A derrota dos medíocres… e a vitória também

Por Daniel Malcher (malcher78@yahoo.com.br)

Há mais de vinte dias o Brasil inteiro esperava com ansiedade pelo confronto entre os dois melhores times do país pela Copa Libertadores, afinal, Santos e Corinthians são os atuais campeões sulamericano e brasileiro, respectivamente. O confronto colocaria frente a frente o talento de Neymar, Paulo Hnrique Ganso e companhia contra o jogo coletivo de Emerson, Alex e Paulinho. Na mesma noite, mas pela Copa do Brasil, o Grêmio, do ainda badalado Luxemburgo e do “Gladiador” Kléber enfrentaria o Palmeiras do treinador do penta Felipão, numa reedição em clima revival dos grandes confrontos entre as duas equipes e seus treinadores em meados dos anos 90.
Encerradas as partidas, resultados normais, com as vitórias de mosqueteiros e alvi-verdes. Tratava-se de clássicos.
Mas, e o bom futebol? Apareceu? Esse passou longe da Vila Belmiro em Santos e do Olímpico em Porto Alegre. Assim como se constatou a normalidade dos resultados mediante o caráter das contendas (clássicos nacionais), constatou-se após o apito final que também se trataram de autênticas peladas, no pior sentido do termo.
O Santos, devido alguns lampejos, cantado em verso e prosa como legítimo representante do futebol genuínamente brasileiro – por ora perdido em algum lugar na segunda metade dos anos 2000 –, e por isso considerado o melhor time do país, desafinou. Neymar, a cada grande confronto em que atua, passa a impressão de ser fenomenal apenas contra o Botafogo de Ribeirão Preto, o XV de Piracicaba ou o Paraguaçuense. Aceita marcações que o “encaixam” facilmente, se irrita e se joga fazendo caras e bocas crente no trilar dos apitos a cada mergulho. Paulo Henrique Ganso, a descontar a recente contusão e a cirurgia em um dos joelhos, há tempos é dispersivo, lento… e começou a se acomodar com improdutivos toques para o lado. Elano dispensa maiores comentários. Involuiu quando saiu da Inglaterra, foi para a Turquia e desembarcou por aqui. Não lembra nem de longe o jogador que saiu incólume da fraca campanha brasileira no Mundial de 2010. E time que se pretende os melhor do país jamais deve ter um perna-de-pau como Alan Kardec no comando de ataque.
E o campeão brasileiro, o Corinthians, cujo melhor jogador (Paulinho), pra variar é um volante que para os nossos padrões é excelente, mas que para o “estrangeiro” é só mais um? Já tem quem compare os alvi-negros de São Paulo aos ingleses do Chelsea no ofício da retranca. Mas há quem vê nisso uma ofensa – inclusive seu treinador, Tite –, pois o time de Parque São Jorge, segundo os críticos e torcedores apaixonados, diferentemente dos londrinos “ataca os adversários”, “ministra aulas” de jogo coletivo, portanto não pratica, como os azuis do bairro londrino de Chelsea, o “anti-futebol”. Não é bem por aí, e soa até como acinte e demérito ao time inglês. O Corinthians não tem um centroavante de respeito (Drogba), um meio-campo de bons jogadores (Ramires, Lampard e Mata) e nem um goleiro acima da média (Petr Chec). Ademais, os londrinos jogavam defensivamente por reconhecimento à sua inferioridade para com adversáros mais gabaritados. Quando precisou jogar mais à frente e golear, jogou e goleou (como na vitória sobre o Nápoli pela Liga dos Campeões). Os paulistas, por sua vez, jogam atrás por convicção, é a essência do time. Foram campeões brasileiros jogando assim, contra times fortes ou timecos. Ganhou ontem jogando atrás e pode conquistar sua primeira Copa Libertadores mais atrás do que nunca.
Quanto a Grêmio x Palmeiras, nada muito a acrescentar. Dos 45 minutos do jogo que pude visualizar, só vi chutões, correria desordenada, chuveirinhos e muito suor. Muito pouco ou quase nada para equipes que têm em seu comando técnico os caríssimos Luxembrugo e Felipão. Tricolores e côxa-brancas repetirão o receituário do futebol brasileiro atual na noite de hoje? É razoável não duvidar.
Enfim, como conclusão dessas mal traçadas linhas, não lembro – mas não lembro mesmo! –, de ter visto o futebol brasileiro tão mal jogado. E ontem à noite, a derrota não foi exclusividade dos medíocres, pois a vitória também os contemplou. Resta-nos, em tempos de Eurocopa, limpar um pouco a vista com as boas exibições dos selecionados do hemisfério norte, sobretudo da Espanha, da Alemanha e até mesmo da cambaleante Holanda que, ferida de morte ou não, respeita suas tradições de ofensividade e refinamento.

27 comentários em “A derrota dos medíocres… e a vitória também

  1. Belo texto.

    Ainda acredito que no final a arte do futebol vai vencer as butinadas.

    O futebol precisa disso, pois essa escola do chelsea se proliferar estamos perdidos.

    1. Amigo Carlos, você está certo. Se a famigerada escola Chelsea frutificar, logo vai ter gente defendendo o mesmo sistema na Seleção. Pode esperar.

  2. Se a maneira do Corinthians jogar estar dando resultados por que mudar? Que sirva de módulo a outros clubes brasileiros que começaram bem a série A e B na liderança e já estão ladeira abaixo.

  3. E tem mais, depois da libertadores o timão voltará a assumir seu carisma na séria A e reverter o atual quadro. Que aproveitem a sua “ausência” por conta da prioridade que é a libertadores.

  4. Concordo. Há muito já se constata que esta é a pior geração do futebol nacional nos últimos setenta anos. Os jogos do campeonato brasileiro tornaram-se inassistíveis. Acompanhando uma partida da série A, tem-se a impressão de estar diante de um campeonato de segunda divisão, tão baixo é o nível das equipes. A cada jogo, vemos como Neymar é um craque fabricado pela mídia. Agora que os adversários descobriram como marcá-lo, nem enfrentando adversários brasileiros ele consegue mais se destacar. Virou mais um jogador. Faz muito bem em se recusar a ir para a Europa, onde não teria qualquer chance. Acredito que o campeão da Libertadores sai da outra semi-final, do confronto entre Boca e Universidad.

  5. Concordo com o texto, mas para quem assiste futebol quase que 24 horas como a maioria aqui, era isso o esperado dos jogos semifinais CB e TL..ou nao ??? a EURO 14 taí como exemplo…até a Espanha ainda nao jogou FUTEBOL de campeã do mundo…

  6. Carlos Lima,

    Nosso principal campeonato está às moscas. Nem precisamos falar das Séries C e D, pois é de conhecimento público o desleixo ao qual foram relegadas as competições.
    Na Série A, a indigência técnica começou a se refletir nas arquibancadas, com jogos onde o público não alcança nem 5000 torcedores presentes. O nível técnico da competição piora a cada ano, o que faz com que o campeão não necessite de tantos predicados para vencer o certame. Definitivamente, perdemos o passo.

  7. Edmundo,

    Sabemos que jogos decisivos são geralmente truncados… o problema é que há pelo menos uns sete anos os jogos no Brasil são, em sua maioria, jogos truncados, mal jogados. A coisa piora e fica mais evidente em situações como a de ontem (semifinais da Copa do Brasil e Copa Libertadores).

  8. Por falar em série C, Daniel, fracassou agora há pouco a reunião da CBF com os clubes. CBF agora usa a tática manjada de ameaçar os clubes com suspensão junto à FIFA. Treze e Brasil-RS são machos e vão até o fim pelos seus direitos.

  9. Daniel Malcher,

    Creio não ser apenas no Brasil…somente o Barcelona jogava um futebol tecnicamente gostoso de se ver…eu digo jogava, por que com a saída do Guardiola, não tenho a certeza de que eles continuarao a jogar tao bem …e sobre CB e TL, nessas competicoes é o jogo é truncado mesmo…em 94 muitos foram pra ”doca” comemorar um titulo mundial com um 0 x 0 ….
    Entao, não sao sete anos de pobreza tecnica, rs rs rs …é bem mais…

  10. Rsrsrsrs… é Edmundo, procede quanto ao tempo de pobreza, mas tínhamos atacantes excepcionais como Romário, Bebeto, um excelente lateral direito (Jorginho) e outros muito bom valores. E o campeonato nacional era de excelente nível, chegando ao ponto de ser eleito o melhor do mundo pela FIFA juntamente com campeonato italiano. E hoje, o que temos?
    Quanto ao Barcelona, o futebol praticado por sua equipe é refinadíssimo, acima da média de todos os outros times do planeta mesmo. Abaixo dele, despontam excelentes equipes que jogam um futebol muito bom, como manda o figurino (deslocamento, passes, fundamentos bem executados e etc.). Mas nenhuma destas esquipes é brasileira, infelizmente.

  11. Bem que poderia se chamar esse texto citado ai de “ COMENTARIO MEDIOCRE“ isso pra mim nao passa de uma senhora dor de cotovelo de um camarada que secou o corinthians e foi dormir frustado. O timao deu um baile de como se joga futebol como “TIME“ e os caras metem o pau vai entender. Se somente bom futebol ganhase alguma coisa a selecao de zico, junior, socrates e cia…. tinha feito historia, ou o Corinthians de Marcelinho, rincon luizao, ricardinho edilson, e vampeta tinha sido campeao da libertadores fazia tempo pois aquele time jogava bola.

  12. É verdade Luiz, no primeiro tempo o Corinthians deum um baile, já no segundo tempo como dizem os escribas: jogou com o regulamento debaixo do braço, rsrsrs agora isso virou anti-futebol! Te contar!

  13. Deu gosto ver o Corinthians jogar no primeiro tempo, sempre no campo do Santos e com belos toques de primeira e retomadas imediatas de bolas perdidas.Mai uma vez ficou provado que Neymar não joga quando marcado por marcadores tipo Ralf, que não aparecem muito para a torcida e para a mídia, mas são de extrema importancia para o equilibrio da equipe, sem de incomodarem de partir para o sacrificio.Está surgindo, também, mais um grande goleiro no futebol brasileiro, não apenas no tamanho, mas na agilidade e senso de colocação.Por fim, o Tite deu um nó tático no “professor” Muricy.Vamos aguardar a festa do bando de loucos na casa corinthiana do Pacaembú.

  14. Luiz Papão e Paulo Arthur,

    Deixem de corinthianismos baratos. O texto, como diz o título, analisa tanto o “super” desempenho corintiano como o pífio desempenho santista, além do jogo Grêmio x Palmeiras e o futebol brasileiro no seu atual momento. Os times brasileiros estão tão ruins que não me dou o luxo e nem gasto energia secando este ou aquele time, estou mais para um mero expectador e isso quando os prélios se mostram minimamente interessantes. Não me entusiasmo nem mesmo com o Flamengo, e só torço ou me aborreço um pouco com o Paysandu. Leiam melhor e apresentem argumentos consistentes para desancar com dignidade o texto, pois parece que leem estando ainda sob a adrenalina das arquibancadas. Mas se acham, mesmo assim, que é “choro” de perdedor, paciência. No entanto, tentem compreender textos, faz bem pro intelecto e enriquece o vocabulário.

  15. Vale lembrar amigos, que hoje a seleção espanhola jogou o fino da bola contra a modesta seleção irlandesa e meteu 4 a 0, com destaque para o artilheiro Fernando Torres, com duas lonas de bela feitura.
    Penso que um dos maiores incentivadores do Guardiola, chama-se Vicente Del Bosque, o treinador da seleção espanhola, foi um grande jogador do RealMadrid, é nos clubes que treinou, sempre primou pelo bom futebol, dando mais enfase ao toque de bola, assim como jogava o time do Barcelona e como joga a seleção da Espanha. Então o bom espetáculo, não está totalmente acabado, ainda tem gente que gosta de promover um bom espetáculo, pena que o futebol brasileiro está mais europeu, é o europeu está mais brasileiro.

  16. Meu caro Daniel Malcher nao li nem hum texto seu analisando o “super desempenho corinthiano“ o que li foi vc debochando do Paulinho, e dizendo que o corinthians nao tem centroavante. Vc fez uma verdadeira farofa de informacoes com uma alta clareza de diminuir essa importante vitoria do corinthians em cima de um grande time o Santos. Textos mal elaborados como esse nao faz bem para o intelecto e nem enriquece o vocabulario, sinto muito.

  17. Pra começo de conversa camarada, desancaste o texto chamando-o de medíocre sem argumentos consistentes e dizendo tratar-se de mágoa de “secador”.Continua sem entender caro Luiz Papão (que está mais pra Timão). Repito, leia direito e procure entender o que está escrito. E mais uma vez: não perco tempo torcendo contra equipes de péssimo futebol, seja o Corinthians, o Santos, o Flamengo ou o Boca Juniors. Desarme-se da condição de torcedor, leia e interprete o que está bem claro e a olhos vistos antes de proferir impropérios e desqualificar argumentos contrários ao que pensas com afirmações caolhas e ofensivas. Discorde à vontade, mas embasado em considerações razoáveis. E outra: respeito é bom, e eu gosto.

  18. Parabéns pelo texto Malcher.

    Quando o time é bom e tem craques que desequilibram pode meter até 11 dentro do gol que não tem jeito.
    Quarta feira esse futebol “coletivo” cantado em verso e prosa pela Globo vai p/ as pitangas.

    Só acho que que é um crime compararem o Chelsea com o Corinthians.
    O Chelsea tem grandes craques, Lampard, Drogbar, P.Cech etc, e o Corinthians tem quem? O Paulinho?

    E outra coisa, apesar de não gostar do Barcelona e do Messi, não tenho duvidas que se fosse duas partidas eles seriam campeões da CL.

  19. Aqui da famosa Tv.Monte Alegre,caro Daniel, defendo o seu texto,não há nada de mediocridade.Também não vejo nada de errado em o Timão jogar dessa forma.Cada um joga com as armas que tem,agora dizer que é futebol de encher os olhos,isso não é.As duas partidas televisionadas tanto na Band quanto na Globo deram até sono em alguns momentos.Mudando de assunto,o que é que dá nessa globo que tem os direitos de transmissão da Euro mas não passa os jogos?Ainda bem que a band está salvando apreciadores do bom futebol como eu que por enquanto não possuem Tv a cabo,mas isso daí espero resolver logo,logo.

  20. Meu caro historiador Rafael, como andas? Também acho que é uma estratégia válida, além do reconhecimento de suas limitações, quando um time joga atrás contra equipes mais qualificadas. É até certo ponto uma postura humilde. O que não concordo é com a visão caolha de certos setores da imprensa que enxergam nisso uma genialidade. A imprensa esportiva de São Paulo, a mesma que desqualificava o Dunga por suas predileções táticas é a mesma que enaltece o feito de certas equipes e treinadores não mais do que razoáveis (o Corinthians e o Tite de agora, o Muricy e o São Paulo do triênio 2006/2007/2008 e etc.). Além disso, jogar defensivamente é uma estratégia, não “a estratégia”. Critico não apenas essa estratégia unânime, mas a pobreza técnico-tática de nossas equipes e os danos irreparáveis ao futebol jogado no Brasil que esta péssima concepção do jogo (“retranca”, “bate-estaca”, “chuveirinho” ou “futebol de resultados” como queiram) tem causado E pelo andar da procissão, a fatura chegará em 2014, quando talvez disputemos uma Copa do Mundo com um dos times mais fracos da história. Mas quanto a isso (a participação brasileira na Copa 2014) espero estar redondamente enganado.

  21. Nao sabia que expor opinioes e desrespeitar os outros, va morar em Cuba eseja amigo de Fidel, ai vc nunca sera refutado.

  22. “Bem que poderia se chamar esse texto citado ai de ‘COMENTARIO MEDIOCRE’ isso pra mim nao passa de uma senhora dor de cotovelo de um camarada que secou o corinthians e foi dormir frustado”. Se isso é expor opiniões melhor ficar caldado… Luiz Timão, quando escrever não escreva sob as trombetas das arquibancadas. Gosto do bom debate, e não encaro opiniões contrárias desqualificando-as por supostas preferências partidárias ou clubísticas. Mas se assim tu encara o contraditório, está no lugar errado.

  23. Amigos! o Corinthians do Tite deu um nó no Santos, isso foi claro, quando estava 0x0 chegou várias vezes ao ataque buscando o gol, conseguiu, diga de passagem que GOLAÇO hem Gerson? e o Tite percebeu que o santos não estava num grande dia, amigos, se já é difícil um time jogando bem fazer gol no TIMÃO, imagina um que tá jogando mal, correram riscos, mas teve que respeitar o time de estrelas do santos, não podia ir p/ frente p/ tentar liquidar o confronto, sob risco de tomar dois rapidinho, Gerson, é o Santos de Murici, Ganso, Elano, Neymar e Rafael, não é qualquer time, tem que respeitar. Caso o Santos vier a jogar bem o Timão não pode e não vai ficar atrás, se não leva gol, p/ mim foram circunstâncias do jogo.

  24. Cometi um crime em não citar o Ramirez, o injustiçado na versão Mano menezes.

Deixe uma resposta