Por Gerson Nogueira
Várias teorias são esgrimidas, desde o apito final no Mangueirão, para tentar explicar o inexplicável: como perder um campeonato (e a temporada inteira) em cinco minutos? O Remo, já acostumado a outras proezas do gênero, conseguiu a façanha. Deixou escapar a vitória entre 40 e 45 minutos do segundo tempo, quando a torcida já incendiava as arquibancadas festejando um título ausente do Evandro Almeida há quatro temporadas.
Dos esportes coletivos, o futebol é o mais surpreendente e imprevisível. Por isso, é tão amado e praticado em todo o mundo. Todos que acompanham o nobre esporte bretão conhecem numerosas histórias sobre fatos inusitados dentro e fora das quatro linhas. Gols espíritas, viradas heróicas, defesas impossíveis.
O torcedor remista, sustentáculo do time desde o malfadado primeiro turno, tinha todas as razões possíveis para extravasar sua alegria depois do segundo gol. Quando o fim da partida se aproximava, a vibração naturalmente aumentou, sacudindo as estruturas do estádio. Aí, de repente, veio o golpe desferido pelo gol de Garrinchinha em cruzamento de Marcelo Maciel. Dois ex-azulinos.
Nelson Rodrigues celebrizou o Sobrenatural de Almeida como personagem ativo dos grandes triunfos do Fluminense. Diante dos últimos acontecimentos, está na hora de os azulinos elegerem uma entidade para socorrê-los nos momentos mais aflitivos.
Enquanto, porém, a situação for analisada do ponto de vista meramente técnico, cabe registrar os muitos erros que encaminharam o Remo ao desfecho trágico. O maior, obviamente, foi o tempo desperdiçado com Sinomar Naves ao longo de quase oito meses até a fraca campanha no primeiro turno.
Flávio Lopes, bom técnico, chegou em cima da hora e não teve tempo para indicar jogadores e foi obrigado a trabalhar com as peças disponíveis. E aí entrou o segundo grande pecado da diretoria azulina: a escolha desastrada de seis reforços para completar o limite de inscritos no returno. Desses, somente o lateral-direito Cássio chegou a ser utilizado, com os resultados conhecidos.
O terceiro erro tem a ver com Flávio Lopes, que não conseguiu dar ao time a solidez necessária para estrear com êxito na decisão do campeonato. A maneira frouxa como o Remo se comportou no primeiro confronto foi determinante para o insucesso final. Deu ainda o tremendo azar de perder seu jogador mais importante, Jhonnatan, nas duas partidas. Para complicar, não teve Magnum e Reis no último confronto.
Outros problemas, como a barração de Tiago Cametá e a insistência em lançar Cassiano sem as condições ideais, têm motivações internas que só o treinador conhece. Mas o pecado final, da omissão dos jogadores mais experientes quando o Remo vencia por 2 a 0 e precisava acalmar o jogo, é de inteira responsabilidade dos que estavam em campo.
Adriano, Diego Barros, Edinho, Aldivan, Fábio Oliveira e Joãozinho, todos atletas experientes, deviam ter a serenidade e a malandragem de fazer o tempo escoar tocando a bola e esperando pelo Cametá.
Quem se der ao trabalho de rever as imagens do jogo vai notar que o Remo parecia desesperado para fazer o terceiro gol, quando 2 a 0 era um placar suficiente para levar o título. Não precisava apressar o ritmo, apenas controlar a situação. Alguém já disse que o futebol é um jogo mental e essa lição deve ser bem assimilada pelos azulinos
A derrota tem o poder de clarear pontos obscuros e desconhecidos. Sabe-se agora que a diretoria do Remo está rachada desde o início do Parazão. Há dirigente que não fala com o outro, tendo que ir ao clube em horário diferente para não encontrar com o desafeto.
Outra questão a dividir a cúpula é o anunciado rompimento com a Federação Paraense de Futebol, defendido pela maioria dos diretores e que foi evitado por uma voz solitária. Outro ponto em aberto, alimentando desgastes internos, é a recolocação do escudo no pórtico do Baenão.
Com base nas seleções de cada turno, aqui vai o time dos melhores do Parazão 2012: Jader (SF); Pikachu (PSC), Perema (SF), Gil (CAM) e Rayro (Águia); Jhonnatan (CR), Ricardo Capanema (CAM), Flamel (Águia) e Ratinho (CAM); Branco (Águia) e Lineker (Tuna). Técnico: Flávio Lopes. Melhor jogador: Flamel. Revelação: Jhonnatan. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 15)

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