Por Gerson Nogueira
Lecheva vai segurar o mistério até a hora do jogo sobre a escalação do Paissandu para enfrentar o Sport-PE pela Copa do Brasil. Tem seus motivos. Grande parte dos problemas se localiza no meio-de-campo, justamente o setor mais estratégico. Sem Vânderson e Leandrinho, restam dois volantes de ofício para compor o setor de marcação: Billy e Neto.
O que pode garantir equilíbrio à meia-cancha é a escalação de Harison ao lado de Cariri. São jogadores de estilos diferentes, mas de boa técnica, capazes de dar consistência à saída de bola e articular as ações ofensivas. Harison organiza e Cariri conduz a bola, chegando até a grande área inimiga para o arremate.
Há também a possibilidade de uso do sistema 4-5-1, já empregado pelo próprio Lecheva no campeonato estadual. Povoar o meio-campo pode ser a melhor alternativa para evitar que o Sport se estabeleça em campo, embora nenhum dos armadores do Paissandu tenha cacoete de marcador.
A provável entrada de Rafael Oliveira deve beneficiar Adriano Magrão, que ganhará o parceiro ideal para encarar a briga na grande área. Ao lado de Tiago Potiguar ou Héliton nos jogos do Parazão, Magrão executa o papel de pivô, ficando de costas para os zagueiros e longe do gol.
Essa condição desfavorável talvez explique o incômodo jejum (oito partidas) do artilheiro com a camisa do Paissandu. Como Rafael faz bem a aproximação e também sabe prender os zagueiros, Magrão deve ter mais oportunidades para finalizar.
O Sport tem bom time, pratica o 3-5-2, mas tem altos e baixos, capaz de exibições inspiradas e de apresentações pífias. O jogo converge sempre para Marcelinho Paraíba, ao mesmo tempo organizador e finalizador. Pela experiência e talento para o chute, merece atenção especial, mas o Paissandu não pode descuidar de Naldinho e Jael. Jogo duríssimo.
Para os que estranharam a baixa quantidade (17.750) de ingressos para a partida contra o Sport, a diretoria do Paissandu explicou – com certo atraso – que a carga de bilhetes pode ser aumentada caso a demanda justifique. O clube dispõe de máquina para confeccionar ingressos na quantidade que for necessária.
Apesar da explicação, ficou no ar a impressão de que os dirigentes não levam fé no comparecimento da Fiel. O curioso é que Mazola, técnico do Sport, é bem mais otimista que a cartolagem: espera 40 mil pessoas lotando o Mangueirão. Faz sentido, afinal, com transmissão ao vivo na TV aberta, o jogo Independente x S. Paulo teve público de 22 mil pagantes.
A verdade é que a torcida alviceleste há muito tempo não lota estádios em Belém, mas é fato também que esse afastamento está diretamente ligado às constantes decepções em campo. Se o time fosse confiável, o torcedor iria de olhos fechados. Ainda assim, creio em público superior a 20 mil pagantes – caso a tal máquina de bilhetes não seja potoca.
O leitor José Miguel Batista envia mensagem, concordando com os comentários de ontem sobre a desdita de Labilá, goleiro e ídolo hostilizado pela torcida do São Raimundo após a derrota para o Paissandu. “O torcedor deveria manifestar seu descontentamento contra os dirigentes do clube, que desde a conquista da Série D nada fizeram de positivo. Contrataram mal e se envolveram em rixas pessoais, jogando o clube para o rebaixamento, deixando-o fora da Série C e, agora, fora também da elite do Campeonato Paraense”, opina Zé Miguel.
A desastrosa arbitragem holandesa no clássico Barcelona x Milan pela UCL, com dois pênaltis estranhos em favor do mandante, confirma a preocupante realidade do futebol mundial: a nova geração de árbitros é uma das piores das últimas décadas. E daqui a dois anos tem Copa do Mundo…
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 04)
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