milhão, mas até hoje não repassou a quantia. Apesar disso, é bom não confiar muito na suposta fragilidade do time. As chances de classificação à próxima fase são modestas, mas o representante baré não pode titubear dentro de casa. Por isso, vai dificultar ao máximo a vida dos azulinos.
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A festiva cerimônia de colocação do escudo remista no pórtico do Baenão, ontem, deve soar como alerta a todos aqueles gestores que ousem desrespeitar um clube e sua história. Você pode achar que sou um sonhador, mas ainda chegará o dia em que as agremiações serão conduzidas pelo voto popular, em conformidade com a própria natureza do futebol. Quando isso chegar, teremos a primazia do coletivo sobre decisões de gabinete e conchavos de bastidores.
Até lá, porém, será preciso que o torcedor mais consciente policie (o termo se aplica às circunstâncias de certos abusos) e reforce a vigilância sobre seus dirigentes. Aloprados dispostos a saquear patrimônios estão à espreita. Todo cuidado com eles.
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Desconfio (mero palpite, entenda-se) que a longa invencibilidade do Atlético-MG no Brasileiro será quebrada neste domingão. A conferir.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 19)
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