Futebol bronco e campeão

Por Gerson Nogueira

Dos grandes times europeus, o Chelsea é dono do futebol mais tosco – se é que aquilo que jogam na Inglaterra é mesmo futebol. Pois o time do bilionário russo Abramovich agora é campeão europeu. E aí, como ficam os detratores do azulino de Londres? Bem, lamento pela Europa, mas o Chelsea é tudo isso que falam dele. Joga (muito) feio, dando chutão o tempo todo, parando jogadas com falta e correndo dos dribles como o diabo corre da cruz.
Não é por ser um brazuca, ou talvez por isso mesmo, mas quando Ramires está em campo a bola fica um pouquinho mais redonda. Sabe passar, domina a pelota com intimidade e até arrisca uns dribles – imagino que lá nos vestiários de Stamford Bridge, exista uma placa em letras vermelhas ameaçando de açoite qualquer engraçadinho que se meta a driblar.
Sempre que vejo equipes inglesas jogando faço uma viagem mental ao passado, quando Garrincha apelidava seus marcadores de “joões”. Tinha a cintura dura, dizia-se. Os vídeos da época confirmam: os europeus eram incapazes de uma ginga ou um passe de trivela. Quando perceberam essa impossibilidade física, passaram a importar os especialistas.
Como Ramires estava suspenso, o Chelsea foi apenas o Chelsea e disputou uma partida absolutamente heróica para os seus padrões dentro dos domínios do Bayern, outro colosso europeu, que também é chegado a maltratar a bola com ritos sádicos.
Ocorre que, em comparação com os ingleses, o estilo do Bayern é até elegante. Afinal, existem alguns craques vestindo a camisa vermelha. Robben, Lahm, Müller, Ribery. São figuras que amenizam o jeito bate-estaca tão ao gosto dos germânicos.
Engraçado é que quando o futebol é rudimentar a gente se distrai e passa a prestar atenção em outras coisas. Ao invés de ficar atento ao andamento da peleja, comecei a admirar o espetáculo das torcidas e a maravilha arquitetônica que é o estádio Allianz Arena, uma fabulosa construção que encanta qualquer visitante.
Tive o privilégio de conhecer o estádio, ao lado da equipe da Rádio Clube/DIÁRIO em 2006, por ocasião da Copa do Mundo. Posso dizer que as imagens, se servem para matar a saudade, nem de longe mostram o que é de fato aquela arena.
Em meio às reminiscências, pude escapar um pouco da sessão de tortura a que a bola era submetida na final da Liga dos Campeões. No tempo normal, foram quase 90 minutos de trombadas, choques e chutes a esmo.
Não anotei uma finta sequer. Nem Robben, o arisco ponteiro holandês, teve a pachorra de fazer uma firula. Era pegar a bola e tocar para o lado. Do lado inglês, Lampard, o mais lúcido, jogava de volante à moda antiga, espanando todas na meia-cancha.
O gol de Müller surgiu em jogada aérea, assim como o empate, cinco minutos depois, de Drogba. Iguais em tudo, os dois caríssimos esquadrões começaram a prorrogação e, logo de cara, veio o penal favorável ao Bayern. Robben bateu mal e o gigante Cech pegou. Bem, pior para o jogo, pois a partir daí o holandês nem tocou mais na bola. Traumatizado, fugiu até das cobranças de penalidade.   
Merecida festa inglesa na final mais européia dos últimos anos. Nunca o Velho Continente foi tão bem representado numa decisão. Foi uma espécie de tributo a essa Europa dos primórdios (pré-Barcelona), que praticava futebol como rúgbi. 
 
 
O técnico Flávio Lopes deve reiniciar hoje os treinamentos do Remo para a Série D. Não terá mais um atacante que substitua Fábio Oliveira ou que possa se revezar com Reis na ligação com o ataque. Marciano, que fazia esses papéis, foi descartado. Não chega a espantar a dispensa, pois o atacante teve pouquíssima participação no Parazão, derrubado por uma contusão.
O que chamou atenção de todos foi a opção do técnico por Cassiano depois da contratação de Marcelo Maciel, que tem estilo semelhante e certamente será o titular do ataque ao lado de Oliveira. Técnicos costumam ter uma visão bem particular das coisas, às vezes desafiando a realidade, mas a preferência por um jogador menos talhado para as funções de área não combina com a situação atual do elenco remista.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 21)

25 comentários em “Futebol bronco e campeão

  1. Bom dia a todos.Amigos Gerson e Cláudio Columbia,sabem dizer se houve alguma desistência de algum clube do Norte para a Série D?Ocorrendo isso,quem entraria na competição?O Cametá que desistiu de desistir,ou o S.Francisco que , salvo engano,fez a melhor campanha depois de Remo e Cametá?

    1. Rafael, todos os Estados apresentaram seus representantes, portanto não houve e nem haverá mais desistência. Se houver, pelo posicionamento expressado pela FPF na última sexta-feira em ofício à CBF, quem assume a segunda vaga é o São Francisco ante a desistência oficial do Cametá. No critério técnico, a equipe santarena vem logo depois de Cametá e Remo.

  2. Discordo da afirmação que o Cassiano é menos preparado para o ataque do que Marcelo Marciel. Este, é um bom velocista, mas peca muito na conclusão das jogadas. Precisa muito treinar finalizações. O Cassiano não é muito diferente, mas tem a confiança do treinador. O Marcelo pode até provar o contrário com o tempo, mas tem que treinar fundamentos. Este, é um dos problemas do time.

  3. Rafael, acho que seria o terceiro colocado geral,acho que é o São Francisco. O Cametá desistiu de disputar e não deve ser chamado novamdente, mas como a vaga é determinada pela FPF, não acho impossível não.

    Mas daí viria a prova que o Peixoto tinha razão, o Cametá iria se quebrar todo nesta disputa.

  4. Pelo que sei, amigo Rafael, ninguém desistiu e, certamente não desistirá. Caso isso aconteça, acedito que seja do Cametá a vaga, mas como ele só queria a vaga para deixar o Remo de fora, acredito que, se aparecer agora, ele desistirá, de novo e, o São Francisco seria o contemplado.
    – Gerson e amigos, a saída do Marciano, foi avalizada pelo técnico Flávio Lopes, que já deve ter contratado outro de melhor qualidade e de sua confiança, certamente.

    “Se chegar jogador contundido aqui que eu indicar, eu pago todas
    as despesas. Não sou empresário”

    De Roberval Davino, sobre o jogador Sidraílson: Um bom técnico ,é tudo.

  5. Vamos deixar o Divino trabalhar, eu particularmente estou ansioso para este jogo de Domingo próximo.

  6. Desde a elmininação do Barça comentei aqui a estranheza de nossa torcida brazuca. Comemorou-se, com direrito a rojões, a saída do Barcelona, como se o Brasil tivesse ganho a Copa do Mundo. Somente a inveja à Méssi, alimentada pela mídia anti-portenha, explicaria tal atitude. A partir desse episódio, algo mais preocupante. Não é que os brasileiros passaram a idolatrar o Chelsea? Tentei ver o jogo e não agtuentei. Em termos de emoção e técnica, o clássico Bota e São Paulo foi bem melhor. O pior: consumada a conquista por penais, foguetes e rojões estouram pelas ruas de Belém. Quase houve carnaval na Doca. Fosse terça-feiraq, pensaria tratar-se das comemorações da torcida azulina ao acesso da famigerada Série D. Não, bem pior. Sinal dos tempos…

    1. Até entendo o culto ao Barcelona, pelo futebol que faz lembrar a melhor época do nosso, mas adorar o Chelsea é algo sem sentido. O futebol é de baixíssima qualidade, não há qualquer identificação conosco.

  7. Pois é Cassio, chega a ser preocupante ver o chelsea ser campeão jogando esse futebol retranqueiro, mesmo tendo jogadores de muita qualidade.
    Pelo visto os ferrolhos vão continuar em alta no futebol.

    Agora amigo Cláudio, gostaria que vc, que é o nosso grande comentarista e conhecedor de futebol, fizesse uma análise suscinta sobre o que vc acha dessa preparação do papão pra série C e em quanto tempo vc acha que o davino vai arrumar o papão?

    grande abraço

  8. Penso que o fato do Marciano não ter ficado é puramente financeiro… Salário alto, pouca produção

  9. Os brasileiros na Libertadores devem ter se animado com o título do Chelsea.Dos 4 semifinalistas da Champions,era a equipe tecnicamente mais fraca.Santos e Fluminense tem condições de bater a equipe de Abramovich no Japão no final do ano.E agora se era o mais fraco,porque ganhou?Engraçado que é esse o motivo do futebol ser tão apaixonante:nem sempre o mais qualificado tecnicamente vence.Caso a lógica de que o mehor sempre vence fosse severamente cumprida,o futebol não teria tantos apaixonados mundo afora..

  10. Quem assistiu o jogo e lembra, o Santos foi campeão da última Libertadores jogando na partida finalíssima um futebol bem mais feio do que este que jogou o Chelsea no sábado passado. O certo é que a torcida dos azuis deve estar pouco se lixando para quem não gostou muito do jogo como eu, no que faz ela muito bem.

  11. Seja como for, Chelsea foi campeão e isso é o que importa de fato. Conseguiu suportar uma pressão que nenhum outro time no mundo, sequer Barcelona, Real Madrid e Bayern Münich dariam conta disso. Jogou defensivamente, e daí? Mais vale um time retranqueiro que cumpre bem o seu papel, do que um ofensivo que é incompetente. Chelsea campeão e fim de papo.

  12. Amigo Carlos, agradeço pelas palavras. Penso que, todo bom técnico, se você der a ele, pelo menos 3 meses para montar o elenco, com condições de trabalho, a tendência é que você conquiste todos os seus objetivos. O grande problema é que, aqui se dá um tempo enorme a técnicos locais e, pouco tempo para um bom técnico, ou seja a coisa é feita ao contrário. Com 20 dias de trabalho e, ainda contratando, o Paysandu vai ser montado no campeonato e, esse tempo de engrenagem, depende do rendimento dos jogadores. Dizem que o Paysandu já tinha uma base, só que essa base, não era treinada pelo técnico atual, diferente do Remo.
    Uma coisa é certa e falo, sem medo de errar: Essa é a primeira vez que, juntos, Paysandu e Remo iniciam um brasileiro, com bons técnicos em seus comandos (pelo menos nos 8 últimos anos, ou mais) e, que poderão levar esses clubes ao acesso, esse ano. o Paysandu está sim no caminho certo, apesar de ainda ter muitos dirigentes inexperientes comandando o clube, mas tem um bom técnico que, com sua experiência e com o calor da massa bicolor, levarão o Papão à série B. Anote.
    É a minha opinião.

  13. Cláudio, achas que o melhor ataque do Papão seria com Rafael Oliveira e Kiros, ao invés de um destes mais Magrão ? RO tá machucado, infelizmente. Para mim, ele seria titular. Já a outra
    vaga, ainda não sei dizer o que seria melhor.

  14. Engraçado, mais eu não acho que o time do Remo foi bem mais treinado que o Paysandu! No meu entendimento, o faltou ao Paysandu foi experiência, algo que sobrava no time do Remo, o time bicolor só tinha o Wanderson, Ronaldo e Zé Augusto, além destes o mais rodado era o Adriano Magrão. Já no Remo, tinham inumeros jogadores experientes, Diego Barros, Adriano, Aldivan, Fábio Oliveira, Marciano, Magnum, Edu Xiquita enfim, quase um time inteiro, e nessas horas a experiência conta muito, lembrem do ano passado, quando o time bicolor estava recheado de veteranos, liderados pelo Sandro Goiano, o Paysandu chegou na final e o Remo? Ficou no meio do caminho, assim como o próprio Cametá, já o Independente, chegou a final e foi campeão, por ter em seu elenco, qualidade e experiência.
    Já o Cametá de 2012, aliou experiencia, qualidade individual e muita sorte, algo que nem sempre acompanha os nossos times em determinadas competições.

    Cláudio Santos, eu discordo de você meu caro! O Paysandu já começou em outros anos com bons treinadores a terceirona, teve a época do Barbieri e a época do Edson Gaúcho, portanto sua tese está errada de que o Paysandu a uns (oito anos ou mais) não tinha um bom treinador no início de uma competição nacional.

  15. Meu caro Gerson eu também concordo que o Chelsea ganhou meio que na marra, maaaaaaaaaaaaaaaaaa ganhou.
    Firulas, jogadas de efeito não fizeram, mas foram eficientes ganhando o titulo.

    O zagueiro deles é horrivel, famoso pé de pato, e ainda é da seleção, só que lá foi zagueiro zagueiro.

    Eles queriam o titulo, sabiam que pra ganhar teriam que ser inteligentes e foram.

    Eles não podiam fazer Gerson o que fez aquele bronco do zagueiro do São paulo que foi fazer firula na frente da area, aí vc viu, gol do nosso Botafogo.

  16. Há um porém Gerson,

    O Chelsea, de fato, joga um futebol à la inglesa reforçado pelo catenaccio do seu treinador italiano. Contudo, mediante a globalização reinante no futebol europeu, e sobretudo no futebol inglês, é até difícil dizer que por lá se joga um futebol como se jogava há 40, 30 ou 20 anos. Costumo, na medida do possível, acompanhar os jogo da primeira divisão inglesa e cravo sem medo de errar que é o melhor campeonato nacional do mundo hoje. Há ainda a velha força e manjada jogada aérea britânica, mas muitos dos jogos são de um nível técnico muito bom e muitas equipes, influenciadas por jogadores e treinadores estrangeiros que infestam os times, jogam um futebol ofensivo e até vistoso (os times ingleses, por exemplo, reabilitaram os pontas, tão brasileiros na essência mas por aqui há muito esquecidos). Assim, o futebol inglês hoje é até distinto do futebol praticado pela seleção inglesa. Sobre os dribles e fintas, há muito são recursos limitados apenas aos fora de série, mesmo no Brasil. A rigor, apenas Neymar e Ganso mostram tal repertório no Brasil hoje, e isso com muita condescedência de times retranqueiros mas com defesas debilitadas. Quando enfrentou uma resistência um pouco mais empenhada de um time argentino apenas mediano e longe daqueles esquadrões de outrora (Vélez Sarsfield), a dupla sumiu, foi engolida. Não à toa, o Corinthians é o mais medíocre dos últimos 20 campeões brasileiros.

  17. Malcher também não podemos esquecer que lá sai cada golaço, e que o mais belo de todos no ano passado, foi aquele de bicicleta do Rooney.

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