Por Gerson Nogueira
Um ato simbólico de grande importância para a história do clube marca os 101 anos de reorganização administrativa do Clube do Remo, transcorridos ontem. A cargo do arquiteto Paulo César Alves, foi restaurado o escudo do clube que sempre pontificou na fachada do estádio Evandro Almeida desde sua construção, há mais de 70 anos. Referido símbolo tinha sido destruído em 2010, a golpes de picareta, por ordem do então presidente do clube, Amaro Klautau.
A depredação do patrimônio visava, segundo admitiu o próprio dirigente, impedir que o imóvel fosse tombado e, com isso, tivesse sua venda inviabilizada. Cabe observar que, à época, o único projeto administrativo existente no Remo era o da “permuta” do velho estádio ao preço de R$ 32 milhões (quando vale, segundo cálculos atualizados, mais do que o dobro disso). A transação imobiliária era justificada como remédio para todas as mazelas azulinas. Segundo seus ardorosos defensores, vender o Baenão significava o fim das dívidas e um salto para o futuro.
Estudos posteriores, feitos sem a contaminação inicial, mostraram um quadro totalmente diferente. As dívidas do clube não eram gigantescas como o próprio presidente apregoava e nem o prometido futuro era tão glorioso assim. Ainda assim, enredado pelas promessas mirabolantes, o Conselho Deliberativo, presidido por Felício Pontes, daquele período chegou a aprovar – por ampla maioria de votos – autorização para que a desastrosa transação fosse firmada.
Na sequência, porém, todos os vícios de origem começaram a vir à tona. Sobre as condições da solitária proposta de compra, soube-se que somente R$ 18 milhões seriam disponibilizados para erguer um estádio (a tal Arena do Leão) com capacidade para 22 mil espectadores. Com o passar do tempo e as indefinições quanto ao terreno do novo estádio, a transação passou a ser vista como realmente era: uma fantasia delirante que acarretaria prejuízos de grande monta às finanças e ao patrimônio do Remo.
A recolocação do escudo é, portanto, mais do que um gesto de comemoração. Representa, simbolicamente, a recuperação da identidade perdida. E deve servir como exemplo vivo de vigilância, para toda a comunidade azulina, contra eventuais aventuras oportunistas.
Um clube da grandeza do Remo não pode se render a interesses particulares, nem deve submeter a gestão de seu patrimônio a dirigentes de ocasião. Que fique a lição.
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Além do escudo restaurado por iniciativa de um colaborador, o Conselho Deliberativo do Remo tem a obrigação estatutária de punir o dirigente responsável pelo grave atentado ao patrimônio e à história do clube.
Passaram-se dois anos e não há sinal de qualquer iniciativa nesse sentido, fato que depõe contra a atuação e o comprometimento do colegiado eleito justamente para resguardar os interesses do clube.
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O Paissandu anunciou ontem a contratação do atacante Moisés, seu ex-jogador, que brilhou no campeonato estadual de 2010. Saudado como grande revelação, Moisés não confirmou esses presságios. Depois de negociado com o Santos, o jovem atleta perambulou por vários clubes (Náutico e Ipatinga, ultimamente) sem maior brilho.
Nos últimos meses, teve seu nome oferecido diversas vezes ao clube de origem, sem despertar o interesse dos dirigentes. Agora, com o aval de Givanildo Oliveira, Moisés retorna à Curuzu, mais experiente e menos badalado. Se estiver consciente de que ganhou a chance de um recomeço, talvez seja útil na campanha pelo acesso à Série B.
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A ocasião era festiva. O velho estádio de Estocolmo onde o Brasil começou a escrever sua gloriosa história internacional será demolido ainda neste ano e as duas seleções se enfrentaram, amistosamente. No final, fácil vitória brasileira diante de um time sueco descaracterizado e sem seu principal astro, Ibrahimovic. Algumas raras boas jogadas, muitas faltas e chutões.
Quem se deu ao trabalho de acompanhar a partida percebeu claramente o clima de fim de festa, relacionado ainda com o fracasso no torneio olímpico. Nem mesmo a entrada de jogadores como Daniel Alves e Ramires mudou o astral do escrete.
O placar folgado pode ter dado a falsa impressão de que Mano Menezes está garantido no cargo. Desconfio, porém, que ele esteja “prestigiado”, como se dizia antigamente de treinadores marcados para cair.
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