Os bons ventos da mudança

Por Gerson Nogueira

E se, de repente, esse time de Lecheva engrena e faz uma apresentação consagradora? Como ficariam as coisas depois que Givanildo Oliveira assumir? Sim, porque é bem possível que as mudanças anunciadas sejam bem sucedidas. No mínimo, vai ser interessante ver em ação uma equipe formada majoritariamente por jogadores nativos barrados por Roberval Davino. Todos muito a fim de mostrar serviço e provar utilidade.

As entradas de Harisson, Lineker e Héliton devem gerar bons frutos. Todos são habilidosos, têm bom passe e jogam ofensivamente, do jeito que o Paissandu precisa para quebrar o jejum de vitórias. Harisson ainda precisa provar que pode disputar os 90 minutos no mesmo nível, mas os jovens Lineker e Héliton estão em plena forma.

Quando ainda estava no comando, Davino minimizava a importância dos reservas. Costumava dizer, de maneira educada, que alguns jogadores não eram escalados por deficiência técnica. Ao mesmo tempo, tratava de prestigiar seus indicados. Mesmo caindo pelas tabelas, o trio Fabinho-Marcus Vinícius-Kiros dificilmente saía do time.

Nos dois últimos jogos, forçado pelas circunstâncias, barrou Kiros, mas de imediato pediu a contratação de Pantico, sinalizando que não contava com nenhum outro atacante do grupo. Lecheva, que dirigiu o time no segundo turno do Parazão, conhece mais o elenco e aproveita esse jogo como interino para fazer algumas justiças.

Aprecio a inclinação ofensiva do time e a volta ao sistema 4-4-2. Com um meio-de-campo agressivo, o trabalho dos atacantes costuma ser facilitado. Rafael Oliveira, que ensaiou sair e terminou ficando, será o homem de área, auxiliado de perto por Héliton, cuja especialidade é a chegada à linha de fundo.

Do lado visitante, a novidade é Josiel, ex-jogador do Paissandu, que deixou o clube pela porta dos fundos, depois de insultar as mulheres de Belém em declarações postadas nas redes sociais. Por razões óbvias, não deverá ter um minuto de sossego no confronto desta tarde.

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Depois de 24 anos, o Brasil chega novamente à final no torneio olímpico de futebol. Desta vez, com grandes chances de conquistar o ouro. Mais do que uma façanha a ser comemorada, representa uma obrigação do time de Mano Menezes. Por vários motivos. O maior, certamente, é a própria história do escrete. Pentacampeão mundial, o país do futebol não pode mais se esconder atrás do imponderável para justificar os seguidos fracassos nas Olimpíadas.

A outra razão é o alto investimento financeiro. Nenhuma outra modalidade mereceu tanta atenção e verbas do que o futebol. A premiação prometida chega facilmente à casa dos três dígitos para cada jogador. Até mesmo a hospedagem em Londres fica longe da Vila Olímpica, em hotel reservado. Primo rico da delegação, o futebol recebe tratamento diferenciado. Por isso, a cobrança também é diferenciada.

Contra os mexicanos, o Brasil só não pode cair na roubada de considerar que a parada será tranquila. Já faz tempo que o adversário encara os brasileiros de igual para igual, sem demonstrar o mesmo respeito que os emergentes costumam ter pela seleção canarinho.

Deve contribuir ainda mais para o entusiasmo dos mexicanos a recente vitória em amistoso realizado nos Estados Unidos. Na ocasião, o México foi superior e mais organizado. E o Brasil foi representado praticamente pelo mesmo time que Mano Menezes levou a Londres.

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A acachapante vitória da seleção de vôlei masculino sobre a Itália, ontem, deu ao Brasil o direito a fazer sua terceira final olímpica consecutiva. É uma façanha e tanto, digna de reconhecimento. A maneira como a Itália foi dominada não deixa dúvida quanto ao crescimento da equipe de Bernardinho dentro da competição. Amanhã, contra a Rússia, a quem derrotou com facilidade na fase inicial por 3 sets a 0, o Brasil entra carregando um justificado favoritismo.

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Conversa imaginária que podia ter rolado entre Roberval Davino e Givanildo Oliveira sobre o elenco do Paissandu:

Giva: “Davino, meu chapa, me diga como é que tá esse time?”.

Davino: “Rapaz, tá tudo de bom, tu vai pegar uma base boa já montada”.

G: “Legal. Como é que tá de atacante?”.

D: “Olha, tem um baixinho lá que é infernal, o Pikachu. Já ouviu falar? Pois é. Fica de olho nele. Tem outro atacante perigoso, o Potiguar”.

G: “É mesmo? E de volante?”.

D: “Ah, volante tem o Leandrinho, que tá jogando um bolão”.

G: “E de lateral-esquerdo o elenco tá bem servido?”.

D: “Rapaz, pra esquerda tu tem o Régis, que é lateral direito, e o Pablo, que é um zagueirão.. e tem também o Leandrinho, que tá jogando um bolão”.

G: “Bacana, e pra armação?”.

D: “Rapaz, esse é o ponto forte do time. Lá tem o graaannnndee Robinho, que corre o campo todo. Vai pra direita, pra esquerda, pra frente, pra trás. O homem é uma máquina. E tem também o Leandrinho, que tá jogando um bolão”.

G: “E na zaga?”.

D: “Nesse setor tá tudo beleza, tem o Tiago, o Marcus Vinícius e o Sanches. Ah, tem também o Leandrinho, que tá jogando um bolão”.

G: “De goleiro tá bom?”.

D: “Rapaz, esse é o maior problema do time, pois só estamos com o Dalton. Mas se ele se machucar tem o Leandrinho, que tá jogando um bolão…”.

G: “Que beleza, então a gente vai arrebentar”.

(Colaboração postada por Carlos Junior no Blog do Gerson Nogueira)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 11)

12 comentários em “Os bons ventos da mudança

  1. – Hehehe.. Essa do amigo Carlos Jr, foi muito engraçada, mesmo…

    – Penso que, por pegar o Lanterna da competição e jogar em casa, o Paysandu tem que golear. Menos de 3 x 0, não se admite..(falavam assim, na época do Davino e olha que foi contra o Treze, fora e ainda mordido pelas declarações do Vanderson..)

    – Futebol e Vôlei, do Brasil, em disputa pelo Ouro, era tudo que o Brasileiro queria. Booooooooora, Braaaaaaaaaaaasiiiiiiiiiiiiiiiiiil…

    – Sinceramente, mas é melhor deixar o Giva assumir, para que o Paysandu volte a ser levado a sério.

    – Segundo um Jornalista, Robinho pediu pra ir embora, insatisfeito talvez, com tanta falta de organização. Robinho é um jogador muito promissor, a meu ver.

  2. Como pode uma pessoa talvez por picuinhas prejudicar um time de futebol, o seu próprio trabalho e esse ou aquele atleta.

    O Harison e o Lineker, mais o Hélinton, não são a última bolacha do pacote, daí o tecnico barra-los de vez, é pura sacanagem.

    Infelizmente isso acontece, é real.

  3. Sabe o que é Édson? É que nenhum desses citados por você é oriundo da Catanduvense, do interior de São Paulo ou do interior do Nordeste.

  4. É Gilson, tem mal que vem pra bem. O tal Mano vai pular fora do barco, aliás, vai ser atirado fora via trampolim. E o Neymar? Por enquanto, um jogador absolutamente normal na Seleção.

  5. Achas que sequei o time camarada? Se pensas assim, estás redondamente enganado e previamente precipitado, Não confunda críticas com torcer contra, aliás, o grande mal que acomete 11 em cada 10 torcedores de futebol no Brasil. Sintomas do pachequismo.

  6. Absolutamente caro Daniel, o recado não foi pra vc e sim pro Gilson, que veio com essa de restabelecida justiça no futebol, justiça de quê? O jogo nem bem acaba e o camarada com um pao desses, é imaginar que o cara tava secando o próprio país.

    Mas como cada um tem sua opinião, então tá, o Mexico é o futuro do futebol mundial, justiça está feita!

  7. Eu concordo com o Gilson! Esse negocio de seleção não passa de uma enorme “panelinha”!
    Gostou do meu país, mas não gosto de seleção brasileira que eh apenas uma entidade privada pra ganhar dinheiro! Nada mais!
    Desde que Belém ficou fora da copa, percebi que esse negocio eh uma grande palhacada!
    Por isso que só torço pro Paysadu!

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