E sobrou para o paraense

Por Gerson Nogueira

Espécie de praga nacional, dirigentes de futebol são quase sempre alienados ou gostam de agir como tal. As declarações de Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF, bancando a permanência de Mano Menezes no escrete, se inserem nessa galeria de desvarios próprios da cartolagem. Somente a insensibilidade de quem deixou de ser torcedor para permitir afirmações tão deslocadas da realidade.

Ao contrário do que parece pensar o diretor da CBF, a derrota do Brasil na final olímpica não foi recebida como um resultado qualquer. No contexto da Olimpíada, o vexame ganhou relevância pela maneira como a seleção se apresentou, descompromissada e sem a entrega que o torcedor espera de atletas que defendem o time nacional.

Junte-se a isso a opinião que é quase unânime entre os torcedores de que jogadores de futebol constituem uma casta de privilegiados no universo dos esportes no Brasil. Há um evidente exagero nesse pensamento, mas alguns dos que estavam em Londres têm de fato esse perfil.

Ao mesmo tempo, o trabalho de Mano Menezes é cada vez mais questionado. Montou um esquema único para a disputa da Olimpíada, chamou jogadores errados na faixa acima dos 23 anos. Não se justifica a opção por Huck e o esquecimento do atleticano Bernard, por exemplo. Como também é difícil entender os motivos da barração de Lucas, que só entrou nos minutos finais da decisão. O Brasil precisava àquela altura de um jogador com suas características, que pudesse mudar o ritmo das coisas e capaz de romper o forte bloqueio mexicano.

Vai daí que a intempestiva entrevista, apenas três dias depois da decepcionante jornada em busca do ouro olímpico, coroa o quadro de absurdos que envolve a entidade controladora do futebol nacional. Além de um presidente arcaico, que cumpre o papel de sub-Teixeira, há ainda um cartola que administra a Seleção como tratava seu clube, o Corinthians.

Seleção é coisa séria. É possível até entender as preocupações de Sanchez em blindar o técnico Mano Menezes. Afinal, o cargo é importante. A Seleção é a grande vitrine para o comércio de jogadores com clubes estrangeiros. Como se sabe, depende do comandante do escrete a opção de convocar este ou aquele jogador, decisão que pode levar a negócios milionários, interessando diretamente aos clubes e investidores.

No mesmo dia da manifestação do dirigente, foi anunciada a dispensa técnica de Paulo Henrique Ganso do amistoso de hoje com a Suécia. Na prática, o meia foi o único punido e responsabilizado pelo fiasco de sábado. Pouco utilizado por Mano Menezes durante o torneio em Londres, o meia-armador paraense pareceu sempre um estranho no ninho e voltou a reclamar de dores que atrapalhavam sua participação até nos treinos.

Foi nesse período que surgiu uma discreta e sórdida campanha de desgaste do meia paraense nos jornais, internet e emissoras de TV, com insinuações de que estaria fazendo corpo-mole e evitando até treinar.  Circulou até uma notícia comparando a “apatia” de Ganso com a disposição que Neymar mostrava nos treinamentos.

Impossível não lembrar o ocorrido com outro paraense, Giovanni na Copa de 1998, quando foi vítima desse tipo de marketing negativo. Apesar do inegável talento, o meia foi fritado por Zagallo no escrete. Seu pecado foi ter contrariado interesses poderosos em torno da Seleção, incluindo algumas cobras criadas da mídia esportiva. Ganso que se cuide.

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Cena típica dos nossos estádios: domingo, durante o jogo Remo x Náutico no Baenão, cerca de 50 torcedores brigões foram presos e encaminhados à Delegacia de São Brás. Para surpresa de quem se preocupou em checar, nenhum deles deu entrada na Seccional. Hipóteses possíveis para o estranho fenômeno: uma improvável fuga em massa ou a liberação pura e simples dos desordeiros do lado de fora do estádio remista.

Não precisa ir muito fundo na análise para perceber que situações como essa é que emperram o combate à violência nos estádios de Belém. Enquanto o problema for tratado com pouco caso, os baderneiros continuarão dando as cartas.

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Givanildo Oliveira não pediu, mas ganhou logo no primeiro dia de Paissandu dois candidatos a reforços, enviados pela RC3 Sports, empresa pertencente a Roberto Carlos. Há tempos que a parceria entre o Paissandu e a empresa parecia ter murchado. A chegada dos dois jogadores reabre os entendimentos, mas vai depender do nível técnico de ambos.

Sob desconfiança geral, pela ausência de informações sobre suas carreiras, os dois atletas serão avaliados por Givanildo. O meia Grizolli e o atacante Ronaldinho, caso sejam contratados, podem vir a suprir dois setores carentes no clube. No meio-de-campo, não há até hoje um camisa 10 digno desse número mítico. E o ataque depende de Rafael Oliveira, desde que o grandalhão Kiros perdeu a condição de titular.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 15)

15 comentários em “E sobrou para o paraense

  1. Eu já deixei de torcer por essa seleção de marketing que o Brasil se tornou. Dá muito mais gosto ver Messi, seja na seleção argentina ou no Barça. Ele lembra quando tinhamos craques de verdade.

  2. Caro articulista Gerson discordo do seu posocionamento com relação aos conterrâneos na seleção, o que ocorre é que os nossos craques revelam uma grande timidez e não conseguem se impor, quanto a sua tese de fritura do Geovani, o que ocorreu foi que o mesmo não jogou nada quando foi escalado e esta estoria de ser escalado fora da posição é conversa, fiada (Piaza era meio campista e virou zaqueiro, Rivelino foi para a ponta esquerda só para citar estes dois como exemplos), quanto ao nosso Ganso ja não joga nada a muito tempo e não se espante se daqui a poucos anos o mesmo estiver sendo ofertado como reforço a dupla RE-PA.

  3. Concordo com o amigo Teodoro que o Ganço já não está jogando o que a imprensa paraense diz (ou torce). Infelizmente, ele parece bichado e perdeu a chance de ir para um time internacional. Deve ficar jogando um futebol mediano em clubes brasileiros.

  4. O Ganso ja sofreu duas cirurgias no joelho, ele precisa primeiro se recuperar clinica e fisicamente, pois foi para a olimpiada sem condicoes acho que os fisioterapeutas precipitaram sua Volta nas finais da libertadores, ele nao rendeu mais desde entao. Tanto e que ele estava na selecao sentido dores no joelho.

  5. Também acho que não se justificava a presença do Ganso no grupo, seja para disputar a Olimpíada, seja para disputar o amistoso. Não vinha jogando futebol para tal. Pode ser em decorrência de problemas, clínicos, físicos ou psicológicos, mas o certo que não vinha merecendo estar no grupo.

  6. A volta ao gramado da mais recente cirurgia foi precipitada, como incluí-lo no grupo pelo que vinha jogando. Ganso foi prejudicado pelos interesses na sua carreira e nada planejado da certo. Mano é inocente neste culpa que a ele querem transferir.

  7. Atualmente somente a imprensa paraense acha que o Ganso está com futebol para atuar pela seleção, pois o mesmo não vem jogando absolutamente nada há um bom tempo, apesar de ser meu conterrâneo esse rapaz perdeu o meu respeito ao desdenhar o Santos, clube no qual foi formado, falando a Deus e ao mundo que queria jogar na europa. Ok, até aí tudo bem, qualquer profissional tem o direito de almejar voos mais altos em sua carreira, porém não precisa ficar falando isso a cada jogo do Santos, dando a entender que quer deixar o clube que o revelou para o futebol o mais rápido possível, deixa que as coisas aconteçam naturalmente. Além disso exigiu um absurdo aumento de salário, já que seu futebol hoje em dia não dá nem pra série B.

  8. Quando Ganso mostrou serviço foi bastante elogiado pela imprensa em geral, inclusive todos torciam para que fosse para a Copa. Não sejamos bairristas. Há tempos que Ganso deixou de ser o craque de antes. As cirurgias, parecem, estão cobrando o seu preço. Nas vezes em que entrou nos jogos da Olimpíada, escondia-se, era um mero passador de bola. Não demonstrava vontade de estar ali. Uma verdadeira decepção!

  9. Manisfestei minha opinião sobre a cruel permanência do Dublê de treinador Mano Menezes na Seleção Brasileira neste mesmo blog na coluna: “”Gardiola na Seleção Brasileira???? em cuja opinião citei para quem é a favor de técnico estrangeiro na Canarinho, que a praga do futebol brasileiro não é a falta de bons treinadores e jogadores selecionáveis. Isso temos de sobra. Mas sim a presença de dirigentes, empresários de jogadores e dirigentes salafrários com interesses políticos e fianceiros bem particulares. Esse Andress Sanches, o Presidente da CBF e duble de treinador Mano Menezes são alguns pequenos exemplos bem práticos. Esses caras são todos pegadores de “ponta” de empresários de jogadores, jogadores e dirigentes de clubes. Não tenho nenhuma dúvida disso, porque a presença de vários jogadores mediocres na seleção que eu honestamente não queria no meu time, me faz ter essa certeza. Alem disso, o Mano Menezes ganhou o que para ter sido indicado para treinador da Seleção a 2 anos atrás?? E o que ele fez de inovação nesse período, qual a base forte da seleção que ele montou e qual a esperança que temos de conquistar o hexa com ele no comando??? a minha resposta e a de todos os brasileiros é nada. absolutamente nada. Aliais, se colocarmos lado a lado Mano Menezes, Felipão, Muruci Ramalho e até o Tite veremos que se a contratação de treinador para a seleção fosse avaliada por conquista no futebol, Mano Menezes seria o único destes que não teria a menor condição de treinar a seleção porque Felipão ja foi campeão Mundial pela seleção e ganhou primeira divisão e Copa do Brasil. Murici Ramalho é simplamente o treinador que mais ganhou títulos primeirona e isso não é para qualquer um, alem ter ganho a Libertadores pelo Santos. Até o fraco Tite ja ganhou primeira divisão e Copa dop Brasil. Porem, Mano Menezes so ganhou uma segunda divisão na sorte pelo Gremio e uma Copa do Brasil com ajuda de arbitragem pelo Corinthians e mais nada. Evidente que isso é muito pouco para um treinador merecer ser indicado para treinar a Seleção Brasileira gloriosa e sempre favorita a conquista de Copa do Mundo. Então MANO Menezes está aí na seleção prestigiado mesmo se nesses 02 anos ele não acescentou nada e a seleção entrou em queda livre no ranking, porque tudo é a mafia do interesse politico e financeiro desses dirigentes da CBF e do mafioso Ricardo Teixeira que lhes passou o cargo. E tem também nesse prestigio do Mano um dedo da GLobo a qual foi uma das responsáveis pela sua indicação porque Mano costuma sempre sorrir para as câmeras da Globo. Verdade mesmo, Não vejo bom futuro para a seleção.

  10. Caro Gérson, permita-me discordar da sua opnião, mas PHganso fez por onde isso acontecer, carece de uma injeção de animo e claro futebol pra fazer jus a camisa 10.

  11. O Problema é que esse caras não sabem jogar marcado,jogar no Brasil onde só se joga com a bola no pé e sem a bola ninguém marca ninguém é uma coisa.
    Na Europa é diferente,se joga com a bola e sem a bola,aqui no Brasil ainda existe o jogador de marcação,lá na Europa quando se perde a bola todo mundo marca,será que o Ganso ainda não viu isso…

  12. Nós estamos muito atrasados taticamente,esperando sempre uma joga individual,o individualismo é importante mas não devemos depender só dele.
    O Brasil joga e deixa jogar,isso não existe mais,no Barcelona todo mundo marca até o Messi,já no Brasil…

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